COLUNA DO TIMM
EDITORIAL - FM Torres-19 Jan. 2026
www.culturalfm.com
POLÍTICAS PÚBLICAS SALVAM VIDAS - Cláudio Carvalho
Quem nunca passou fome não conhece o valor do Bolsa Família.
Quem sempre teve casa própria não entende o impacto do
Minha Casa, Minha Vida.
Quem nasceu em família rica não sabe o que o ProUni
representa para quem nunca teve oportunidades.
Quem sempre viveu cercado de privilégios ignora a importância
das cotas sociais, raciais e de gênero.
Quem nasceu em berço de ouro não compreende a esperança
que programas como o Pé-de-Meia levam a estudantes pobres.
Quem nunca correu riscos com fogão improvisado não entende
o que é o gás do povo.
Quem serve ao mercado acima das pessoas jamais reconhecerá
a importância da geração de empregos.
Quem sempre teve água encanada não sabe o valor das
cisternas e barragens no semiárido.
Quem sempre teve carro não entende a importância do SAMU.
Quem nega a ciência se recusa a reconhecer o valor das
vacinas.
Quem sempre teve acesso à saúde não sabe o que o Mais
Médicos representa.
Quem nunca ficou sem remédio ignora a importância da
Farmácia Popular.
Quem sempre teve saúde bucal não entende o impacto do Brasil
Sorridente.
Quem nunca viveu no interior sem energia elétrica não sabe o
que significa o Luz para Todos.
Quem só conhece a agricultura empresarial não reconhece a
importância do Plano Safra para pequenos produtores.
Quem nasceu atleta de elite não entende o que o Bolsa Atleta
representa para quem vem da periferia.
Quem sempre sonegou impostos não compreende a
necessidade de uma reforma tributária justa.
Quem trai a pátria não respeita a soberania nacional.
Talvez muita gente não mereça o Lula, mas o povo brasileiro
merece.
Lutamos, resistimos, choramos, perdemos vidas, mas não
desistimos.
Tenho orgulho do presidente que elegemos.
Luiz Inácio Lula da Silva é um presidente que trabalha, cuida do
povo e seguirá sendo nossa esperança.
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EDITORIAL - FM Torres – www.culturalfm.com 16 JAN
CRESCEM EXPECTATIVAS PARA AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO
Virou o ano, mudou a lua, veio o calor, e o único que se ouve no Estado é: “Nós
sempre teremos o litoral”. Poucos, na verdade, sabem que, a construir-se o tal
Porto de Arroio do Sal, acabou-se a vocação turística da nossa região.
Acabaremos, todos em Punta del Este. Meu amigo Dr. Cesar Paim, “torricácio”
há décadas, mas visitante eventual nas praias do Uruguai, já decidiu: - Não vou
mais vender meu apartamento lá, sabe-se lá o que vai acontecer por aqui.”..
Entrementes, o mundo gira, a “Luzitana “ roda e os brasileiros de todos os
cantos e matizes, o primeiro deles Lula, candidato à reeleição, começam a
pensar nas eleições em outubro. Eleições gerais : Presidente e Governadores,
com respectivos vices, Senadores e deputados federais e estaduais. Neste
nível, parlamentar, não se esperam muitas mudanças. São eleições
proporcionais, alimentadas por alianças com Prefeitos, solidamente nutridos pelo
processo de “distritalização” dos Orçamentos Executivos por parlamentares das
respectivas casas e localidades: as Emendas. No Legislativo, a grande corrida
será mesmo para o Senado, que terá 2/3 de seus membros substituídos, alguns,
poucos, tentando a manutenção da cadeira cujos mandatos vencem. Risco total
para quem estiver no Palácio do Planalto em 2027. A esse respeito o melhor
artigo, recentemente publicado é este: A batalha real de 2026 será pelo
Senado, Wilson Gomes =
Folha de S. Paulo https://gilvanmelo.blogspot.com/2026/01/a-batalha-real-de-2026-sera-pelo-
senado.html?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAYnJpZBExS25Ya2lrdXV1bTVJNmpaUHNydGMGYXBwX2lkEDIyMj
AzOTE3ODgyMDA4OTIAAR4VwLOj5oHnt-
Lh6q6ez8Qkddz_YcDjYsyYCCV6RiON1a9uzVK8N9EMC2Nhvw_aem_46Xt56X0MYL9u2kYf6v5ew ]] quarta-
feira, 14 de janeiro de 2026 -
“Dos 81 senadores, 54 terão seus mandatos renovados. Para qualquer governo
sobreviver politicamente, é indispensável manter 41 cadeiras, a maioria
absoluta. Considerando o estoque atual que não entrará em disputa, os partidos
da base precisariam eleger ao menos 28 das 54 cadeiras em disputa, algo
próximo de 52%. Trata-se de um patamar elevado para um governo que entra no
ciclo eleitoral sob desgaste natural, polarização intensa e um eleitorado mais
favorável à direita nas disputas majoritárias estaduais. O risco ( para Lula, se for
reeleito) não está em uma derrota acachapante, mas em pequenas perdas mal
distribuídas. Hoje, cerca de 33 das cadeiras governistas entram em disputa.
Basta que sua base perca seis delas, sem reposição, para cair abaixo da maioria
absoluta.”
Daí a preocupação do Presidente quanto à indicação de nomes estaduais com
efetiva capacidade competitiva. Fala-se que está de olho na mudança de Partido
de Marina e Simone Tebet, com vistas a candidaturas delas ao Senado E,
aparentemente, não desistirá facilmente de ter Haddad para o Senado em São
Paulo.
Quanto ao Rio Grande do Sul, o cenário já está mais ou menos definido.
Na esquerda, depois da defecção de Paulo Paim, por Paulo Pimenta no PT, este
deverá como parceira a Manoela D´Avila, que volta à Política pelo PSOL. Ela,
aliás, está melhor do que ele na preferência eleitoral (26%) , tem mais e melhor
imagem mulher jovem -, eis que já foi até candidata a Vice de Lula e candidata a
Prefeita da capital; mas o Governador Leite (24%) também será candidato ao
Senado, vez que seus sonhos à Presidência esfumaram-se no tempo. Ele,
porém, não tem, ainda uma chapa própria forte ao Governo, que deverá ser
disputado, na aliança já consolidade com MDB, pelo seu Vice Gabriel Souza.
Namora com o PDT na esperança de ganhar os votos brizolistas, numa eventual
dobradinha com Juliana. Se ela for inteligente, não cai nessa. Ele, depois de 8
anos no Governo está bem melhor “aparelhado”. Ficará mais garantida como
candidata à deputada federal. Tem nome, mas lhe falta empenho para uma
campanha estadual. À direita, dois candidatos se apresentarão, Von Hatten ( 15
%) ,pelo Novo, e Sanderson (4%), pelo PL; ou seja, só o primeiro é competitivo.
Enfim, tudo indica que Leite, Manoela e Von Hatten serão os mais cotados para
o Senado. No máximo, um voto “governista” ...
Quanto ao Piratini, sem novidades. A “terceira via” que sucumbiu no plano
nacional teima em sobreviver nos campos do Rio Grande. Viveremos a reedição
de várias outras eleições que elegeram Brito, Rigotto, Yeda Crusius e o
indefectível Sartori. Divisão na esquerda, que se reduzirá ao campo mais
combativo do PT + PSOL + PCdo B, com os respectivos “federados”, na
indicação de E. Pretto (PT) ao Governo, um meio de campo com o Gabriel
Souza, puxado por Leite ao Senado, com eventual apoio do PDT, eterno inimigo
do PT no Estado e um polo bolsonarista com o Deputado Luciano Zucco (PL)
articulado com P.Novo, com apoio do que sobrar do Centrão articulado ao
projeto nacional.
Independentemente de seu voto, que tal este cenário, lembrando que ele é
apenas um foto do momento, sempre sujeito às “mudanças climáticas”...
Nota – Os números relativos à preferência eleitoral colhidos em
www.gazetadopovo.com.br
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EDITORIAL – FM Torres 15 jan. 2026– www.culturalfm.com
NÃO IMAGINAM O QUE SEJA UMA DITADURA. Milton Saldanha, Jorn.
Aquele bando de idiotas que acampou na frente dos quartéis, pedindo intervenção militar, e depois foi quebrar as sedes dos 3 Poderes, em Brasília, no 8 de janeiro, nunca teve a menor ideia do que seja uma ditadura.
Ficaria aqui horas escrevendo sobre isso.
Mas só vou citar um detalhe: qualquer garoto, estudante, que fosse flagrado pichando um muro contra a ditadura, era conduzido a um centro de torturas.
Era assim e não estou exagerando.
O operário Olavo Hansen, chefe de família, foi preso, torturado e assassinado porque fazia panfletagem. Não tinha arma.
Observem o tamanho da violência. Panfletagem é um método de luta política dos mais inofensivos. Na maioria dos casos, coisa banal.
O pior dia da minha vida foi quando, com meu irmão, nos vimos seguidos pelo Doi-Codi pelas ruas de São Paulo e do ABC, onde éramos editores no Diário do Grande ABC.
Eles seguiam nosso pequeno Gordini com 4 ou 5 viaturas sem caracterização policial e faziam questão de se mostrar, num jogo de gato e rato, de uma covardia brutal.
O que fariam dois jornalistas, desarmados, contra jagunços urbanos com metralhadoras?
Nosso receio era o de ser metralhados na rua e depois bastaria a eles colocar alguma arma em nosso carro para simular um confronto. Ou talvez nem isso: sumiriam com os corpos, em algum dos cemitérios clandestinos onde enterravam suas vítimas.
Ao chegar no jornal reunimos a redação na sala do diretor Fausto Polesi e relatei o que estava acontecendo, com um aviso: “se a gente desaparecer, saibam todos que estaremos presos no Doi-Codi”. Como segurança era um fiapo, mas melhor do que nada.
Digo mais: era governo Médici, (1969-1974), o mais repressivo dos quatro generais da ditadura.
O que o ex-presidente agora preso por golpismo queria trazer de volta foi isso. Só que, uma vez ditador, seria pior do que os generais da ditadura, porque se trata de um completo boçal, cruel e vingativo.
Feliz do país que condena à prisão um criminoso desse naipe, para que sirva de exemplo e desencoraje novas aventuras golpistas. Uma praga que infelicita o Brasil desde a derrubada da monarquia.
Sem anistia! Sem redução de penas!
Milton Saldanha.
EDITORIAL – FM Torres 14 jan.2026– www.culturalfm.com
Cultural FM Torres – Informe
O Irã, segundo Prof. Marandi, sempre uma referência: https://www.youtube.com/watch?v=dFRO4bXzEQw
Irã. Por Marcelo Zero
https://paraiso-brasil.org/2026/01/13/ira-por-marcelo-zero/
É muito difícil saber, com precisão, o que está acontecendo, de fato, no Irã.
Como sempre, a mídia ocidental, fala na “sangrenta ditadura” do Irã e que centenas de pessoas já teriam sido mortas pela repressão do regime iraniano.
De outro lado, imagens difundidas no Ocidente mostram incêndios de carros e construções, e o regime acusa alguns grupos de manifestante de terem atirado e matado policiais iranianos.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, moderado e progressista, já fez vários apelos ao diálogo.
Nesse contexto nebuloso e contraditório, é preciso considerar que Israel e os EUA estão fortemente empenhados na derrubada do regime iraniano há muito tempo. Tanto o governo de Israel quanto o governo dos EUA têm capacidade de promover a chamada “guerra híbrida” e de articular e promover protestos, via redes sociais e a internet.
Embora o regime iraniano tenha derrubado a internet no país, os manifestantes estariam usando terminais da Starlink de Elon Musk para se articularem.
É claro que há um substrato real na insatisfação da sociedade iraniana, principalmente naqueles setores mais jovens e que vivem em grandes cidades, como Teerã, por exemplo.
Mas tal insatisfação não tem mais muito a ver com a promoção de valores tradicionais da sharia islâmica. Hoje em dia, por exemplo, a maioria das mulheres iranianas que vive nas grandes cidades não usa mais o hijab. O regime tonou-se bem mais permissivo, nesse aspecto.
A questão central é econômica.
Há de se observar que, desde 1979, o Irã tornou-se o país mais sancionado do mundo. Só perdeu esse “honroso” posto, após a Rússia ter feito a intervenção militar na Ucrânia, em 2022. Mas continua a ocupar um terrível e muito incômodo segundo lugar.
As dificuldades econômicas advindas, essencialmente, das sanções unilaterais dos Estados Unidos e de aliados, as quais restringem fortemente o acesso do Irã aos mercados internacionais e a consequente disponibilidade de moedas fortes, bem como congelam ativos iranianos em bancos no exterior, conformam um contexto de instabilidade política constante, que se agravou, nos últimos anos.
Somente entre 2012 e 2015, tais sanções teriam provocado um prejuízo acumulado de cerca de US$ 500 bilhões.
O ex-presidente reformista Hassan Rouhani, eleito em 2013 e reeleito em 2017, tinha conseguido reinserir parcialmente o Irã na comunidade internacional, mediante equacionamento do dossiê nuclear, com a assinatura do acordo sobre o programa nuclear iraniano (“Joint Comprehensive bserva Action” – JCPOA).
Mas Trump, desde o seu primeiro governo, adotou uma política de “pressão máxima” sobre o regime do Irã e retirou os EUA do JCPOA, em 2018. Desde então, a tensão vem aumentando, com o Irã, compreensivelmente, se retirando de seus compromissos e os EUA, por seu turno, apertando as sanções.
Os efeitos da pandemia, muito amplificados pelo isolamento do regime iraniano, foram devastadores no Irã. O Irã foi, inicialmente, um dos países mais atingidos, com mais de 7 milhões de casos registrados e mais de 145.000 mortos. Teve de desenvolver imunizantes próprios para conter, com sucesso, a pandemia.
Ademais, a tomada do poder pelo Talibã (força sunita) no vizinho Afeganistão, em agosto de 2021, agravou a pressão sobre os serviços públicos iranianos, que receberam contingente extra estimado em 2 milhões de refugiados, que se beneficiam de serviços básicos de saúde e educação.
As dificuldades na condução da política macroeconômica, o aumento do desemprego entre os jovens, a perda do poder de compra da classe média e o empobrecimento da população já estavam entre as causas dos protestos que eclodiram em setembro de 2022, logo após a morte, em custódia policial, da jovem curda Mahsa Amini.
Agora, não há dúvida de que os protestos são motivados substancialmente por uma inflação de 42% e pela desvalorização recente da moeda nacional, que repercute diretamente nos preços dos alimentos.
Apesar dos esforços para obter autossuficiência alimentar, o Irã, que tem apenas 11% do seu território de terras agricultáveis e que enfrenta uma seca de dois anos, ainda importa muitos alimentos essenciais, como trigo, arroz, laticínios e produtos para alimentação animal, como milho (importado, em grande parte, do Brasil). Cerca de 30% das importações do Irã são de alimentos.
Isso não significa que as manipulações feitas pelo governo de Netanyahu e pelo governo de Trump não estejam presentes.
A divulgação, como “alternativa de poder”, do filho de Reza Pahlevi, homônimo, um dos ditadores mais brutais que o mundo conheceu, representa uma tentativa canhestra e patética de derrubar o regime do Irã, apenas para fazer regredir, de novo, esse notável país de cultura milenar ao status de colônia dos EUA e do chamado Ocidente de um modo geral.
Lembre-se que o tenebroso Xá ascendeu ao poder, após os britânicos e os estadunidenses terem derrubado Mosaddegh, que havia nacionalizado, na década de 1950, as jazidas de petróleo iranianas. Os iranianos jamais esquecerão essa passagem trágica de sua história.
Não creio que vá funcionar. Assim como não teria funcionado uma reunião sigilosa no Itamaraty, entre o governo de Bolsonaro e o governo de Netanyahu, a qual teria sido realizada na gestão de Ernesto Araújo, com o objetivo de que o nosso país se somasse aos esforços para desestabilizar o Irã.
As manifestações não têm lideranças internas coesas e críveis e estão sendo conduzidas, em grande parte, por agendas externas, como a de Pahlevi.
Obviamente, Trump e Netanyahu não têm preocupação alguma com democracia e direitos humanos e nem com a crise econômica no Irã. Querem simplesmente derrubar um regime que é estratégico para o equilíbrio de forças no Grande Oriente Médio e que tem as terceiras maiores jazidas de petróleo e gás do mundo.
Diga-se de passagem, qualificar o regime iraniano como uma ditadura cruel representa uma visão um tanto simplória e reducionista do complexo regime político do Irã.
É verdade que a Constituição da República Islâmica do Irã, de 1979, consagrou o princípio da “tutela do jurisconsulto islâmico” (wilayat-e-faqih), que fundamenta a noção de autoridade absoluta do Líder Supremo (hoje, o Aiatolá Ali Khamenei), em assuntos religiosos e políticos.
Ao mesmo tempo, porém, ela consagrou alguns princípios democráticos. Prevendo eleições diretas para presidente, parlamentares e membros da Assembleia dos Sábios.
O Presidente da República, chefe do Poder Executivo, é responsável por elaborar e executar as políticas públicas e de relações exteriores e de defesa, nos limites das diretrizes impostas pelo Líder Supremo. Exerce a chefia do Gabinete de Governo, do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do Conselho Supremo da Revolução Cultural.
Já o Parlamento iraniano (Majlis) é unicameral e composto por 290 deputados. As eleições para o Majlis ocorrem a cada quatro anos e, do total de assentos, cinco representam as minorias (judeus, zoroastras, cristãos armênios e cristãos caldeus).
Entretanto, toda candidatura ao Majlis é submetida ao crivo do Conselho dos Guardiães, órgão com poder de veto. O Majlis possui funções típicas de parlamento de uma democracia participativa – proposição legislativa, voto de confiança aos membros do Gabinete do Governo, impedimento do Presidente, aprovação de acordos internacionais –, sujeitas, não obstante, à ratificação ou ao veto do Conselho dos Guardiães.
Apesar dessa óbvia tutela religiosa, exercida basicamente pelo Líder Supremo e pelo Conselho de Guardiães, o Irã é bem mais democrático que as monarquias absolutistas sunitas dos países do Golfo Pérsico, que são, na realidade, regimes politicamente medievais. Tais regimes francamente ditatoriais não incomodam, contudo, o governo Trump, pois são aliados históricos dos EUA na região. As maiores bases militares dos EUA no Oriente Médio estão lá.
O regime iraniano ainda tem muito apoio nas cidades médias e pequenas e nas zonas rurais e semirrurais. Também tem apoio entre os mais pobres e as gerações mais velhas. A oposição está bastante concentrada em jovens de classe média que habitam nos grandes centros urbanos, especialmente na grande área metropolitana de Teerã.
A maior parte da população do Irã é totalmente avessa a pressões externas, principalmente as vindas dos EUA e de Israel.
Caso Trump e Israel decidam bombardear o Irã, como ameaçaram, boa parte da população cerrará fileiras para defender o regime.
Além disso, uma tentativa séria de derrubar o regime implicaria “boots on the ground”, uma ocupação terrestre maciça.
Seria um desastre. Um “atoleiro” muito pior que o do Iraque.
O Irã reúne, entre forças armadas e a Guarda Revolucionária, 530 mil homens na ativa, fora os reservistas, que somam 350 mil. Ao todo são, portanto, cerca de 880 mil homens fortemente armados que poderiam ser mobilizados no curto prazo. Além disso, o Irã dispõe de 40 milhões de homens aptos a combater.
Na realidade, o Irã tem o exército convencional mais poderoso do Grande Oriente Médio. O Irã é a quarta força mundial em termos de lançadores móveis de foguetes e a oitava, no que tange à artilharia convencional. Possui também 1.634 tanques de combate e 165 caças.
O Irã é um país chave para o domínio da Eurásia, o supercontinente cujo controle, como já previa Zbigniew Brzezinski em “O Grande Tabuleiro de Xadrez”, propiciará hegemonia na ordem mundial.
China e Rússia sabem disso.
A China depende bastante do petróleo e do gás do Irã e vem fazendo pesados investimentos naquele país. Os chineses, em contratos de centenas de bilhões de dólares, conseguiram acesso exclusivo a partes significativas dos campos de gás e óleo do Irã. Em contrapartida, prometeram investir na infraestrutura energética do país e, mais do que isso, comprometeram-se a defender essas áreas petrolíferas contra agressões estrangeiras, “como se fossem território chinês”.
O acesso a essas jazidas iranianas, complementado por uma rede de gasodutos, permitirá à China amenizar sua dependência energética e é fundamental para a sua estratégia de constituir uma nova rota da seda. O Irã, por sua vez, poderá bloquear o estreito de Ormuz, por onde passam os grandes petroleiros que vêm do Golfo Pérsico, sem que isso impacte as suas exportações.
Já a Rússia vê o Irã como um parceiro geopolítico muito importante no Oriente Médio. Com a recente e injustificada ofensiva da administração Trump contra o Irã, contrariando abertamente o texto do acordo Joint Comprehensive bserva Action, que colocou o programa nuclear iraniano sob controle dos EUA e Europa, em troca do levantamento das sanções, a Rússia aproximou-se muito do Irã. Em uma reunião entre Putin e Khamenei, realizada em novembro de 2022, o mandatário russo afirmou ao líder iraniano que a “Rússia não trairá o Irã”.
Há, portanto, muito em jogo. E o Irã não é a Venezuela ou o Panamá. Tem um longo histórico de resistência, que inclui uma terrível guerra com o Iraque, e cerca de 90 milhões de habitantes.
A crise iraniana tem de ser resolvida pelos iranianos, sem interferências externas e de forma pacífica. O Joint Comprehensive bserva Action tem de ser plenamente retomado e as sanções precisam ser levantadas.
“Isto também passará”. Afinal, até a terrível Savak passou. Mas o Irã soberano não vai passar. Permanecerá, ainda, por outros milênios.
EDITORIAL - FM Torres –13 jan.2026 www.culturalfm.com
Cenário desafiador - Após registrar os menores níveis de desemprego e informalidade da série histórica do IBGE, a economia brasileira deve desacelerar em 2026
Por André Luiz Passos Santos , Luiz Gonzaga Belluzzo , Murilo Tambasco e Nathan Caixeta
CARTA CAPITAL – 10 JAN -
Os dias que inauguram o ano costumam ser marcados pela proliferação de elaborados panegíricos proferidos por economistas e analistas financeiros, empenhados em delinear projeções acerca do cenário político-econômico do período vindouro, oscilando entre distintos matizes de otimismo e pessimismo. Neste artigo, pretendemos oferecer ao leitor uma apreciação rápida e ponderada das tendências em curso que conformam as perspectivas para o ano de 2026, bem como assinalar potenciais focos de tensão e pontos de inflexão no ambiente econômico-financeiro, os quais podem requerer atenção redobrada por parte dos agentes econômicos e dos formuladores de políticas públicas.
No contexto brasileiro, a conjuntura é cercada de perigos e incertezas. Por um lado, no período recente, o País registrou o menor nível de desemprego da série histórica, com taxa de 5,2%, e a menor informalidade, de 37,7%. Trata-se de resultados do acelerado crescimento da economia entre o início de 2023 e a metade do ano de 2024, proporcionado pela forte expansão do consumo e do setor de serviços, além da reposição e incremento do estoque de capital em vista da maior expectativa de demanda gerada pelo impulso fiscal no ano de 2023.
Por outro, os indicadores recentes de atividade econômica revelam tendência de desaceleração da economia. Essa orientação é puxada, sobretudo, pelo fraco desempenho do consumo privado e da indústria de transformação, o que poderá, em breve, desacelerar os investimentos e reduzir o crescimento dos empregos diante de uma expectativa de demanda que dá sinais de esgotamento e de uma taxa de juros que inviabiliza o lucro empresarial, além de elevar o endividamento das famílias e encarecer o custo de capital das empresas.
A inflação está em um dos patamares mais baixos desde o início do regime de metas, mas o Banco Central mantém a postura restritiva
Outro fator de destaque é a retração do impulso fiscal, conforme revela relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE): após contribuir com 3,8% do PIB entre 2023 e 2024, o impulso tornou-se negativo em 2024/2025 (-2,84%), reforçando a desaceleração econômica. Ao contrário do que é frequentemente preconizado, o cenário reflete a combinação de políticas fiscal e monetária contracionistas. Soma-se a isso o caráter cíclico do crescimento brasileiro. Sem elevação sustentada da taxa de investimento e da participação da indústria de transformação – hoje no menor nível histórico em relação ao PIB –, não é plausível manter taxas de crescimento acima da média da última década. A estagnação desses dois vetores centrais limita ganhos de produtividade e condena a economia a ciclos curtos de expansão baseados no consumo ou nas exportações.
No debate recente, atribui-se a desaceleração ao risco fiscal, somada à suposta ineficácia da política monetária. Contudo, se as projeções se confirmarem, o governo Lula III encerrará o período com a menor inflação média desde o regime de metas, favorecida sobretudo pela valorização cambial ao longo de 2025. Ainda assim, o Banco Central mantém uma postura restritiva, condicionada por uma meta de inflação excessivamente baixa para nossos padrões históricos, adiando o afrouxamento monetário.
A combinação de juros elevados e câmbio apreciado, apesar de contribuir para o controle dos preços, é responsável pela ampliação do déficit em transações correntes, redução do superávit comercial e intensificação da remessa de lucros e dividendos ao exterior. Nesse contexto, o BC antecipa choques, eleva juros rapidamente e prolonga a restrição monetária, temendo a amplificação inflacionária via demanda e indexação.
Tal arranjo impõe elevado custo fiscal. Cada aumento de 1 ponto porcentual na taxa básica eleva os encargos da União em 0,49% do PIB. Atualmente, os juros consomem em torno de 7,8% do PIB e mais de 40% do orçamento federal, pressionando a trajetória da dívida. Historicamente, os juros nominais explicaram mais de 80% do crescimento da Dívida Líquida, enquanto o resultado primário teve contribuição limitada, exceto durante a pandemia.
Entre 2003 e 2014, crescimento econômico, expansão do gasto e superávits fiscais reduziram a dívida em proporção do PIB. O período posterior, marcado pela austeridade permanente, resultou em estagnação, déficits recorrentes e piora fiscal. Cortes sistemáticos de gastos comprimem renda, investimento, emprego e arrecadação, agravando as próprias contas públicas.
Embora o atual governo tenha se aproximado do déficit zero em 2025, persiste a pressão por um ajuste adicional de 3% a 4% do PIB, incluindo cortes em benefícios sociais e pisos constitucionais. Tal estratégia é economicamente regressiva e ameaça reverter avanços do mandato. Em contraste, a isenção do IR para rendas até 5 mil reais, acompanhada da tributação das altas rendas, representa vitória relevante para o crescimento da demanda e a redução da desigualdade.
O cenário internacional revela-se igualmente desafiador. Segundo projeções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), embora a economia mundial tenha demonstrado relativa resiliência diante dos choques comerciais e financeiros recentes, a expansão global deve situar-se em torno de 3,2%, patamar insuficiente para sustentar um ciclo robusto de crescimento nas economias emergentes.
Preocupa sobremaneira a estagnação dos países desenvolvidos, que, mesmo após o fim dos ciclos de aperto monetário direcionados a combater o choque de oferta provocado pelas guerras na Rússia e no Oriente Médio, não chegaram a exibir o desempenho requerido para frear o processo de desindustrialização que acomete suas economias e a elevação do desemprego estrutural ligado ao avanço da indústria 4.0 sobre os setores industrial e de serviços.
No exterior, o avanço meteórico dos ativos de empresas de IA levanta dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do setor
Outro ponto de atenção diz respeito às valorações de mercado e à concentração de risco no setor tecnológico dos EUA. O grupo de empresas denominado Magnificent Seven (Sete Magníficas) – formado por gigantes como Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon, Meta, Tesla e Nvidia – alcançou uma capitalização conjunta que ultrapassa o Produto Interno Bruto de grandes economias, como a da União Europeia.
A valorização desses ativos, impulsionada por expectativas otimistas sobre IA e lucros futuros, levou os múltiplos a níveis elevados e remete a episódios de exuberância financeira marcados por concentração de ganhos e distanciamento dos fundamentos. No S&P 500, essas empresas já representam perto de 35% do índice, aumentando o risco sistêmico. Nos últimos cinco anos, enquanto o índice subiu 98,2%, as Sete Magníficas responderam por 57% do avanço, com crescimento agregado de 234,8%.
A valorização das ações norte-americanas já elevou o valor de mercado das empresas para em torno de 230% do PIB dos EUA, o dobro do nível pré-2008, enquanto os múltiplos de lucro se aproximam dos patamares observados antes da bolha dotcom e da Grande Crise. Paralelamente, o fortalecimento do ouro e a maior demanda por títulos públicos sinalizam um reposicionamento defensivo e aversão ao risco. Esse conjunto de fatores sustenta a preocupação com uma nova crise financeira internacional, potencialmente mais difícil de conter do que a anterior. •
*Sócios da BPCT Consultoria Econômica.
André Luiz Passos Santos
Economista, doutorando pelo Instituto de Economia da Unicamp.
Luiz Gonzaga Belluzzo
Economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –12JAN.2026
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O ACORDO MERCOSUL – UNIÃO EUROPEIA por PAULO TIMM
ACORDO MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA, ERA RUIM, FICOU PIOR
dezembro 18, 2025 - https://red.org.br/noticias/acordo-mercosul-uniao-europeia-ja-era-ruim-e-ficou-pior/
Por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. e MANOEL CASADO*
*
A economia mundial vive momentos de grande turbulência, com
riscos cada vez mais alardeados de uma nova crise na bolha
financeira, sempre contestada com a resposta de que “desta
vez é diferente”, apesar de vários revezes desde os anos 70, da
queda do ritmo de crescimento das economias maduras, apenas
compensada pelo “milagres” da India, Irlanda e Indonésia –
quem diria?- , e das incertezas no comércio mundial, força
motriz, desde sempre, do desenvolvimento das nações,
provocadas, em grande parte pelo Presidente Donald Trump.
Desponta, neste cenário, a aprovação pela União Europeia, com
o voto contrário da França, da Hungria, Bélgica e outros países
de menor expressão, do ACORDO MERCOSUL / União Europeia.
O texto, que ainda depende de aval dos parlamentos dos
respectivos países da cada bloco e de regulamentações
complementares, prevê a eliminação gradual de tarifas sobre
cerca de 91% do comércio entre os blocos e pode ampliar o
acesso de produtos brasileiros, especialmente do agronegócio,
ao mercado europeu.
“A União Europeia (UE) é uma união política e econômica única
de 27 países europeus que trabalham juntos para promover a
paz, estabilidade e prosperidade, com um mercado comum,
moeda única (o Euro, para muitos membros) e leis
harmonizadas, atuando como um bloco influente no cenário
global através de instituições supranacionais. Ela surgiu do pós-
Segunda Guerra Mundial para evitar futuros conflitos,
começando com a Comunidade Europeia do Carvão e do
Aço (CECA) em 1951 e evoluindo para a entidade atual. “
O Mercosul, concebido no Governo Sarney e fundado em 26 de
março de 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, é um
acordo comercial, visando fixar uma tarifa comum entre os
participantes, como ponto de partida para novos horizontes
econômicos, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai; Venezuela ingressou mas foi suspensa por razões
políticas, apesar dos fortes apelos de sua representante, atual
Presidente Interina do pais, indignada com esta decisão. Há,
também, países associados: Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e
Equador. Ultimamente, em decorrência da polarização política
no interior do bloco, o Mercosul vem perdendo seu apelo como
importante veículo de incremento do comércio regional.
Argentina se articula cada vez mais como associada dos
Estados Unidos. Uruguai, no governo anterior, esteve prestes a
firmar acordo bilateral com a China.
A aprovação do Acordo MERCOSUL-União Europeia pode,
porém, redinamizar o grupo, apesar das fortes controvérsias
que ainda cercam sua implementação, crivada de salvaguardas,
registradas sobretudo pela França e Bélgica com vistas à
garantia de seus produtores agrícolas. No Brasil, a esquerda,
sempre contestadora da política de liberação do comércio, na
defesa de mecanismo de proteção à indústria nacional, agora,
com Lula na vanguarda do multilateralismo e da liberação do
comércio mundial, procura afinar-se com a palavra
presidencial. “Em um cenário de crescente protecionismo e
unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do
comércio internacional como fator para o crescimento
econômico, com benefícios para os dois blocos”, comemorou o
presidente Lula. Uma voz dissonante na esquerda é o
Economista Paulo Nogueira Jr, ocupante de importantes
posições no FMI e no Banco BRICS, hoje independente. Teme
ele que o Acordo destrua todos os esforços pela
reindustrialização no país. Aqui no Rio Grande do Sul, onde já
vimos a desmontagem do polo calçadista, enfrentaremos graves
problemas diante da concorrência com os vinhos e chocolates
europeus. Já a direita, pouco festeja o Acordo para não encher
a bola de Lula na campanha eleitoral já em curso neste ano.
Não obstante, será sua base do Agro a principal beneficiária
deste Acordo pois terá acesso, doravante, com vantagens
competitivas inequívocas a um mercado de alto poder aquisitivo
na ordem de 450 milhões de consumidores, no contexto
regional global de um PIB de US$ 22,4 trilhões e um mercado
de 718 milhões de consumidores, incluída a União Europeia e o
Mercosul . Será, enfim, a maior zona de livre-comércio do
mundo. O fechamento das negociações que se arrastaram por
mais de 25 anos, ocorreu ontem, quando houve aprovação pelo
Conselho Europeu e deverá ter seu desfecho no próximo dia 17,
no Paraguai, com a presença de líderes dos dois blocos. Na
prática, haverá menos entraves burocráticos e regras mais
simples para exportações e importações entre os 27 países da
UE e Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Independente dos resultados no futuro, Lula celebra com
grande euforia a aprovação do Acordo pelo qual ele tanto se
empenhou, sempre destacando que ele garantiu o desfecho de
um processo que já se arrastava há mais de 25 anos. Agora, é
ver no que vai dar.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres 09 JAN.2026–
Folia de Reis ( em tempo)
A trupe dobrou a última curva. Já não se via o palhaço, nem o passo dos jovens foliões. Só o eco do canto persistia, espalhando-se pela noite como se quisesse costurar cada vazio, cada medo, cada esperança. Um canto novo anunciava, no seu modo simples, que a dor não terá a última palavra
OutrasPalavras
Por Célio Turino
Publicado 19/12/2025 às 17:09 - Atualizado 19/12/2025 às 17:12Parte inferior do formulário
Como quem ajeita um véu antes da celebração, a noite se armava devagar. No bairro, que já vira procissão, velório, mutirão e festa, as famílias se preparavam para receber a Folia de Reis. O Natal estava a chegar.
Os vizinhos escolheram a casa de dona Sil para a recepção ao cortejo. Mulher católica, generosa e sorridente, por onde passava distribuía esperança, também valentia. Dias antes ela arrumara a casa com o rigor de quem sabe que rito não combina com improviso. Varreu cada cômodo, a frente e o quintal, montou o presépio e acendeu vela ao lado. Antes da chegada da folia passou pano úmido no Menino Jesus que teimava em acumular poeira, como se quisesse lembrar que nascera do chão do mundo.
As crianças corriam pela calçada e os vizinhos iam achegando. Nem tanto por convite, mas pelo chamado íntimo que aquele momento desperta. Há festas que não se anunciam, apenas se pressentem. Essa, se pressentia. A Folia viria de longe. De um Ponto de Cultura do Vale do Paraíba, que juntava tradição e infância, brincadeiras e reflexões.
Pela estrada antiga, entre as árvores e o riacho, era possível auscultar as pessoas ensaiando passos sobre o pó que se ergue da terra batida. À frente, o bandeireiro, homem magro, olhar firme. Carregava a Bandeira dos Santos Reis como quem conduz uma memória do mundo. Era o único que se avistava. Havia um olhar solene saído daquele homem negro, trabalhador do campo, era um olhar que anunciava que aquela bandeira não pertencia só a ele. O marido de dona Sil desceu a rua para recebe-los com reverência.
As fitas tremulavam, era um vento leve que se somava à respiração coletiva dos foliões. As casas também estavam enfeitadas com fitas azuis, vermelho e amarela. Logo atrás da bandeira vinha o Mestre. Violeiro de viola gasta, tocava um instrumento que parecia trazer ainda o cheiro das manhãs do pé da serra da Mantiqueira em uma mistura entre café torrado, capim-cidreira, pinhão e terra molhada. Ele puxava o tom, modulava o compasso. E a cada nota abria a noite como se fosse clarão de estrela.
O Embaixador, responsável pelo verso de chegada, ensaiava baixinho as rimas da procissão. Capa amarela, selecionava as palavras como quem escolhe sementes para o plantio. O Contramestre, encarregado de responder o canto, vinha logo a seguir. Ao fundo, os foliões jovens, aprendizes de uma tradição que se transmite menos por livros e mais por convivência, suor e fé.
– Convivência ‘Bem’ suada! – brincou com as palavras o palhaço. Como que a dizer que bendição vem junto com suor e esforço. Meio bufão, meio penitente, rosto pintado e roupas remendadas, era ele quem provocava animação, riso e desordem. Desordem intencionalmente provocada para que dela surgisse a ordem verdadeira, aquela que arranca a tristeza da alma como quem extrai do pé uma farpa.
Antes de dobrar a curva da rua, o grupo se reuniu numa pequena roda. O Mestre pede atenção. Deram-se as mãos e rezaram.
Após a oração ajustaram o estandarte. Prenderam uma fita solta. E o Mestre afinou mais uma vez a viola. Então começaram o “ponto de entrada” que subiu pela estrada. Como uma prece:
“Caminhemos com firmeza,
que esta noite é de luz e chão.
Pelos Reis, pela pobreza,
pela força da canção.”
Canto simples, mas firme. Cada voz ecoava a biografia do povo: o agricultor sem-terra, o operário sem trabalho, demitido na última crise e que vendia café com pão nas madrugadas, a costureira que havia perdido o marido para a violência, o rapaz que sonhava em deixar o país, mas permanecia porque ainda acreditava no sentido de sua gente. Cantaram todos. Cantando adentraram na rua íngreme.
Ao avistá-los, as crianças se alvoroçaram e os adultos se levantaram. Havia uma reverência festiva com o cortejo. A Folia foi passando na frente das casas entre cumprimentos e sorrisos, até que para na frente da casa de Dona Sil. O Embaixador pede licença:
“-Oh senhora dona da casa
pedimos agora entrada
com humildade e respeito,
não trazemos ouro nem prata,
mas trazemos canto no peito.”
A família descerra uma fita e abre a porta. O cortejo adentra. Com reverência a gente da Folia de Reis apresenta a bandeira diante do presépio. O Mestre afina o tom. O Contramestre responde. E o palhaço distrai as crianças para que os adultos pudessem rezar sem lágrimas ostensivas.
As famílias cantaram pelas almas e pelos presentes, cada qual com sua dor e memória. À dona Elza, seu Oswaldo e Mariquinha, à filha de uma amiga que desapareceu, às filhas Mariana e Carolina, aos netos Beatriz e Pedro, aos irmãos, sobrinhos, amigos. Cada família cantou sua canção com a voz que sai do coração. Aquela que não precisa ultrapassar a boca. Foi um canto silencioso, de lembrança e amor pelos que partiram e pelos que aqui estão.
E então. Diante do Menino de barro, a Folia cantou seu ponto mais antigo. O verso parecia recitar o drama de um mundo inteiro:
“Noite nasce entre ruínas,
há crianças sem abrigo,
o caminho dos Reis clama
por quem vaga sem destino”
O Mestre, num gesto raro, fez pausa no canto. Começou a falar, não em tom de discurso, mas em confidência de quem conhece as dores do mundo:
– Se Belém fosse hoje, meus irmãos, talvez estivesse sob escombros. Talvez Maria batesse de porta em porta em Gaza e José procurasse refúgio nas ruínas. Talvez os Reis viessem a pé, desviando de cercas e minas. Talvez o Menino nascesse no deserto, entre barracas de lona.
Ninguém respondeu. Não era preciso. Cada pensamento trazia consigo a lembrança dos imigrantes atravessando rios, dos que dormem em abrigos frios, dos que fogem da guerra que nunca escolheram. As cantorias retomadas, porém, não se afogavam na dor. Cantava-se como uma contramaré que é gesto de resistência. A cada estrofe afirmava-se a possibilidade de outro mundo.
O palhaço, percebendo o peso da responsabilidade, entrou em cena. Fez suas palhaçadas, tropeçou de propósito, fingiu brigar com o pandeiro. A criançada explodiu em riso. Os adultos sorriram também. Deram-se as mãos. Após a bênção, o riso; após a fé, a humanidade. Aí estava a sabedoria profunda.
Chegou então o momento da reza final.
Todos se ajoelharam diante do presépio.
Dona Sil segurou a bandeira enquanto o Mestre rezava. Rezava por quem passa fome, por quem perdeu trabalho, por quem vive à beira de enchentes e incêndios, pelas vítimas do colapso climático que chega cada vez mais depressa. Na reza, pediram pelos povos que lutam contra guerras sem sentido. Pediram por Gaza, Ucrânia, Congo, Haiti. Rezaram pelo Haiti e pelos que moram aqui. Pediram pelos que caminham rumo a fronteiras hostis e também por aquela rua simples.
Continuaram firmes no propósito de reverenciar o Menino Jesus e de ser abrigo. Quando a reza terminou a família convidou todos os presentes para se servirem à mesa. Havia arroz de carreteiro, cuscuz fumegante, frango ensopado, pão caseiro, café forte, doce de abóbora, broa de milho e suco de amora. A comida não era muita, mas oferecida com a generosidade de quem sabe que partilhar é o início de qualquer transformação. Foi a suficiente.
Foliões e vizinhos comeram juntos. Juntos trocaram lembranças e pequenas esperanças. E foi ali, entre pratos simples e vozes misturadas, que se reconheceram na essência.
Folia de Reis não é rito, é crítica e transformação, encontro e reverência, memória viva que caminha. Na Cultura Popular, pelo rito e a tradição, se faz a denuncia das dores do mundo. Não pelo que destrói, mas pela beleza que afirma, pela comunidade que convoca, pela fraternidade que se realiza de maneira concreta.
O grupo se despede.
A rua parecia outra. Como se a noite tivesse ganhado um gesto de respiração mais lento. Os vizinhos demoraram a ir embora, presos a uma vontade muda de prolongar o instante. Na frente da casa, vendo a Folia seguir caminho, seguravam nos olhos a última claridade antes que a vida voltasse a endurecer.
Algo firme sustentou o ar daquela noite. Era uma chama pequena, porém teimosa, acesa no fundo do peito de cada morador. A Folia foi ajeitando o compasso, como quem recolhe o que é sagrado para seguir viagem. E o Mestre deu um último aceno. O palhaço recolheu suas graças. O Embaixador guardou o caderno de versos.
A Bandeira novamente à frente.
E a Folia mais uma vez partia sem dizer qualquer palavra. Caminharam. Primeiro devagar. Passos marcando o chão de terra. Depois a cantoria foi começando novamente, baixinho. Iriam a outra rua, outro lugar, outra casa. Os moradores à frente da casa deixada para trás ouviam aquele canto lento, rouco de noite. E ali, imóveis, observaram o cortejo que se afastava.
A poeira levantada pela procissão fez um véu sobre a estrada. As fitas da Bandeira ainda tremulavam. E som da viola, antes tão perto, virou acorde distante. Por um breve momento pareceu que toda a tristeza do mundo iria dissipar-se com a saída do cortejo. Mas não, algo mais forte permaneceu. Ficou a coragem miúda, dessas que só o povo sabe fabricar quando canta.
A Folia dobrou a última curva. Já não se via o palhaço, nem o passo dos jovens foliões. Só o eco do canto persistia, espalhando-se pela noite como se quisesse costurar cada nova casa, cada vazio, cada medo, cada esperança. Um canto novo anunciava, no seu modo simples, que a dor não terá a última palavra.
Quando enfim desapareceram, ninguém teve coragem de falar. A estrada ficou escura outra vez. Mas a escuridão já não parecia tão pesada. No silêncio, sem precisar explicar, cada morador sentia que enquanto houver quem cante pela dignidade do mundo, a esperança seguirá caminhando, mesmo que por estradas tortuosas e longas.
E ali, naquela curva, onde a Folia se perdeu e a poeira demorou a baixar, quem prestasse bastante atenção ouviria o que ela ainda murmurava, muito baixinho:
“ainda estamos aqui… e ainda não desistimos”.
Os vizinhos voltaram para suas casas.
Houve algo firme naquela noite atravessada pela poeira. Dali alguns dias seria Natal mais uma vez. Não um Natal de promessas fáceis, nem de redenções instantâneas. Seria Natal porque o mundo, apesar de tudo, seguiria insistindo em nascer. Porque alguém varreria o quintal antes do sol alto. Porque outra mesa seria posta, ainda que simples. Porque uma bandeira, em algum ponto da estrada, continuaria sendo erguida como quem se recusa a esquecer.
A Folia já estaria longe. Talvez entrando noutra rua. Talvez enfrentando outra noite. Mas o que havia passado por aquela rua não se desfez com a poeira. Ficou no modo como as pessoas se reconheceram umas nas outras. Ficou na coragem compartilhada, essa matéria invisível que sustenta os dias quando tudo parece escasso e duro.
Natal, então, não era data, era prática. Natal existe enquanto houver quem cante junto, quem abra a porta, quem transforme memória em gesto, fé em abrigo. Enquanto houver esses que fazem, o nascimento seguirá acontecendo. Humilde, discreto, frágil, e, por isso mesmo, irrecusável. Natal é decisão cotidiana de permanecer humano num mundo que frequentemente desumaniza.
Daquele encontro nasceu um pequeno poema que um vizinho escreveu:
Auto breve para um Natal que caminha
Não nasceu em palácio,
nasceu na dobra do chão.
Não trouxe cetro nem coroa,
trouxe o peso da condição.
Três Reis não vieram de ouro,
vieram de estrada e poeira,
um trazia canto,
outro trazia riso,
o terceiro trazia espera.
E o Menino,
sem falar,
ensinou:
que o mundo se salva
não por indiferença,
mas por amor,
não por milagre,
mas por insistência.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres 08 JAN.2026–
Somos mestiços mesmo nos declarando negros. Uma resposta necessária a Muniz Sodré - Paulo Baía -= FB 7 jan
Assino este ensaio como sociólogo que pensa o Brasil a partir de suas fraturas históricas, de suas ambiguidades raciais e de suas promessas não cumpridas. O artigo de Muniz Sodré, “Ninguém aqui é mestiço”, é intelectualmente sofisticado, provocador e coerente com uma tradição crítica que denuncia o uso ideológico da raça como instrumento de dominação. No entanto, justamente por sua força, exige resposta. Não para negá-lo, mas para tensioná-lo. Não para refutá-lo, mas para recolocar o problema no terreno histórico, sociológico e político em que ele se constitui.
Começo por uma concordância fundamental. Raça não existe como dado biológico. É uma ficção histórica mobilizada pelo poder. A crítica de Sodré à naturalização da mestiçagem como mistura de raças é correta. Também é correta sua denúncia do luso-tropicalismo e da romantização freyriana da violência colonial. Darcy Ribeiro, aliás, já havia feito essa crítica com clareza exemplar. Nunca houve cordialidade fundadora. Houve estupro, genocídio, escravidão e dominação. A mestiçagem brasileira nasce do trauma, não da conciliação.
O ponto de divergência surge quando Sodré conclui que, por ser a raça uma ficção, o mestiço também o seria. Aqui, o argumento escorrega. Não porque a mestiçagem seja biológica, mas porque ela é histórica, social, cultural e política. Darcy Ribeiro jamais tratou o mestiço como categoria racial. O mestiço, em sua obra, é uma condição civilizatória. É o resultado de um processo violento de etnogênese. É um sujeito histórico produzido pela destruição de povos originários, pela escravidão africana e pela imposição de um modelo colonial de sociedade.
Negar a existência do mestiço como experiência social concreta equivale a apagar uma das formas centrais pelas quais o racismo opera no Brasil. Aqui, o preconceito não se organiza apenas pela oposição branco versus negro, mas por uma hierarquia cromática sofisticada, sinuosa e móvel. O pardo não é um artifício estatístico vazio. É um lugar social instável, ambíguo, atravessado por exclusões específicas. O IBGE não inventou o pardo. Ele registrou uma autodeclaração que corresponde a vivências reais de milhões de brasileiros.
Quando Sodré afirma que negro é pertencimento político-existencial, ele está correto. Mas isso não elimina o fato de que muitos sujeitos vivem uma experiência racializada que não se reconhece integralmente nem no polo da branquitude, nem no da negritude política organizada. Esses sujeitos existem. Trabalham. Sofrem discriminação. Morrem mais cedo. Recebem menos. São abordados pela polícia. E, ao mesmo tempo, são frequentemente interpelados como não negros o suficiente para falar, para reivindicar, para pertencer.
É nesse ponto que emerge o debate contemporâneo sobre Parditude. Não como identidade racial biológica. Não como substituição da luta negra. Mas como linguagem crítica de uma experiência silenciada. O movimento Parditude, articulado intelectualmente por Beatriz Bueno, não reivindica uma raça parda. Reivindica o direito de nomear uma vivência histórica específica produzida pela lógica colonial brasileira. A Parditude não nega a negritude. Ela revela zonas de fratura dentro da racialização.
Afirmar que ninguém é mestiço pode soar libertador no plano conceitual. No plano social, porém, pode operar como nova forma de apagamento. O mestiço de Darcy Ribeiro não é uma carapuça literária. É o povo que construiu o Brasil e foi sistematicamente excluído do poder. É o caboclo, o sertanejo, o crioulo, o caipira. É a base material da nação e o alvo permanente do desprezo das elites brancas.
O erro histórico das classes dominantes brasileiras não foi reconhecer a mestiçagem, mas instrumentalizá-la para negar o racismo. O erro político contemporâneo seria jogar fora o conceito de mestiçagem junto com sua manipulação ideológica. O desafio é outro. É disputar o sentido da mestiçagem. Retirá-la do mito e recolocá-la no conflito.
Somos mestiços mesmo nos declarando negros porque a negritude no Brasil não elimina a história da mistura forçada, da violência sexual colonial e da diluição identitária imposta. Declarar-se negro é um ato político necessário. Mas isso não apaga a memória social da mestiçagem nem as marcas específicas que ela imprime nos corpos, nos territórios e nas trajetórias.
O Brasil não é uma sociedade binária. É uma sociedade de gradações, de zonas cinzentas e de classificações móveis. O racismo brasileiro opera por ambiguidade. Por isso mesmo, exige categorias analíticas capazes de dar conta dessa complexidade. A Parditude, nesse sentido, não é um retrocesso. É sintoma. É resposta. É tentativa de elaboração coletiva de uma ferida histórica que nunca foi tratada com honestidade.
Darcy Ribeiro apostava no povo mestiço como potência civilizatória. Não por ingenuidade, mas por rigor sociológico. O problema do Brasil nunca foi o povo. Foi a elite que se recusou a reconhecê-lo como sujeito histórico. Muniz Sodré tem razão ao denunciar a farsa da raça. Mas é preciso cuidado para não transformar essa crítica em nova abstração que desconsidera experiências concretas de subalternização.
O que está em jogo não é afirmar uma identidade parda como essência. É reconhecer que a luta antirracista no Brasil precisa lidar com a especificidade de um país formado pela mistura violenta, pela negação da origem e pela hierarquização da cor. Ignorar isso é importar modelos analíticos que não dão conta da nossa formação social.
Somos mestiços mesmo nos declarando negros porque a mestiçagem não é escolha individual. É herança histórica. É estrutura. É marca social. E, enquanto ela continuar organizando desigualdades, silenciamentos e exclusões, continuará exigindo nome, análise e disputa política. Não para dividir, mas para compreender. Não para enfraquecer a luta negra, mas para torná-la mais complexa, mais honesta e mais enraizada na realidade brasileira.
Assumo, portanto, esta resposta como parte de um debate necessário. O Brasil não será explicado nem transformado pela negação de suas contradições, mas pela coragem de enfrentá-las com rigor intelectual e compromisso político.
- Sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ
EDITORIAL -CULTURAL FM Torres 06 JAN.2026–
Discurso do Emb. Sergio Danese, representante do Brasil, no Conselho de Segurança da ONU – 5 jan 26
Senhor Presidente,
O Brasil agradece à Presidência somali pela convocação desta sessão de emergência do Conselho de Segurança.
O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
A Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela própria.
A aceitação de ações dessa natureza conduziria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais.
Os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais já são evidentes: o número recorde, desde a Segunda Guerra Mundial, de 61 conflitos armados ativos; a cifra sem precedentes de 117 milhões de pessoas em situação de catástrofe humanitária em todo o mundo, refletindo o aumento de guerras, deslocamentos e crimes contra a humanidade, como o genocídio em Gaza; e o incremento global dos gastos militares, que se aproxima da marca histórica de 2,7 trilhões de dólares.
Tal como o Brasil tem sustentado reiteradamente, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos, econômicos ou de qualquer outra natureza. Não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo.
Um mundo multipolar do século XXI, que deve promover a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência.
Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de outorgar aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo as decisões que os mais fracos devem tomar.
A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível.
O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, que respeita o direito internacional e o princípio da não intervenção.
As intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas e duradouras. Ao contrário da liberdade e da democracia, essas intervenções produziram regimes autoritários, graves violações dos direitos humanos, deixando como saldo lamentável milhares de mortos, presos políticos, torturados e pessoas desaparecidas, cujos familiares ainda hoje buscam seus entes queridos, além de justiça e reparação.
Pela primeira vez na América do Sul, ocorreu um fato profundamente alarmante: uma agressão armada externa, com o deslocamento de tropas e bombardeios em um país vizinho direto do Brasil, com o qual compartilhamos mais de dois mil quilômetros de fronteira.
Senhor Presidente,
A América do Sul é uma zona de paz, insisto.
Temos sustentado e continuaremos a sustentar com toda determinação a paz e a não intervenção em nosso entorno.
Além disso, o Brasil não acredita que a solução da situação na Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas sim por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, no marco de sua constituição.
Os eventos de 3 de janeiro transcendem o âmbito regional. O atentado contra a soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afeta toda a comunidade internacional.
Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e apego ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei.
O Brasil confia que o futuro da Venezuela deve ser construído pelo povo venezuelano, por meio do diálogo, sem ingerências externas e no marco do direito internacional.
Muito obrigado!
EDITORIAL - CULTURAL FM Torres –02 JAN. 2026
A economia política do atraso brasileiro
Henrique Morrone - Prof. Associado da UFRGS
Livro de Carlos Paiva é uma das análises mais consistentes e
incômodas sobre o Brasil recente
O livro A Economia Política do Atraso: A Fragmentação do
Estado, o Plano Real e a Industrialização Brasileira, lançado em
2025 por Carlos Paiva, é uma das análises mais consistentes e
incômodas sobre o Brasil recente. Trata-se de uma obra de
economia política no sentido forte do termo: aquela que não
separa números de poder, política econômica de interesses e
resultados macroeconômicos de estruturas institucionais.
Paiva, economista e doutor pela Unicamp, mobiliza história
econômica, teoria econômica e ciência política para dissecar o
que chama — sem rodeios — de atraso brasileiro. O livro
percorre tanto os grandes agregados macroeconômicos quanto
aspectos mais estruturais e institucionais, algo ainda raro no
debate econômico nacional. E faz isso em linguagem clara, bem
escrita, sem o pedantismo que costuma afastar o leitor não
especializado.
A obra está organizada em duas grandes partes e onze
capítulos, mas o cerne do argumento já está anunciado no
subtítulo: a fragmentação do Estado, o Plano Real e a
desindustrialização brasileira. Paiva parte de uma constatação
simples, mas decisiva. Entre 1930 e 1980, o Brasil cresceu
rapidamente, impulsionado pela indústria. A partir dos anos
1980, o crescimento desaba — e a indústria passa de motor a
freio do desenvolvimento.
A pergunta central é óbvia: o que mudou?
Para o autor, uma parte crucial da resposta está na perda de
capacidade do Estado — especialmente do Poder Executivo —
de coordenar políticas de desenvolvimento. A crise da dívida
externa e a redemocratização ampliaram direitos e
fortaleceram instituições, mas também fragmentaram o poder
decisório. Legislativo e Judiciário ganharam protagonismo,
enquanto o Executivo perdeu margem de manobra para conduzir
políticas fiscais, monetárias e industriais de longo prazo.
Os governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso
aparecem como momentos decisivos nesse processo. O amplo
programa de privatizações e a redefinição do papel do Estado
reduziram ainda mais os instrumentos disponíveis para uma
estratégia de desenvolvimento. O Plano Real, reconhecidamente
bem-sucedido no combate à inflação crônica, é tratado por
Paiva com mais ambivalência. O controle inflacionário veio
acompanhado de uma âncora cambial baseada em juros
elevados e entrada de capitais financeiros, o que manteve o real
valorizado.
Na prática, explica o autor, o câmbio apreciado barateia
importações e ajuda a conter a inflação dos bens
comercializáveis. O problema é que ele pouco afeta a inflação
dos serviços e dos preços administrados — justamente onde se
concentra boa parte da dinâmica inflacionária brasileira.
Mesmo após a adoção do regime de metas de inflação, em
1999, o mecanismo central permaneceu o mesmo: juros altos
para atrair capital, apreciar o câmbio e conter preços.
O custo dessa estratégia foi elevado. A indústria, que depende
da construção deliberada de vantagens competitivas, perdeu
espaço. Já setores com vantagens comparativas naturais, como
o agronegócio, sofreram menos. O resultado foi um processo
persistente de desindustrialização, baixo crescimento e uma
economia cada vez mais dependente de commodities e
finanças.
Paiva argumenta que o sucesso inicial do Plano Real esteve
fortemente condicionado ao ambiente internacional favorável,
marcado por alta liquidez. A herança deixada, no entanto, foi
perversa: crescimento medíocre, estrutura produtiva fragilizada
e inflação que, apesar de controlada, segue elevada e
frequentemente acima das metas oficiais.
A saída, segundo o autor, passa necessariamente por uma
política de depreciação cambial que recoloque a indústria no
centro da estratégia de desenvolvimento. Isso exigiria juros
mais baixos — e, inevitavelmente, alguma pressão inflacionária
sobre os bens comercializáveis. Para Paiva, esse efeito poderia
ser compensado por políticas mais eficazes sobre preços
administrados e serviços, um tema que, segundo ele, recebe
atenção insuficiente no debate econômico brasileiro.
O livro não é isento de controvérsias. Paiva tende a minimizar o
papel de comportamentos empresariais oportunistas ou
excessivamente avessos ao risco em ambientes institucionais
que favorecem ganhos financeiros de curto prazo. Além disso, a
obra poderia dialogar mais diretamente com a dinâmica da taxa
de lucro e com a relação entre investimento e crescimento
econômico. Ainda assim, essas limitações não comprometem a
força do diagnóstico.
A Economia Política do Atraso é um livro incômodo porque
desloca o debate. Em vez de culpar indivíduos, governos
específicos ou supostas falhas morais, Paiva aponta para
estruturas, preços macroeconômicos e instituições. Em
economia política, raramente há um único culpado. Como diria
Agatha Christie, todos os suspeitos participaram do crime —
ainda que alguns tenham tido papel mais decisivo do que
outros. (Publicado por Sul 21)
LINK PARA EMBUTIR => https://sul21.com.br/opiniao/2025/12/a-
economia-politica-do-atraso-brasileiro-por-henrique-morrone/
EDITORIAL - CULTURAL FM Torres –30 DEZ.2025
www.culturalfm.com
Julio Benchimol Pinto FBook 29 dezembro
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4 l ·
Jornalismo investigativo não é tribunal. Mas também não é
fofoca com crachá.
Dá pra publicar antes da prova final? Dá. Dá pra publicar sem
prova nenhuma? Não.
O que pode: noticiar que há uma denúncia, dizer quem acusa,
explicar o que se sabe e o que ainda não se sabe, deixar claro
que não há comprovação, abrir investigação jornalística sem
fechar sentença. Isso é jornalismo.
O que não pode: tratar suspeita como fato, usar fonte em off
como se fosse prova, escrever como se o crime já estivesse
dado, empurrar o ônus da prova para o acusado, construir
manchete que já condena. Isso não é jornalismo. É linchamento
narrativo.
A Escola Base não foi um erro porque se publicou cedo. Foi um
erro porque se publicou como verdade aquilo que não estava
provado. A manchete matou reputações antes que qualquer fato
existisse. E quando a verdade apareceu, já era tarde.
O Watergate foi o oposto. As reportagens vieram antes da
Justiça, sim. Mas cada passo vinha sustentado por fatos
verificáveis, documentos, checagem cruzada. A imprensa não
condenou: investigou. A Justiça confirmou depois.
A diferença é simples e brutal: no mau jornalismo, a narrativa
antecede os fatos; no bom jornalismo, os fatos conduzem a
narrativa.
Manchete pode vir antes da sentença. O que não pode é a
sentença vir na manchete.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Beta Bastos
@roberta_bastoss
Resumo detalhado da coluna de Malu Gaspar (O Globo)
No novo texto, Malu Gaspar revê a narrativa construída em
colunas anteriores sobre o caso envolvendo o Banco Master e a
atuação do Banco Central do Brasil.
Diferentemente do que havia sido sugerido antes, a jornalista
afirma agora que Alexandre de Moraes não exerceu “pressão”
sobre o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Esse ponto representa um recuo relevante, porque em colunas
anteriores ela havia relatado a existência de telefonemas e
descrito esses contatos como indícios de pressão indevida do
ministro do STF sobre o comando do Banco Central.
No novo texto, porém, essa versão é abandonada. Moraes passa
a ser descrito como alguém que defendeu a apuração dos fatos,
e não como agente de interferência.
Ao reconhecer que não houve pressão, a coluna esvazia a
acusação mais grave que havia sido lançada anteriormente, a
de que um ministro do STF teria atuado informalmente para
influenciar decisões do BC.
Não há, no novo texto, confirmação de ordens, ameaças,
cobranças ou qualquer ato concreto que caracterize abuso de
autoridade.
Com a queda dessa tese central, o foco do artigo se desloca
para o ministro Dias Toffoli.
Malu Gaspar afirma que Toffoli estaria “seguindo à risca o script
da defesa” do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco
Master.
Essa crítica, no entanto, é apresentada como interpretação
política do comportamento do ministro, sem a apresentação de
provas documentais ou indícios objetivos de irregularidade.
A coluna também menciona bastidores do Banco Central,
incluindo a situação de um diretor indicado por Roberto Campos
Neto, que poderia deixar o BC para atuar em grandes bancos
privados.
Essa informação aparece como contexto de ambiente
institucional, mas não é acompanhada de demonstração de
nexo causal entre decisões administrativas e interesses
privados.
Em síntese, o novo texto confirma que:
a acusação de “pressão” atribuída a Alexandre de Moraes não
se sustenta;
a referência anterior a telefonemas não resultou em
comprovação de interferência;
o debate passa a se apoiar mais em leituras políticas e
bastidores do que em fatos comprovados;
acusações graves contra autoridades exigem provas robustas,
não apenas inferências.
O resultado é um recuo factual importante, ainda que sem
autocrítica explícita sobre o impacto da narrativa anterior.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –26 DEZ.20-25
“O Brasil no espelho”: Quais lições podemos tirar da pesquisa
Quest? – Por Rodrigo Perez-
https://revistaforum.com.br/opiniao/o-brasil-no-espelho-quais-
licoes-podemos-tirar-da-pesquisa-quest-por-rodrigo-perez-
193555/#google_vignette
Acaba de ser publicado pela Globo Livros a obra “O Brasil no
espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros”,
assinada pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quest,
uma das mais prestigiadas empresas especializadas em
pesquisas de ...
Por: Rodrigo Perez OliveiraPublicado: 03/12/2025 - às
Acaba de ser publicado pela Globo Livros a obra “O Brasil no
espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros”,
assinada pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quest,
uma das mais prestigiadas empresas especializadas em
pesquisas de opinião pública que temos no Brasil. O livro
apresenta os dados de um ambicioso trabalho de investigação
sobre os valores da sociedade brasileira. Os dados são muitos e
complexos, e incontornáveis para intelectuais e lideranças
políticas que tenham o interesse em entender o país fora da
histeria ideológica que na última década pautou o debate
político entre nós, à esquerda e à direita.
O livro divide o Brasil em nove identidades políticas:
conservadores cristãos (27%), dependentes do Estado (23%),
agro (13%), progressistas (11%), militantes de esquerda (7%),
empresários (6%), liberais sociais (5%), empreendedores
individuais (5%), extrema-direita (3%). Cada uma delas
apresenta opiniões divergentes sobre os principais temas de
interesse nacional, como economia, assistência social,
segurança pública, democracia, ditadura, costumes etc. Essas
“bolhas” (termo usado pelo próprio Felipe Nunes) possuem
considerável grau de “calcificação”, ou seja, as possibilidades
de trânsito entre elas são restritas, o que sugere o
estreitamento da retórica, entendida como técnica de
convencimento através da palavra. Todos estão tão confortáveis
nas suas bolhas que têm pouco interesse em ouvir opiniões
diferentes.
É certo que toda classificação demanda critérios que não são
imunes às premissas ideológicas e que sempre podem ser
questionados, discutidos e criticados. Por ora, desejo me
concentrar em um aspecto específico da pesquisa, justamente
aquele que me parece ser o mais importante e urgente para a
esquerda. O cruzamento das informações nos permite pensar o
“brasileiro médio” como um tipo ideal, no sentido em que Max
Weber utilizava a categoria: um modelo abstrato que não
necessariamente existe na realidade neste formato, mas nos
ajuda a compreender o fenômeno analisado. Dito isso, sim, o
“brasileiro médio” é conservador nos costumes, o que não quer
dizer que seja “fascista”, ofensa usada e abusada pela esquerda
nos últimos anos. A extrema-direita puro sangue contempla
apenas 3% da população, bem menor do que o capital eleitoral
de Jair Bolsonaro nas duas últimas eleições presidenciais. Se é
verdade que toda a extrema-direita vota em Bolsonaro, também
é verdade que nem todo eleitor de Bolsonaro é de extrema-
direita. Já sabíamos, ainda que intuitivamente. É bom ver a
intuição confirmada nos números.
Mas o que significa ser “conservador nos costumes”? A
interpretação dos dados apresentados pela Quest permite
ensaiar uma resposta. “Conservador nos costumes” é aquele
que vê na casa, no espaço doméstico, um lugar que precisa
estar seguro da criminalidade e das ideias consideradas
desestabilizadoras da estrutura familiar. Isso, porém, não
significa, necessariamente, negar direitos fundamentais para as
minorias sexuais, raciais e de gênero. Para o brasileiro médio,
direitos como adoção de crianças, união civil e igualdade no
mercado de trabalho devem ser universalizados. Entretanto,
“ideologia de gênero”, intervenção hormonal em crianças para
fins de transição de gênero, ameaça aos espaços femininos de
intimidade e a ampliação da política de cotas para além do
acesso de pobres e negros aos cursos de graduação nas
universidades públicas são projetos potencialmente rejeitados e
profundamente identificados com a esquerda, o que explica a
deterioração do prestígio desse campo político junto à maioria
da população.
O brasileiro médio deseja viver em um país onde os direitos
fundamentais estejam universalizados, mas não quer se sentir
prejudicado neste processo, não deseja ser um perdedor na
competição social. A lição me parece muito explícita: a
estratégia que deve conduzir a atuação da esquerda precisa
estar focada na universalização de direitos, sem ceder à
tentação de tensionar nos costumes. Na casa, entre quatro
paredes, cada um faz o que quiser. Na praça, no espaço público,
todos precisamos ser contemplados pelos mesmos direitos. É a
velha e boa utopia republicana.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –24-25 JAN.2025
Natal 2025
Amigos, o mundo racional estigmatiza datas como o natal e o final de ano.
Ao mesmo tempo, as explora.
Para alguns, ocasiões como estas servem apenas para aumentar o ganho e o saldo das contas bancárias, no boa-fé dos iludidos.
Eu, porém, com este olhar ingênuo , penso que datas assim, servem para, ao menos, no mundo ocidental cristão, tornar corações e vibrações mais brandas e envolventes.
O ódio dá uma trégua ao amor.
O sol vence as barreiras das nuvens.
Ventanias se tornam brisas reconfortantes.
Homens se aproximam em torno de um mesmo ideal – um mito que seja, manjedoura e salvador.
Se Nietzsche matou Deus, fez resplandecer, no entanto, o homem.
E o homem pouco sabe além da pretensão de ter respostas para tudo.
“O orvalho cai sobre a relva no momento mais silencioso da noite”, são suas palavras.
Talvez a erudição e o pragmatismo, sem sentir nem explicar o fenômeno, queiram nos reduzir a simples rebanhos do acaso.
Para meu bem viver tenho que acreditar em Algo Superior às nossas pobres vidas.
E estas datas se tornam propícias para que nos unamos no mesmo diapasão.
Talvez, neste orvalho Divino, no silêncio dos pensamentos e no pulsar dos corações, encontremos as respostas para o verdadeiro amor.
"Quando morre um homem, morremos todos, pois somos parte da humanidade" – poema escrito por um pastor, serviu de base a Hemingway, que escreveu seu clássico, “Por quem os Sinos Dobram”.
Os sinos dobram por nós, homens - mortais... no bom combate.
Raul Seixas sabendo disso fez recordar que ninguém vence uma guerra sozinho.
Somos todos irmãos.
Que nossas boas vibrações nos envolvam em ternura e luz nesta data maior da cristandade!
Mesmo que nos consideremos, às vezes, ateus, agnósticos, hereges ou laicos, não poderemos negar o valor de uma visita ao amigo enfermo, o sorriso da criança ao receber o inesperado presente e o calor de singular gesto.
Gentileza, afeto, ternura, um reconfortante abraço, não tem preço e renovam esperanças.
Por oportuno, um fraterno e carinhoso abraço - estimados amigos.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –23 DEZ. 2025
www.culturalfm.com
Um pouco da história do Papai Noel -
https://afolhatorres.com.br/um-pouco-da-historia-do-papai-noel/
Dia 25 de dezembro é dia de Natal, celebração do
nascimento de Jesus Cristo, tempo de renovação e
esperança. E em meio a toda esta emblemática
história, surge um personagem cuja personalidade foi
inspirada em São Nicolau, que depois virou um
velhinho gorducho e em roupas vermelhas, cuja
popularidade foi impulsionada pela Coca-Cola
FOTO - Nos anos 1930, Papai Noel se torna o velhinho-
propaganda da Coca-Cola; No destaque (à esq),
ilustração mostra como teria sido São Nicolau no
século 4 (imagens via portaldaterceiraidade.org)
Dia 25 de dezembro é dia de Natal, celebração do
nascimento de Jesus Cristo, tempo de renovação e
esperança. Ainda por cima é uma data próxima ao ano
novo, recheada de expectativas, e as pessoas tornam-
se contagiosamente mais afetuosas umas com as
outras, multiplicam-se desejos de paz, saúde,
felicidade e amor.
E em meio a toda esta emblemática história, surge um
velhinho gorducho e em roupas vermelhas, fumante,
tomando Coca-Cola e incitando o desejo de consumir
no coração das pessoas.
A difusão do cristianismo e do Natal
O Natal é uma data em que comemoramos o
nascimento de Jesus Cristo. Foi no século IV que o 25
de dezembro foi estabelecido como data oficial de
comemoração. Começou com o imperador Constantino
que acabou, entrando na história como primeiro
imperador romano a professar o cristianismo, na
sequência de uma vitória militar decorrente da
inspiração divina de Jesus Cristo. Segundo a tradição,
na noite anterior à batalha, ele sonhou com uma cruz,
e nela estava escrito em latim: In hoc signo vinces”—
“Sob este símbolo vencerás”.
De manhã, um pouco antes da batalha, Constantino
teria mandado que pintassem uma cruz nos escudos
dos soldados e, com a graça de Cristo, conseguiu uma
vitória esmagadora sobre o inimigo. A partir deste fato,
Constantino legalizou e apoiou fortemente a
cristandade, mas também não tornou o ilegal o
paganismo (religião politeísta vigente na época) ou fez
do cristianismo a religião estatal única. O cristianismo
tornar-se-ia religião oficial do império romano em 380
d.C., a partir de decreto do Imperador Teodósio I,
popularizando-se então pela Europa e Ásia. A partir
dai, também ficava oficialmente estabelecido o 25 de
dezembro como data de nascimento de Jesus
Na Roma Antiga (bem como em diferentes locais no
Hemisfério Norte) o 25 de dezembro era a data em que
se comemorava também o início do inverno. Portanto,
acredita-se que haja uma relação estrita deste fato
com a oficialização da comemoração do Natal.
As antigas comemorações de Natal costumavam durar
até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os
três reis Magos chegarem até a cidade de Belém e
entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao
menino Jesus. Atualmente, as pessoas costumam
montar as árvores e outras decorações natalinas no
começo de dezembro e desmontá-las até 12 dias após
o Natal.
Enfim, a verdade é que, passados milênios desde as
primeiras comemorações pagãs primitivas, o
nascimento de Jesus e a difusão do Cristianismo pelo
Império Romano, hoje existe um outro personagem que
é mais popular que muitos mitos e lendas religiosos no
Natal. Ele surgiu também a partir da religião católica,
mas se propagou como um dos mitos mais adorados
do mundo por meio da publicidade de um refrigerante
Trata-se dele mesmo, o bom velhinho: Papai Noel
Caricatura de Thomas Nast
que popularizou o Papai Noel gordo, em vermelho e
fumante
São Nicolau: a inspiração
A lenda do Papai Noel pode ter se baseado a partir de
contos diversos pelo mundo, sobre a figura histórica
de São Nicolau. Uma história quase idêntica é
atribuída, no folclore grego e bizantino, a Basílio de
Cesareia (fato pelo qual gregos e cristão ortodoxos
costumam celebrar a traça de presentes no dia 1º de
janeiro, dia de São Basílio).
Mas pelo que foi popularmente difundido até os dias de
hoje, o personagem foi inspirado em São Nicolau
Taumaturgo, arcebispo de Mira (na Turquia), que viveu
durante o século IV. Nicolau costumava ajudar,
anonimamente, quem estivesse em dificuldades
financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro na
chaminé das casas dos necessitados. Também era
muito bondoso com as crianças carentes, e costumava
distribuir presentes no final de ano para aquelas que
se comportassem bem.
Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe
foram atribuídos. De São Nicolau, temos um grande
número de relatos e histórias, mas é difícil distinguir
as autênticas das abundantes lendas que germinaram
sobre este santo muito popular. Sua transformação em
símbolo natalino aconteceu na Alemanha, e daí correu
o mundo inteiro: mitificou-se o Papai Noel, um velhinho
corado de barba branca, trazendo nas costas um saco
cheio de presentes.
O trenó de renas e a chaminé
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do
Papai Noel como conhecemos hoje foi Clemente Clark
Moore, um professor de literatura grega de Nova
Iorque. Ele lançou o poema intitulado “Uma visita de
São Nicolau”, em 1822, escrito para seus seis filhos.
Nesse poema, Moore divulgava a versão de que São
Nicolau viajava num trenó puxado por renas. Moore
descrevia São Nicolau como “um elfo gordo e alegre”.
Ele também ajudou a popularizar outras
características do bom velhinho, como o fato
(português brasileiro) dele entrar pela chaminé.
O caso da chaminé, inclusive, é um dos mais curiosos
na lenda de Papai Noel. Alguns estudiosos defendem
que isso se deve ao fato de que várias pessoas tinham
o costume de limpar as chaminés no Ano Novo para
permitir que a boa sorte entrasse na casa durante o
resto do ano.
Mas, estudando o poema de Moore, várias tradições
foram buscadas por diversas fontes, e a verdadeira
explicação da chaminé teria vindo da Lapônia, na
Finlândia (onde seria a casa do Papai Noel). Os antigos
lapões viviam em pequenas tendas, semelhantes a
iglus, que eram cobertas com pele de rena. A entrada
para essa casa era um buraco no telhado, e daí veio a
idéia do Papai Noel entrando pela chaminé.
Coca Cola e a popularização do Papai Noel
É amplamente divulgado pela internet e por outros
meios que a Coca-Cola seria a responsável por criar o
atual visual do Papai Noel (roupas vermelhas com
detalhes em branco e cinto preto), mas é
historicamente comprovado que o responsável por sua
roupagem vermelha foi o cartunista alemão Thomas
Nast, em 1886 na revista Harper’s Weeklys, em edição
especial de Natal.
Papai Noel até então era representado com roupas de
inverno, porém na cor verde (com detalhes prateados
ou brancos). Em 1931, a Coca-Cola realizou uma
grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ao
mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e
branca, o que foi bastante conveniente, já que estas
são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a
promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período
em que as vendas da bebida eram baixas, na época),
fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai
Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a
Coca-Cola contribuiu para difundir e padronizar a
imagem atual, mas não é responsável por tê-la criado.
Aproveitando-se do sucesso da imagem do Papai Noel
globo afora a partir dos anos 30, outras marcas
também se utilizaram do bom velhinho para vender
seus produtos – inclusive os cigarros Lucky Strike
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –22 dez.2025
www.culturalfm.com
Adhemar Bahadian- “Mentira”...
“ Mentira foi tudo mentira “ diz o samba canção na voz de tantos
intérpretes brasileiros , de Tito Madi a Maria Bethânia. Canção
de dor de cotovelo dirão alguns. Canção de raiva, de decepção,
de rompimento inescapável.
Não voltei neles. Nunca me enganou o canto de guerra entoado
Brasil afora como se estivéssemos diante de heróis da
honestidade, do civismo e nacionalismo . Como se
estivéssemos diante de enviados de deuses a destruir Sodoma
por seus pecados, seus sacrilégios e seu assalto aos cofres
públicos.
Talvez estejamos diante de um dos piores Congressos dos
últimos setenta anos. Digo setenta anos por limitar minha
análise aos meus oitenta e cinco de vida até hoje. Acho que
acordei para o papel do Congresso por volta dos meus treze
anos, quando comecei a acompanhar pelo rádio a campanha
contra o Segundo Governo Vargas.
“ Mar de lama” vociferava a oposição.” Lacaios dos Estados
Unidos” respondiam os apoiadores de Getúlio. No fundo, um
debate não inteiramente desfocado da realidade atual em que
as opções do desenvolvimento brasileiro parecem ainda
fortemente maniqueístas.
Mas, se há uma discrepância óbvia com os dias atuais é o baixo
nível de nossos debates parlamentares ,hoje pobres , intelectual
e politicamente. Há uma incapacidade de se discutir o quer que
seja sem que os adjetivos superem os poucos argumentos
técnicos ou objetivos capazes de conduzir a uma lei sequer que
não seja vetada por inconstitucionalidade ou por puro
partidarismo oportunista.
Tenho plena noção da diferença abissal entre “ oportunista” e “
ideológico. Como também sei identificar numa argumentação
ideológica seu lastro indecoroso de oportunismo. E hoje aqui no
Brasil há duas expressões políticas clássicas que sofreram
degradação semântica maliciosa.
A “ Direita” clássica ou o conservadorismo político nunca foram
necessariamente apólogos de uma clivagem ideológica entre a
esquerda clássica e a social democracia ,ambas tão
democráticas e tão distantes do ideário marxista quanto a “
Direita “ se distingue do nazifascismo.
A Constituição brasileira é claríssima quando , de um lado
afirma que o Brasil é fundado nos princípios da economia de
mercado quanto, logo a seguir, determina que o Brasil deverá
buscar a justiça social e combater os desníveis decorrentes do
abuso econômico.
A Constituição brasileira é transparente. O Brasil é um país de
regime democrático que repele os extremismos de Direita e de
Esquerda.
Não ignoro que desde os anos 60 do século passado, o
capitalismo americano por razões que são de todos conhecidas
, passaram por reformas ditas neoliberais que em muito
romperam naquele país as redes de proteção ao consumidor em
benefício da megaempresa. Muitos no Brasil, mesmo diante das
óbvias injustiças sociais hoje visíveis naquele grande país,
advogam políticas e estratégias que tendem a romper o
equilíbrio democrático no Brasil. Políticas que muitas vezes
rompem igualmente o equilíbrio angular da Constituição
brasileira.
Não ignoro que a Constituição brasileira possa ser modificada,
com exclusão de cláusulas pétreas. E uma de suas cláusulas
pétreas é o regime democrático.
Muito dos impasses que estamos a sofrer é exatamente
decorrente da incapacidade de o Congresso brasileiro levar a
bom termo uma deliberação tão consensual quanto possível que
possa acelerar o desenvolvimento socialmente sustentável sem
quebrar a harmonia entre os três poderes , Executivo,
Legislativo e Judiciário e a ordem constitucional.
Há quem pretenda, no Congresso e fora dele, transpor para o
Brasil a atual lambança que estamos a ver na gestão Trump,
sequer exitosa em seu próprio país. Muito do debate no
Congresso Nacional parece um simpósio de ideias sem respaldo
sólido embora ancorado em pseudo-verdades transmitidas por
lideranças carismáticas e intelectualmente despreparadas.
Não menciono ,por óbvio ,que, além das razões acima, existem
as razões digamos pedestres, como as emendas parlamentares,
mão de gato que acaba de adentrar a lareira policial.
A crescente separação entre o povo e o Congresso só será
sanada com eleições gerais para a Câmara dos Deputados e
parcial para o Senado Federal.
A imprensa, as entidades cívicas e políticas muito ajudariam se
promovessem um questionário padrão a ser respondido por
todos os candidatos sobre suas visões sobre os temas
nacionais e internacionais de relevância para o Brasil. A
comparação entre o dito e o efetivamente votado ,pelo eventual
candidato a reeleição, em muito poderia sanear a pobreza
intelectual e cultural do Congresso a partir da próxima
legislatura.
O eleitor é o dono do seu futuro. Exclusivamente ele pode mudar
o Brasil.
E pare de cantar que cansou de ilusões. Só se deixa enganar
quem quer. Quem transfere seu destino para outrem.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –19 DEZ.2025
www.culturalfm.com
Você existe mesmo?
Por EUGÊNIO BUCCI* - 16/12/2025
Ainda existe o leitor hegeliano, aquele que inicia o dia com o jornal
como uma “oração matinal” racional, em contraste com a audiência
atual, fugaz e emocional, ou com os algoritmos que agora consomem
notícias?
1.
Improvável leitora, improvável leitor. Tento imaginar seus olhos
percorrendo estas maldigitadas linhas. Visualizo suas pupilas indo e
vindo, despertas, acesas. A cena me comove. É de manhã. Nas suas
mãos, um jornal de papel se abre sobre a mesa. O cheiro de café
aquece o seu entorno. Torço para que você não desista do meu artigo
já neste primeiro parágrafo, mas me falta convicção. Por motivos que
vou explicar, você é um ente que some na bruma da história. Em
tempo: você ainda está aí?
Sob o risco de pedantismo, lembro uma passagem de Hegel que tem
sido citada amiúde. Em um dado momento entre 1803 e 1805, o
pensador da dialética anotou que a leitura do jornal seria uma
“oração matinal realista”, ou, em outra versão, a “oração matinal do
homem moderno”. Penso nisso quando penso em você.
Hegel sempre teve parte com a razão. Nessa nota em especial, tinha
razão de sobra. Há dois séculos, o noticiário e os artigos de fundo
davam o contexto em que se movia o cidadão da modernidade, esse
amuleto da utopia liberal. Acima da palavra de Deus, o cidadão
descrito por Hegel valorizava os fatos e os argumentos. Com base nas
informações do dia, calibrava sua postura diante dos dilemas da
política e dos impasses do mercado. Lendo as folhas impressas, ele
se localizava.
Hoje, quando um motoqueiro empurra o exemplar de um diário para
dentro da sua caixa de correio, alguma coisa do século XIX acontece
no seu portão. A simples existência de alguém que toma pé dos
acontecimentos antes de pôr o pé para fora de casa faz perdurar
entre nós um resto do Iluminismo. Um resíduo mínimo: esse alguém
se tornou uma raridade. Nos nossos dias, uma pessoa com esse perfil,
mais do que improvável, é uma relíquia de um realismo cívico
pretérito, quase uma peça de museu.
Os meios impressos também se tornaram raridade, mas isso não
revoga a fórmula de Hegel. Você, desde que existente, pode muito
bem ver as notícias numa tela de celular e, ainda assim, encarnar o
“homem moderno” ou a “mulher moderna”. A única diferença é que,
se você for mesmo um leitor ou uma leitora digital, a probabilidade de
seus olhos terem me seguido até aqui se reduz impiedosamente.
Na internet, o leitorado escapole na primeira vírgula. Um raciocínio
mais longo, num arco de abstração estendido, como este meu aqui,
espanta a freguesia. Jamais será trending topic. Na ciberesfera, a
pressa aumenta e paciência diminui. Falando nisso, cadê você?
2.
Nenhum jornal do presente esconde a saudade dos leitores idos. A
audiência debanda, e em ritmo acelerado. O discurso jornalístico,
essa língua exótica falada pela imprensa, carece de olhos. O público
invocado pelas manchetes não está mais aqui. Nem aí.
Se você olhar para a primeira página do seu jornal – ou para
a home na tela do computador, tanto faz – vai notar que tudo ali
parece gritar à procura de alguém em estado de inabalável prontidão
cidadã: alguém que não se cansa de fiscalizar o poder, de protestar a
todo fôlego e de exigir que consertem as instituições.
Sim, trata-se de um tipo ideal: o leitor assim sonhado preza a
democracia, tem cultura considerável e desprendimento de espírito.
Se as evidências desmentem suas presunções, ele muda o ponto de
vista e evolui, sem dramas.
Esse tipo ideal não deve ser entendido como uma pessoa, não é bem
isso. Ele é, antes, uma das dimensões que habitam o interior de cada
pessoa. Explicando melhor: o ser leitor é uma dimensão ao lado de
outras dimensões dentro da mesma subjetividade, como a dimensão
do torcedor de um time, a do ser místico (umbandista, católico,
budista etc.), a do ser profissional, a do cônjuge ou do celibatário. O
ser leitor-de-jornal é uma dimensão a mais. Nosso trauma é que ela
entrou em declínio – dentro de você, inclusive.
Você cobra notícias isentas. Disso já sabemos. Mas você sabe ler as
notícias com isenção? Você lê com a curiosidade de quem quer
aprender? Ou você lê, quando lê, com o único propósito de patrulhar a
opinião alheia? Você posta emojis de caretinhas ferozes em links de
textos jornalísticos?
A sua relação com o noticiário é pensante ou é pautada pelas
mesmas emoções que você experimenta numa celebração mística,
num estádio de futebol ou no cinema? Ao ler o jornal, você é um
cidadão hegeliano ou um devorador de sensações?
O discurso dos jornais se dirige a um adulto livre, racional e
responsável: o titular do direito à informação. Há dois séculos, esse
adulto moderno foi consagrado cidadão e deflagrou a ascensão da
imprensa. Agora, o sumiço do mesmo cidadão, diluído no
entretenimento e no fanatismo, faz eclodir a crise da imprensa. Por
isso pergunto: você existe? Ou será que escrevo aqui para uma
ficção? Ou para ninguém?
PS: Sabemos que os jornais passaram a ser lidos por dispositivos de
Inteligência artificial a serviço dos algoritmos. Se você for uma
simples máquina, desconsidere, por favor, os parágrafos acima. Não
são para você. Da sua existência eu não duvido nem um pouco. Você
não apenas existe – você se expande. Eu estava pensando em gente
de carne e osso, gente que evanesce. Eu tinha na cabeça uma
quimera.
*Eugênio Bucci é professor titular na Escola de Comunicações e Artes
da USP. Autor, entre outros livros, de Incerteza, um ensaio: como
pensamos a ideia que nos desorienta (e oriente o mundo digital)
(Autêntica). [https://amzn.to/3SytDKl]
Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –18 dez25
www.culturalfm.com
Com disputa entre Poderes, Brasil vive baderna
institucional. Por Christian Lynch
Folha de S. Paulo - https://gilvanmelo.blogspot.com/2025/12/com-disputa-entre-
poderes-brasil-
vive.html?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAYnJpZBExTms0QXpQeHhTbHZRWFpDanNydGMGYXBw
X2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR6p28iScIdLu8qYpd0J5wxKCFmlM37XiYgmldx6sHKvx4udRO
6qNrEE3K999g_aem_Q7BjcRJtNmlrY53oMI663A
Colapso do presidencialismo de coalizão implodiu modelo de
governabilidade e abriu caminho para Executivo fraco
Centrão se apropriou do Orçamento federal e busca, em afronta
ao STF, absoluta impunidade de seus membros
[RESUMO] Em análise da conjuntura política do país, autor
argumenta que reconstruir um modelo de governabilidade
estável se tornou inviável, já que cada Poder busca reafirmar a
sua supremacia sem um pacto mínimo de convivência.
Enquanto o Executivo busca recuperar seu poder de agenda,
o STF resiste a perder espaço, a extrema direita bolsonarista
tenta voltar à Presidência e o centrão se empenha em
consolidar sua hegemonia no Congresso.
O artigo 2º da Constituição afirma que os Poderes da República
são "independentes e harmônicos entre si". Trata-se de uma
quimera: se são independentes, não são automaticamente
harmônicos e, se pretendem sê-lo, precisarão moderar essa
independência.
A harmonia institucional não decorre do texto constitucional,
mas de modelos de governabilidade criados a partir de sua
interpretação —modelos capazes de coordenar expectativas,
prerrogativas e ambições de cada Poder, criando previsibilidade
em suas relações. Quando esses modelos existem, o regime
constitucional respira; quando se desfazem, o país entra em
espiral de instabilidade.
Ao longo de dois séculos, tais modelos variaram conforme
conjunturas e correlações de força. O chamado modelo
regressista ou saquarema, criado por Bernardo Pereira de
Vasconcelos, estabilizou, nos anos 1840, um sistema
parlamentar em que o Executivo imperial impunha direção ao
nascente Estado nacional. A política dos governadores,
inaugurada por Campos Sales em 1900, traduziu-se em um
arranjo que garantiu ao Executivo republicano a
governabilidade coordenando as oligarquias estaduais.
Já no período pós-1988, o presidencialismo de
coalizão organizado por Fernando Henrique Cardoso ofereceu, a
partir de 1994, uma estrutura relativamente estável de trocas
institucionais e permitiu previsibilidade à condução política.
Nenhum desses arranjos era idílico, mas todos domesticaram o
conflito e contiveram a instabilidade.
Há dez anos, contudo, o Brasil vive sem modelo eficiente de
governabilidade. O que funcionara desde os anos 1990 —o
presidencialismo de coalizão com dominância do Executivo—
entrou em colapso. Assistimos a Poderes que se digladiam, se
sabotam e tentam se anular mutuamente, em um ambiente em
que a possibilidade de golpe, alto ou baixo, reaparece sempre
que um deles se percebe acuado.
A República funciona como uma permanente guerra de
trincheiras, sem regras estáveis, arbitragem reconhecida ou
horizonte de acomodação. Nenhum ator reconhece limites
estáveis ao exercício de sua autoridade.
A instabilidade crônica explodiu com a Lava Jato, que inaugurou
aquilo que chamei de revolução judiciarista: uma investida de
inspiração neoconstitucionalista que atribuiu ao Judiciário um
protagonismo sem precedentes, convertendo-o de árbitro em
ator político central. O próprio modelo de governabilidade, o
presidencialismo de coalizão, passou a ser combatido como
intrinsecamente corrupto.
Desfeita a lógica que coordenava expectativas e administrava
conflitos, instalou-se a luta institucional: decisões judiciais com
pretensão de dirigir o país, um Ministério Público investido da
missão de purificar a República e um sistema político acuado. O
equilíbrio possível implodiu, e nada foi colocado no lugar.
O Legislativo dominado pelos partidos da direita institucional,
vulgarmente chamados de centrão, reagiu, tentando neutralizar
o Judiciário apoderando-se do Executivo. O impeachment de
Dilma Rousseff deve ser compreendido nesse contexto, não
como mero desdobramento de crise econômica ou dos
protestos de rua, mas como operação de reposicionamento
institucional do Congresso contra a preeminência do STF
(Supremo Tribunal Federal) e da Lava Jato.
Apoiado por Gilmar Mendes, Michel Temer desmontou,
gradualmente, os dispositivos de poder acumulados por
Curitiba. Foi o "termidor" da revolução judiciarista. Não por
acaso, o Tribunal Superior Eleitoral, então presidido por Gilmar,
absolveu Temer e o manteve no poder: por "excesso de provas".
A eleição de Jair Bolsonaro representou um baque inicial nesse
processo. Bolsonaro jamais compreendeu a máquina do Estado
e nunca formulou diagnóstico realista da conjuntura. Seu
populismo reacionário era guiado pela ignorância e pelo
negacionismo, travestidos de senso comum conservador.
Apostou em um bonapartismo retrógrado, que restauraria a
ditadura militar por meio de um cesarismo de WhatsApp.
O fracasso o jogou no colo da classe política que dizia
combater. Ao enterrar a Lava Jato e alugar o governo ao
centrão para sobreviver, entregou-lhe as chaves do Orçamento,
abrindo-lhe caminho para a captura do Executivo.
Simultaneamente, a extrema direita declarou guerra ao STF,
produzindo um ambiente de hostilidade permanente que o
centrão soube instrumentalizar —ora como ameaça, ora como
biombo.
Realizou-se então metade do sonho do centrão: estabelecer, no
Brasil, por uma espécie de parlamentarismo bastardo, a
hegemonia de uma oligarquia congressual autorreprodutível,
financiada pelo Fundo Eleitoral e pelas emendas parlamentares.
Nesse sentido, a eleição de Lula, em regime de governo
minoritário, não foi má para o bloco. O centrão não queria a
autocracia estúpida de Bolsonaro, que ameaçava inclusive seu
espaço; queria um Executivo fraco, dependente, obrigado a
negociar sua sobrevivência cotidiana com um Congresso
hegemonizado por lideranças conservadoras.
A debilidade estrutural do governo, somada à distância
ideológica entre a média do Executivo (social-democrata) e a
média do Parlamento (conservadora), criou o ambiente ideal.
Pôde ocupar metade da Esplanada e entregar apoio apenas
seletivo, jamais estrutural, à agenda presidencial.
Na impossibilidade ou na falta de desejo de assumir regime
parlamentarista, o centrão limita-se a conservar e, quando
possível, ampliar a hegemonia adquirida com a apropriação do
Orçamento, o controle da agenda e a expansão da própria base
parlamentar. Opera como polvo de múltiplos tentáculos,
ajustando simultaneamente sua relação com três polos: a
extrema direita bolsonarista, o STF e o Executivo fragilizado.
Apoia o STF contra o golpismo mais radical —porque o golpismo
ameaça também o Congresso—, mas resiste à anistia ampla dos
golpistas, porque não deseja recolocar Bolsonaro no jogo de
2026. O centrão quer a extrema direita como força útil, não
dirigente. Por isso, deixa ao STF o serviço sujo de punir
deputados golpistas, preservando-se do desgaste perante o
eleitor radicalizado.
É nesse contexto que se compreende o acordo informal entre
governo e STF. Separado do Congresso por distância ideológica
incontornável e destituído dos instrumentos tradicionais de
cooptação, Lula buscou no STF alguma compensação.
O tribunal, por sua vez, deseja punir os golpistas que tentaram
destruí-lo e prevenir que um novo ciclo legislativo,
especialmente no Senado, organize o impeachment de ministros
em 2027. Daí o "judiciarismo de coalizão": recorrer ao tribunal,
sobretudo aos ministros mais novos, como Flávio Dino, para
conter perdas legislativas, preservar parte do poder
orçamentário e impor limites ao apetite predatório do
Congresso. É aliança de circunstância entre dois Poderes em
posição defensiva: o Executivo, fragilizado, e o STF, desafiado.
Mas o centrão reage também a essa aproximação. Seu segundo
grande objetivo —além de preservar a autonomia orçamentária
que garante sua reeleição indefinida— é a absoluta impunidade
de seus membros. Não basta controlar o Orçamento, é preciso
controlar o alcance das decisões judiciais que atinjam
deputados e senadores, golpistas ou corruptos. Para manter
coesão e eminência, os líderes precisam assegurar aos
parlamentares que seus mandatos dependerão exclusivamente
deles. Ou seja, blindagem corporativa.
Quando a Câmara se recusa a cassar o mandato de Carla
Zambelli, afrontando o STF, envia o recado: nenhum freio
judicial será aceito quando tocar nas condições de
autoproteção da oligarquia. A ordem de Alexandre de Moraes ao
presidente da Câmara para cassar a deputada, no dia seguinte,
evidencia o caráter particularmente agressivo da guerra entre
Legislativo e Judiciário.
Em síntese, reconstruir um modelo tornou-se inviável porque
cada Poder disputa supremacia. O Executivo tenta recuperar o
poder de agenda do antigo presidencialismo de coalizão. O STF,
fortalecido desde o mensalão, resiste a perder espaço. A
extrema direita bolsonarista tenta voltar ao poder para destruir
o sistema que a limita. O centrão empenha-se em consolidar
sua hegemonia e neutralizar ou cooptar o Judiciário. Mais: quer
recuperar o Executivo e a administração pública, não mais
pelas mãos disfuncionais e golpistas do clã Bolsonaro, mas por
meio de um candidato seu.
Essa assimetria impede um pacto mínimo de convivência: cada
Poder tenta recuperar, preservar ou expandir seu espaço
institucional.
A hegemonia parlamentar existe, mas não constitui modelo de
governabilidade porque não é reconhecida como legítima pelos
demais atores. Um regime pressupõe aceitação mútua,
previsibilidade e deferência recíproca. Não foi o que vimos nos
últimos dias —ao contrário.
Diante das eleições que se avizinham, o STF, o bolsonarismo e o
governo atacaram o centrão quase simultaneamente e por
motivos distintos. Contra o alijamento da família Bolsonaro de
seus planos eleitorais, a extrema direita lançou a candidatura
presidencial do filho mais velho do ex-presidente, agora
presidiário. O STF também moveu suas peças: diante da
ofensiva para promover impeachment de ministros em
2027, Gilmar Mendes alterou por liminar a interpretação da
lei para blindar todo o tribunal. Já o governo fez o que pôde:
segurou o pagamento de emendas, condicionando-o à
aprovação de sua agenda.
Pressionado por todos os lados, o centrão distribuiu como
prêmios de consolação seus presentes de fim de ano: ao
bolsonarismo, a redução de penas dos envolvidos no golpismo,
mas não a anistia; ao STF, o avanço da nova lei de
impeachment, dificultando a remoção de ministros; ao
Executivo, o andamento do projeto de redução da jornada
laboral de seis para cinco dias e o restabelecimento do texto-
base do projeto antifacção.
Em cada movimento, inclusive na proporção em que cedeu,
porém, o centrão reafirmou sua condição a partir do Congresso
como árbitro da política nacional. Montesquieu pode estar no
inferno, mas não há dúvida sobre quem está no céu —ou quase:
o centrão.
Reconstruir um modelo de governabilidade a partir do texto
constitucional não é tarefa simples. É preciso algum consenso
sobre o destino institucional —consenso distante,
especialmente da extrema direita, empenhada em destruir a
própria Constituição. O mero triunfo de qualquer dos três
Poderes não parece oferecer automaticamente qualquer
resolução duradoura da crise.
Do lado do Executivo, mesmo que Lula recuperasse parte das
prerrogativas executivas do antigo presidencialismo de
coalizão, isso não resolveria o problema: nenhum modelo
anterior de governabilidade atribuía ao STF papel político de
relevo. Embora o judiciarismo tenha sido constante na
República, o tribunal jamais foi protagonista; tampouco atuou
como poder moderador informal —papel, como se sabe,
indevidamente exercido pelas Forças Armadas.
Por outro lado, a aceitação pura e simples da pretensão do STF
como ator central não tem como resolver a situação. Há um
problema de desenho institucional na Constituição, que torna o
tribunal ao mesmo tempo órgão de cúpula do Judiciário e Corte
constitucional. A Corte não pode ser árbitro e parte interessada
ao mesmo tempo.
Para piorar, sua pretensão de supremacia tem sido
aparentemente utilizada por determinados ministros para o
exercício de práticas pouco republicanas, para não dizer
corruptas. Daí que, por receio de punição ou simples arrogância
dos honestos, muitos deles resistam a se submeter a códigos
éticos de conduta e, principalmente, a qualquer possibilidade de
controle externo.
Por fim, a formalização da hegemonia do centrão em sistema
semipresidencial parece inteiramente inviável. O STF deseja a
mudança do sistema, supostamente o bloco também, mas há
resistência intransponível da esquerda hoje no governo,
historicamente presidencialista.
Além disso, há dúvidas sobre a constitucionalidade de mudança
sem plebiscito ou referendo, hipótese em que ela provavelmente
seria novamente repelida, agora pela terceira vez. Na dúvida, a
direita prefere ficar como está: mandando sem responsabilidade
enquanto sonha em eleger seu próprio presidente.
Em um quadro como esse, a tendência sistêmica a longo prazo
seria a estabilização oligárquica: o famoso acordão preconizado
por um notório centrônico da década passada, "com o Supremo,
com tudo". Em outras palavras, blindagem geral.
Mas essa estabilização tampouco garante estabilidade. A
insatisfação crescente com a mais baixa qualidade da
democracia fatalmente alimentará novas candidaturas
antissistema: outro Bolsonaro, um Pablo Marçal, qualquer figura
disposta a capitalizar o ressentimento acumulado. O arranjo
oligárquico evitaria a quebra explícita, mas produziria uma
erosão silenciosa que fragilizaria instituições, preparando
terreno para novas aventuras antidemocráticas.
Avançamos, assim, para 2026. Nesse clima de baderna
institucional e ideológica, chegam à mesa do eleitor os pratos
do banquete eleitoral: o facho-reacionarismo da extrema direita,
sempre pronto a vestir o manto da resistência à "tirania" do STF
e do "comunismo", a democracia social da centro-esquerda,
prometendo governar com poderes que já não possui, e o
conservadorismo oligárquico centrônico, cada vez mais senhor
do jogo.
Bom apetite.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –17 DEZ.2025
O Pampa não pode ficar só na memória - 21/12/2024
Por SÍLVIA MARCUZZO* - O Pampa não pode ficar só na
memória | Rede Estação Democracia - RED
Qual é a paisagem que vem a sua mente quando pensa em Rio
Grande do Sul? Para mim, que nasci no meio do Estado, logo me
lembro das coxilhas, daquele cheirinho de carqueja invadindo
minhas narinas. Daquelas paisagens com diferentes tonalidades
de verde e um horizonte a perder de vista.
Meu recanto sagrado de carregar as baterias por muito tempo
foi no encontro de duas coxilhas, numa matinha ciliar onde uma
pequena queda d’água proporciona uma espécie de altar de
contemplação à natureza. A água nasce a poucos metros de
onde ela cai. Remeto minha memória para esse cenário quando
preciso dar uma equilibrada. Todo mundo que tem experiências
em lugares como esse pode não saber conscientemente do seu
poder simbólico no nosso imaginário.
Essa identificação com o campo é tão forte, que talvez seja isso
que mova tantos gaúchos e seus descendentes a transformarem
ambientes naturais do Cerrado e da Amazônia em campo para
criar gado ou plantar. É uma suspeita. Afinal, boa parte dos
desmatadores tem origem sulista. Também pode ser que seja
essa aura pampeana que faça tanta gente achar que a cultura
do ginete, do tiro de laço, das cavalgadas, entre outras
atividades, seja uma tradição que mereça ser cultivada em
outros pagos. Há muitas possibilidades que merecem ser
pesquisadas para entendermos a nossa relação com esse
ambiente que se traduz de diversas formas na nossa cultura.
No dia 17 de dezembro, comemora-se o Dia Nacional do Pampa.
Pois esse dia foi escolhido por ser a data de nascimento de José
Lutzenberger. O Lutz também comemorava essa data com festa
de aniversário no Rincão Gaia. Lembro que fui algumas vezes
com o inesquecível Augusto Carneiro à celebração. Aquele
espaço era um desbunde no tempo em que o Lutz era vivo.
Tinha uma coleção de espécies de cactos, suculentas e plantas
carnívoras de deixar muito apreciador de jardim botânico de
queixo caído. Ainda hoje é um lugar maravilhoso para se
conhecer.
A área do Rincão fica em Rio Pardo, a 120km da Capital. Lá dá
para sentir o vento, enxergar o horizonte e as coxilhas desse
estimado bioma, que nós, gaúchos, temos o privilégio de
desfrutar com exclusividade no Brasil. Só que, apesar de ser o
cenário de tantas histórias, de costumes e da cultura
perpetuada principalmente em Centros de Tradição Gaúcha
(CTGs), o Pampa vem sendo muito mal tratado.
Nosso querido e tão aclamado bioma, cantado em versos em
tantas músicas e poemas, tem deixado cientistas preocupados.
Como ele é formado por ecossistemas distintos, em um Estado
densamente ocupado por etnias de vários lugares, onde os
descendentes de europeus se acham os descobridores, boa
parte do nosso Pampa foi destruído antes mesmo de ser
estudado. E a cada ano, novas descobertas são realizadas.
No dia 17, o Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre
da UFRGS divulgou um estudo que aponta um dado inédito: em
um metro quadrado de campo nativo em Jaguarão foram
encontradas 64 espécies de plantas. Esse número é algo
impressionante, pois em nenhum outro bioma (no Brasil são
seis: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e
Pampa) se encontrou tamanha diversidade! Antes, já tinham
encontrado 50 espécies diferentes e já era um achado. Tudo
isso denota o quanto ainda precisamos pesquisar, estudar e
valorizar esse ambiente que é o menos protegido do Brasil. Mais
especificamente por porções de terras protegidas chamadas
tecnicamente de Unidades de Conservação (UCs). Não temos
um parque nacional, um parque público aberto à visitação com
um mínimo de infraestrutura para cumprir suas funções de
pesquisa, educação ambiental e entretenimento no Estado.
Creio que a maior parte do pessoal que mora no Pampa não tem
a menor noção do que a situação dele significa. Pior: acha que
pode fazer qualquer coisa, já que “não há desmatamento” e dá
para plantar qualquer coisa, de árvore a braquiária. O correto,
pela Ciência, é se referir à destruição desse tipo de ambiente
como supressão da vegetação campestre.
Perdas para todos, ganhos para quem?
A porção brasileira do Pampa já perdeu 28% da sua vegetação
nativa entre 1985 e 2023, de acordo com os dados mais
recentes da Coleção 4 do MapBiomas Pampa Trinacional. O
trabalho monitora o uso e a cobertura da terra do bioma no
Brasil, Argentina e Uruguai (bem onde se configura a formação
da cultura gaudéria). Foi a maior taxa de perda de
biodiversidade na comparação entre os três países nesse
período. Proporcionalmente ao seu tamanho, o Pampa
brasileiro também foi o que mais perdeu vegetação nativa entre
todos os biomas brasileiros desde 1985. A conversão foi
impulsionada principalmente pela expansão do cultivo de soja e
pelo crescimento da silvicultura, leia-se, cultivo de pinus e
eucalipto, principalmente.
O impacto ambiental da silvicultura é maior justamente nas
regiões com campos nativos: no bioma Pampa e nos Campos de
Altitude, um ecossistema associado à Mata Atlântica. Leia a
reportagem que fiz sobre a flexibilização da legislação. Isso
sem considerar as milhares de viagens de carretas que
transitam com toras de madeira diariamente nas famigeradas
estradas gaúchas.
O crescimento exponencial das áreas de silvicultura
aumentou 1600% em 39 anos, passando de 44 mil hectares em
1985 para 773 mil hectares em 2023. Nos últimos dez anos, a
perda da vegetação nativa do Pampa tem aumentado muito e
deverá continuar ainda mais com a ampliação da produção de
celulose da CMPC.
Há vários fatores que podem estar nos influenciando no
distanciamento dessa riqueza, inclusive de valor intangível, de
tudo que o Pampa representa. Arrisco escrever algumas: muitas
narrativas mentirosas têm sido espalhadas para que o mercado
faça o que bem quiser para exportar matérias-primas produzidas
no Pampa (aliás, nem só nesse bioma, né?); a ausência de
governança e estratégias de desenvolvimento sobre o uso da
água, no manejo do solo etc.; a ideia de que campo é menos
importante que floresta; o aumento do preço pago a culturas de
curto prazo, como a soja, que vai virar algum insumo para
alimentar bichos; a desvalorização da vida no campo etc. Enfim,
há muitas outras hipóteses.
Para ter uma ideia do quanto estamos descuidando do nosso
ambiente, o Rio Grande do Sul, que já foi berço da legislação de
proteção ambiental, onde foi criado o primeiro comitê de bacia
hidrográfica do País, hoje é o estado mais atrasado na
condução do Cadastro Ambiental Rural e dos Programas de
Regularização Ambiental. Será que isso tem a ver com a
vontade política do governo do Estado?
Saiba mais
O Pampa dispõe de 10 sistemas ecológicos (tipos diferentes de
paisagens regionais com variações na vegetação nativa), sendo
nove campestres e um florestal. A Rede de Campos Sulinos tem
feito um trabalho de conscientização sobre a necessidade de
preservação do campo nativo. Clique aqui para conferir um dos
meus primeiros textos aqui na Sler que foi justamente sobre a
Coalizão pelo Pampa, em 2022.
Publicado originalmente em Sler . - *Sílvia Marcuzzo é Jornalista
e artivista.
EDITORIAL – Cultural FM Torres –16 DEZ.2025
QUE VIVA CHILE, M...!
A recente vitória da direita no Chile, se reedita naquele país a
alternância persistente entre E x D, desde a redemocratização,
por outro lado, fecha um ciclo continental de vitórias à direita,
inaugurado por Bolsonaro em 2018, depois de uma rosada
primavera no começo do século. Uma nova linha de
Tordesinhas, em diagonal sobre a América do Sul, separa,
agora, gregos e troianos e os deuses estão perplexos e
divididos diante do acontecido. Já em novembro, Maria
Hermínia Tavares, em artigo na FSP, Professora da USP, que
teve frutífera vivência no Chile quando fez seu Mestrado na
FLACSO, pontualizava o desfecho, destacando duas razões para
a crise da esquerda e um fato sociológica que a ultrapassa mas
envolve:
“A possível vitória de Kast vem sendo interpretada de duas
maneiras. A primeira prevê que ela selará uma virada histórica à
direita na América do Sul, antecipada pela eleição de Bolsonaro
em 2018 e seguida pelas vitórias de Javier Milei, na Argentina,
em 2023, de Daniel Noboa, no Equador, e de Rodrigo Paz, na
Bolívia, ambas em 2025.
(...)
A segunda maneira de ver o êxito do ultradireitista chileno é
como reprise de um padrão de comportamento de um eleitorado
frustrado. Convocado a votar, pune sistematicamente o
incumbente, preferindo quem lhe faz oposição, à direita ou à
esquerda. Dessa forma, se onda existe, não tem cor política; é
contra o governo de turno, seja qual for sua orientação.
(...)
Mas há algo que desde já se pode dizer debulhando as urnas
chilenas: trata-se da importante metamorfose nas forças
políticas em disputa. (...) A mudança diz respeito, de um lado, à
perda de importância eleitoral dos partidos de centro; de outro,
à ascensão, no campo da direita, de líderes e organizações
mais extremados.”
Cumpriu-se a previsão com base nas razões da vitória da direita,
embora a não mais extremada, que optou pelo voto nulo. Mas é
importante ir mais além das grandes narrativas que moldam o
cenário político contemporâneo, a saber a “virada”, a “maldição
do incumbente” e as metamorfoses no interior dois polos em
disputa. Em primeiro lugar, há que se ter em conta que ação
transformadora da direita de Pinochet no Chile, à semelhança
da Indonésia de Suharto, teve um impacto gigantesco, não só
econômico, mas social e cultural naquele país. A era Suharto
na Indonésia, conhecida como a "Nova Ordem" (New Order), foi
um período de governo ditatorial e militarizado, posterior a um
dos mais sangrentos golpes contra a democracia e interesses
nacionais e populares do século XXI, que durou mais de três
décadas, de 1967 a 1998. Modernizou a Indonésia, a qual, aliás
deverá ultrapassar dentro de pouco tempo o Brasil nas dez
maiores economias do mundo.
No Chile, país pequeno e com população reduzida, esse
processo, da mesma natureza mas não tão profundo, também
acentuado. Tendo eu voltado a Santiago, em 1991, depois de 18
anos, não a reconheci. Para dizer a verdade, não consegui
refazer o “caminho de casa”, em Tobalaba...O país não só se
internacionalizou, como internamente, deu um imenso salto á
“modernidade” ao estilo das grandes metrópoles
contemporâneas, com imensos prédios, shopping centers e
diversificado comércio de produtos de luxo. Isso se refletiu no
desenvolvimento de uma nova classe média, mais rica,
complexa, empresarial e cosmopolita. Claro que o
trabalhadores e aposentados pagaram a conta deste processo,
mas ele afetou os segmentos intermediários, antes divididos
numa hesitante Democracia Cristã, levando-os à direita. Daí
outro fator para a derrota da esquerda: uma candidata
“comunista”, strictu sensu, isto é, filiada ao Partido Comunista.
Uruguai e Brasil têm optado por outro caminho.
A vitória, ainda que apertada do Lula em 2022, aponta para a
importância da flexibilidade tática e até mesmo estratégica em
tempos de retrocesso: olhar para frente, para o futuro. Olhar
para os fatores que abalam a sociedade contemporânea, tais
como nova organização do trabalho e da sociedade civil, esta
com nova agenda de autonomia e liberdade de vários
segmentos, imigrações e violência. Mesmo na década de 1930,
a dogmática III Internacional sob o comando de Stalin, deu-se
conta da “virada” depois da crise de 29, que desembocou na
ascensão de Hitler ao Poder em 1933 e mudou sua posição
diante da Revolução Espanhola, o que perdurou até 1939,
véspera da II Guerra.
Lá na campanha sobre o plebiscito, que decidiu pela saída de
Pinochet, houve uma advertência que virou até um filme: “NO”:
Recuperou a democracia e enterrou o ditador que, não
obstante, deixou herdeiros e defensores, como o atual
Presidente eleito. Chamou a atenção para a necessidade de
deixar as feridas e os mortos em banho maria para apresentar
uma visão de esperança na vitória.
A escolha, agora, de uma candidata, aliás excelente, filiada ao
Partido Comunista, mesmo com discurso mais centrista, reflui
ao passado, numa conjuntura internacional em que a mera
denominação “comunista” sumiu do cenário político. Estamos
vivendo, no mundo inteiro, uma virada neofascista na qual até
em redutos tradicionais de Partidos Comunistas na Itália, na
França, na Espanha e até em Portugal, agora votam á direita.
Contrariar essa lógica confiando na heróica tradição dos
comunistas chilenos talvez tenha sido um erro histórico. Nada
irreparável, pois a maioria dos novos líderes à testa da direita
latino-americana, exceção de Bolsonaro, não flertam com
golpes militares. Alguns anos mais e assistiremos nova “virada”.
Dois exemplos, entretanto, contrariam a decisão chilena, a
Frente no Uruguai e a Frente do Lula, ambas vitoriosas. Dir-se-á
que as circunstâncias condicionaram o caso chileno. Pode ser.
Prefiro, até, acreditar nesta hipótese do que crer ter-se tratado
de “opção ideológica.”
O raciocínio se refere ao Chile, mas, na verdade, estou
pensando, aqui com meus botões, no caso do Rio Grande do Sul.
Será que vamos, mais uma vez, assistir a afirmação da
inevitabilidade da divisão dos democratas progressistas e
caminhar em direção ao fracasso em 2026?
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –15 DEZ.2025
www.culturalfm.com
O que as eleições no Chile revelam, por Maria Hermínia Tavares
- Folha de S. Paulo
Houve metamorfose nas forças políticas em três democracias
sul-americanas - É provável que o próximo presidente seja de
direita
Eleições sempre podem trazer surpresas. Mas é provável que o
próximo presidente do Chile seja um político de ultradireita:
José Antonio Kast. Embora no primeiro turno tenha sido
superado pela candidata da coligação de esquerda Unidade pelo
Chile, ele tem agora mais chances de crescer, somando os
votos de dois outros candidatos direitistas, do que sua
adversária comunista Jeanette Jara.
A possível vitória de Kast vem sendo interpretada de duas
maneiras. A primeira prevê que ela selará uma virada histórica à
direita na América do Sul, antecipada pela eleição de Bolsonaro
em 2018 e seguida pelas vitórias de Javier Milei, na Argentina,
em 2023, de Daniel Noboa, no Equador, e de Rodrigo Paz, na
Bolívia, ambas em 2025.
Assim, estaríamos em face de um novo ciclo político na região,
semelhante —mas de sinal contrário— à longa "onda rosa" que
nas primeiras décadas do século multiplicou governos de
esquerda moderada.
A segunda maneira de ver o êxito do ultradireitista chileno é
como reprise de um padrão de comportamento de um eleitorado
frustrado. Convocado a votar, pune sistematicamente o
incumbente, preferindo quem lhe faz oposição, à direita ou à
esquerda. Dessa forma, se onda existe, não tem cor política; é
contra o governo de turno, seja qual for sua orientação.
Em dezembro saberemos em que direção sopram os ventos da
política no Chile. Mas será preciso muito mais tempo para
confirmar qual das duas interpretações acima se sustenta.
Mas há algo que desde já se pode dizer debulhando as urnas
chilenas: trata-se da importante metamorfose nas forças
políticas em disputa, se não em toda a América do Sul, pelo
menos em três de suas mais robustas democracias. A mudança
diz respeito, de um lado, à perda de importância eleitoral dos
partidos de centro; de outro, à ascensão, no campo da direita,
de líderes e organizações mais extremados.
No Chile, esse fenômeno se expressa na decadência das três
agremiações centristas que formaram a coalizão responsável
por organizar a transição da tirania pinochetista à democracia e
por se alternar no Palácio de la Moneda entre 1990 e 2018: o
Partido Democrata Cristão e as duas legendas da esquerda
moderada —o Partido Socialista (PS) e o Partido Pela
Democracia (PPD). E, sobretudo, pela desidratação da direita
tradicional e pela fragmentação do campo que permitiu que o
populista Kast passasse para o segundo turno.
Na Argentina, a longeva União Cívica Radical, que liderou a
oposição ao peronismo e encabeçou o primeiro governo civil,
quando a democracia foi restaurada, em 1983, perdeu força.
Tornou-se sócia menor no âmbito de coligações antiperonistas
de centro-direita. Finalmente, sua candidata à Casa Rosada em
2023 é hoje ministra de Javier Milei.
No Brasil, a história é conhecida. Passa pela irresistível
decadência do PSDB, a união das direitas em torno de
Bolsonaro e a atual fragmentação das candidaturas
conservadoras que disputam o espólio político do ex-presidente
golpista.
A relação da nova ultradireita sul-americana com a democracia
representativa é ainda uma incógnita. Bolsonaro tratou de
destruí-la; Milei procura abastardá-la. De toda forma, a
decadência do centro e a força do populismo extremado
prenunciam tempos difíceis.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –12 DEZ.2025
O pior legislativo que já tivemos
Devastação legislativa — A derrubada, pelo Congresso que aí está, dos vetos
presidenciais aos PL da Devastação, que destrói a legislação ambiental brasileira,
consiste, claro, numa derrota do Planalto – mais é muito mais que isso. Trata-se
de derrota da sociedade civil organizada, que se mobilizou para pressionar o
Governo e tentar conter o horror; derrota dos pobres, que são os que mais sofrem
as consequências dos desastres ambientais; derrota da humanidade, que sente os
efeitos da degradação do planeta. Mais uma vez, o STF será chamado à liça, para
restaurar a razão.
Robertoi Amaral – Ex Ministro Lula C&T
*
Tirando o Império, quando nossa dita “democracia” era um
brocado das classaes proprietárias num regime escravista, o
atual Congresso é o pior que já tivemos, sobretudo na Câmara
dos Deputados. Converteu-se num reduto do conservadorismo
alimentado por EMENDAS PARLAMENTARES que tendem a criar
anéis de eternização de seus cargos, sujeitas, ainda a
corrupção desenfreada. Verdadeiros escândalo que corrói as
bases do republicanismo. Aliás, apesar de se distribuírem
mundo afora, num resquício da Velha Roma, a existência de uma
Câmara alta, no caso, o Senado é outro brocado, sem qualquer
sentido, nem político, nem legislativo. Para que duas Casas
Legislativas se o PODER EMANA do povo e este povo deveria
estar representado, proporcionalmente, numa só casa
legislativa. O Senado acaba sendo uma dobra inútil do processo
representativo.Se algum lugar cabe aos Estados, este deveria
ser ocupado pelos respectivos governadores em um renovado
CONSELHO DA REPÚBLICA com funções tópicas quanto ao
Orçamento da República.
Vá o feito.
Agora estamos diante de um confronto entre Judiciário, através
do Supremo, que condenou a Deputada Zambeli a 16+5 anos por
dois crimes, e o plenário da Câmara deu-se ao luxo de preservar
seu mandato. Ora ela, já abandonou o cargo quando fugiu do
país. iNDEPENDENTEMENTE da condenação a Câmara já
deveria ter procedido a seu desligamento, assim como a todo e
qualquer outro que assim aja.
Vários juristas , como MigueL Reali Jr, haviam advertido que a
decisão de confronto da CAMARA com o SUPREMO tinha sido
INCONSTITUCIONAL. Agora o confronto está posto.
Vejamos como a semana que vem
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EDITORIAL CULTURAL FM Torres –11 DEZ. 2025
www.culturalfm.com
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O preço da candidatura Bolsonaro foi pago
https://wp.me/p9BHIu-1Jp
*
Blindagem, Sabotagem E Golpe: O Plano Está Em Curso
https://red.org.br/noticias/blindagem-sabotagem-e-golpe-o-plano-esta-em-curso/
dezembro 10, 2025 - dezembro 10, 2025
Por BENEDITO TADEU CÉSAR*
O Congresso Nacional parece ter feito sua escolha. E ela é clara: em
vez de se comportar como uma instituição republicana, comprometida
com o interesse público e a democracia, decidiu funcionar como uma
engrenagem de proteção de si mesmo, de seus aliados e de seus
financiadores ocultos. Se ainda não assumiu formalmente o papel de
inimigo do povo, já se comporta abertamente como inimigo da
democracia.
Nos últimos meses, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal vêm
protagonizando uma sequência de decisões que, além de contrariarem
frontalmente o interesse público, atentam contra a integridade das
instituições e reescrevem, a partir da conveniência dos poderosos, o
próprio pacto constitucional. É um Congresso que tem reiteradamente
legislado em desacordo com os interesses sociais mais amplos,
priorizando setores que já concentram poder e riqueza. E não há como
disfarçar: essa captura institucional está hoje sob hegemonia de uma
extrema-direita que se apresenta como Centrão, mas opera com
método, disciplina e objetivos claros. Trata-se de um projeto: sabotar o
governo Lula, inviabilizar políticas públicas, minar sua legitimidade e
viabilizar a eleição de Tarcísio de Freitas em 2026. A estratégia é clara
— e perigosa.
A interpretação que emerge com nitidez dos fatos mais recentes é
inescapável: o golpe de Estado iniciado com os ataques de 8 de janeiro
não foi interrompido. Apenas mudou de forma. A tentativa de ruptura
institucional deixou as ruas e as redes bolsonaristas e passou a operar
nos gabinetes refrigerados do Congresso Nacional. O golpe segue em
curso — agora com aparência legal, sob a capa da normalidade
democrática, mas com a mesma lógica de concentração de poder,
destruição de direitos e imposição autoritária de uma agenda
regressiva.
A blindagem como método de autodefesa
Entre as tentativas mais escancaradas de autoproteção institucional
esteve a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara em setembro, com o
objetivo de dificultar o processamento judicial de parlamentares. Ela
autorizava votações secretas para pedidos de autorização ao STF,
reduzia a possibilidade de cassação de mandatos por decisão judicial e
institucionalizava o manto da impunidade. Foi barrada no Senado, é
verdade, mas só após intensas mobilizações populares que expuseram
a vergonhosa tentativa de colocar os parlamentares acima da lei. A PEC
não foi uma anomalia. Foi um sintoma. De um Congresso que se vê mais
como castelo que como casa do povo.
Anistia disfarçada: o Congresso protege os seus
O mesmo Congresso que se recusou a aprovar políticas sociais mais
robustas ou projetos de taxação de grandes fortunas, não hesitou em
correr para aprovar uma proposta que reduz penas para os envolvidos
nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Trata-se do projeto da dosimetria
penal, que impõe a não cumulatividade de penas para crimes praticados
em atos de tentativa de golpe. Uma manobra legislativa com nome
técnico e aparência jurídica, mas com finalidade política e efeitos
profundamente morais: reabilitar os derrotados de 2022. Jair Bolsonaro,
inelegível por decisão definitiva do STF, é o maior interessado. O
projeto, relatado por Paulinho da Força, serve como moeda de troca no
jogo de poder que se articula nos bastidores do bolsonarismo e do
centrão, para abrir caminho à candidatura de Tarcísio de Freitas, figura
mais palatável ao mercado e à elite financeira.
A escolha do relator da proposta no Senado não é acidental: Espiridião
Amin, político de longa trajetória conservadora, defensor do regime
militar e aliado próximo da família Bolsonaro, foi escalado para garantir
que o projeto avance com rapidez e segurança. Trata-se de um jogo
combinado. Um Congresso que já não legisla, mas negocia sentenças.
Ofensiva contra o STF e a Constituição
Além da ofensiva contra o Executivo, o Congresso intensifica seu
enfrentamento ao Judiciário. A aprovação da PEC do Marco Temporal,
em flagrante desrespeito à decisão do Supremo Tribunal Federal que
considerou a tese inconstitucional, representa mais que um gesto
simbólico: é um ato de força contra o princípio do direito originário dos
povos indígenas, consagrado na Constituição. Ao impor um marco
arbitrário — 5 de outubro de 1988 — como condição para a demarcação
de terras, o Congresso reescreve, de forma autoritária, a história e os
direitos dos povos originários. Não se trata de ignorância jurídica. Trata-
se de ofensiva deliberada.
Essa tensão entre Congresso e STF também se aprofundou com a
reação à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aliado próximo e afilhado
político do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, liderou a
insatisfação interna com a decisão de Lula. O motivo não é técnico. Nos
bastidores, ventilava-se a expectativa de que o próprio Pacheco fosse o
indicado ao cargo, o que garantiria ao Congresso mais um voto
confiável em processos que envolvem parlamentares acusados de
participação no esquema do orçamento secreto. Ao manter sua
prerrogativa constitucional de escolher o ministro do STF e não ceder
às pressões do bloco, Lula enfrentou a fúria do Senado. A reação de
Alcolumbre e aliados traduz um projeto de captura do Judiciário. Trata-
se de mais um capítulo do conflito entre poderes, motivado não por
divergências de princípios, mas pelo desejo de controle institucional e
pela impunidade dos próprios.
Um Parlamento seletivo na repressão
A repressão seletiva escancarou-se com a violenta retirada do
deputado Glauber Braga do plenário, por protestar, de forma pacífica,
contra a votação da anistia disfarçada. Sentado na cadeira da
presidência — gesto já realizado impunemente por deputados
bolsonaristas meses antes — Glauber foi retirado à força por ordem de
Hugo Motta. A TV Câmara foi tirada do ar. A imprensa, expulsa. Uma
encenação de censura digna de regimes de exceção. O que estava em
jogo não era apenas o controle do plenário. Era a tentativa de silenciar
a crítica, interditar o dissenso e criminalizar o protesto.
Parlamentares e crime organizado: conexões cada vez mais explícitas
Enquanto o Congresso se apressa para proteger os seus, a aliança
entre parlamentares e o crime organizado ganha novos capítulos. A
prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,
Rodrigo Bacellar, acusado de interferir em investigações sobre um
deputado ligado ao Comando Vermelho, é sintomática. A própria Alerj
decidiu soltá-lo poucos dias depois, revelando que o pacto de
impunidade entre os pares não conhece fronteiras partidárias.
Investigações em curso revelam que emendas parlamentares têm sido
direcionadas a municípios sob influência de facções, por meio de
empresas laranjas, licitações fraudulentas e contratos simulados. É o
orçamento público servindo ao crime. Um escândalo com verniz legal,
sustentado por um sistema que se retroalimenta: quem desvia financia,
quem financia se elege, quem se elege blinda.
Licenciamento ambiental e os interesses do capital
A ofensiva não se limita aos direitos civis e políticos. O Congresso
também atua para desmontar a legislação ambiental. A derrubada dos
vetos presidenciais à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental
representa um retrocesso perigoso, que libera obras de alto impacto
sem estudos prévios adequados, fragiliza a atuação de órgãos de
controle e ameaça comunidades inteiras. A bancada do boi, do garimpo
e do cimento comemorou. A sociedade, em silêncio, vai acumulando
perdas.
Um projeto articulado: inviabilizar Lula, empurrar Tarcísio
Não se trata de episódios isolados. Trata-se de um plano. Um Congresso
dominado por uma extrema-direita disfarçada de moderação, que atua
para sabotar o Executivo, intimidar o Judiciário, desmantelar a
legislação social e ambiental e pavimentar o caminho para a volta ao
poder de um projeto autoritário. Se Bolsonaro já não serve ao capital
por sua instabilidade, Tarcísio é o nome da vez. Para viabilizá-lo, será
necessário destruir politicamente o governo Lula — ou pelo menos
paralisá-lo. É o que está em curso.
Hora de reagir
Diante desse cenário, a indignação é mais do que legítima. É
necessária. Aceitar um Congresso que se transforma em instrumento de
sabotagem institucional, proteção de criminosos e ataque à democracia
é permitir que a barbárie se normalize. A resposta precisa vir das ruas,
das universidades, das redes, das assembleias populares.
Neste final de semana, manifestações estão sendo convocadas em todo
o país por movimentos sociais, sindicatos, organizações estudantis e
coletivos em defesa da democracia. Não é apenas mais um ato. É um
marco. Uma chance de mostrar que a sociedade não aceitará calada a
demolição lenta e calculada de seus direitos. Que não será cúmplice do
silêncio. Que não assistirá inerte ao avanço da impunidade, da mentira
e da destruição institucional.
É hora de se levantar.
Benedito Tadeu César é cientista político e professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS). Especialista em democracia, poder e soberania, integra a Coordenação do Comitê em Defesa
da Democracia e do Estado Democrático de Direito e é diretor da RED.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres – 10 DEZ.2025
DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
No dia 10 de dezembro de 1948, na recém criada Assembléia da Organização das Nações
Unidas - , Brasil presente, aprovou-se o Estatuto dos Direitos Humanos. Depois da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão , na Revolução Francesa, em 1789, este foi um marco da civilização. Teve como antecedente imediato o horror humanitário diante dos 40 milhões de mortos no combate ao nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial e , como perspectiva, a precaução à todas as formas de violência contra a dignidade humana. Embora não seja um documento mandatório aos países da ONU, ele serviu como base para os dois tratados sobre direitos humanos , com força legal, o Tratado Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e o Tratado Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Anos mais tarde, em 1995, a Assembléia Geral decidiu, também, nas comemorações do seu cinquentenário, celebrá-lo como “Ano da Tolerância”, através da aprovação de uma “Carta da Tolerância”. Esta contém. os princípios do respeito que se deve nutrir pelos semelhantes. A escolha do nome “Tolerância” foi um reconhecimento de que a organização ainda estava longe de alcançar os objetivos para os quais havia sido criada, a saber, a paz mundial. Com o tempo, o próprio termo “Tolerância” foi abandonado como incapaz de traduzir o sentimento que deve nortear a convivência entre supostos diferentes: o amor e não apenas o respeito.
A luta pelos Direitos Humanos, porém, não se esgotou na Declaração de 1948. Vários outros documentos ampliaram os conceitos aí contidos e os explicitaram para outros segmentos da sociedade, considerados vulneráveis, como as crianças, ou campos da vida humana, como a cultura:
Declaração de Salamanca
Processo de Bolonha
Declaração Universal dos Direitos da Criança
Convenção sobre os Direitos da Criança
Declaração Mundial sobre Educação para Todos
Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (também chamada de Declaração
de Barcelona)
(widipedia)
.
Finalmente, como resultado de vários esforços no sentido de consolidar um consenso internacional em torno da defesa dos princípios dos Direitos Humanos, foram criados Tribunais Internacionais: A Corte Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional, ambos com sede em Haia.
Tribunal Internacional de Justiça
O Tribunal Internacional de Justiça ou Corte Internacional de Justiça é o principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas. Tem sede em Haia, nos Países Baixos. Por isso, também costuma ser denominada como Corte da Haia ou Tribunal da Haia. Sua sede é o Palácio da Paz.Foi instituído pelo artigo 92 da Carta das Nações Unidas: « A Corte Internacional de Justiça constitui o órgão judiciário principal das Nações Unidas. Funciona de acordo com um Estatuto estabelecido com base no Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional e anexado à presente Carta da qual faz parte integrante."
Foi fundado em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, em substituição à Corte Permanente de Justiça Internacional, instaurada pela Sociedade das Nações.
O Tribunal Internacional de Justiça não deve ser confundido com a Corte Penal Internacional, que tem competência para julgar indivíduos e não Estados.
Tribunal Penal Internacional Permanente
Em julho de 1998, representantes de cento e vinte países reunidos em uma conferência em Roma aprovaram o projeto de criação de um Tribunal Penal Internacional Permanente, também com sede na Haia, nos Países Baixos.
O objetivo da CPI é promover o Direito internacional, e seu mandato é de julgar os indivíduos e não os Estados (tarefa do Tribunal Internacional de Justiça). Ela é competente somente para os crimes mais graves cometidos por indivíduos: genocídios, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e os crimes de agressão. O nascimento de uma jurisdição permanente universal é um grande passo em direção da universalidade dos Direitos humanos e do respeito do direito internacional
A corte tem competência para julgar os responsáveis por crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade quando os tribunais nacionais não puderem ou não quiserem processar os criminosos. Sete nações votaram contra o projeto (EUA, China, Israel, Iêmen, Iraque, Líbia e Qatar) e outras vinte e uma se abstiveram. Os EUA justificam seu veto por não concordarem com a independência do tribunal em relação ao Conselho de Segurança da ONU – ainda que essa autonomia não seja total. Pelo documento aprovado, o Conselho de Segurança poderá bloquear uma investigação se houver consenso entre seus membros permanentes. O governo americano também teme que seus soldados envolvidos em guerras como as do Afeganistão e Iraque venham a ser julgados pelo tribunal. (wiki)
A esta Corte Penal Internacional qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, pode se dirigir, diretamente, no caso de sentir-se violada em algum dos direitos consignados como intrínsecos à condição humana. O Brasil é signatário do Tratado deste Tribunal desde 25 de setembro de 2002.
Embora uma parcela considerável da população mundial e grande parte do território do planeta tenham ficado fora da jurisdição do Tribunal, mais de dois terços dos Estados que integram a ONU subscreveram o Tratado de Roma, manifestando, assim, ainda que implicitamente, no caso daqueles que ainda não o ratificaram, a intenção de colaborar com a nova Corte. Nada impede, de resto, que aqueles que não aderiram ao acordo o façam num momento posterior ou submetam, desde logo, certos casos à jurisdição do Tribunal, numa base ad hoc, como permite seu Estatuto.
Seja como for, a relevância histórica do Tratado não pode ser subestimada, pois a mera existência do Tribunal, como anotou Flávia Piovesan, em artigo recentemente publicado, terá o condão de limitar o darwinismo no campo das relações internacionais, onde prevalece a lei dos Estados mais fortes em face das nações mais débeis (17). Mas a maior contribuição que a nova Corte poderá dar para consolidar a paz, a segurança e o respeito aos direitos humanos no mundo será fazer com que ele transite de uma cultura de impunidade para uma cultura de responsabilidade .
(Enrique Ricardo Lewandowski - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000200012)
Hoje, a perseguição destes imperativos todos , acrescidos do compromisso com a sustentabilidade do desenvolvimento no planeta, aprovado pela Eco-92, também convocada pela ONU, no Rio de Janeiro, se constitui em verdadeira estratégia da humanidade para o século XXI e contempla um elenco indivisivel , único e complementar de direitos civis, direitos políticos e direitos sócio-econômicos. Pela importância dos documentos, remeto a todos os interessados ao site http://www.paulotimm.com.br/site/downloads/lib/pastaup/Obras%20do%20Timm/111204105854Documento1.pdf, onde estão postados. Recomendo, também, o acesso ao site
o qual não só tem todos estes documentos oficiais relativos a Direitos Humanos, como uma vasta lista de ONGs voltadas à sua defesa e um cotidiano acompanhamento de matérias publicadas no Brasil sobre o assunto. Aqui, por exigüidade do espaço, como lembrança e homenagem a todos aqueles que lutam pelos Direitos Humanos, reproduzo, apenas o artigo 1º da DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS , com os respectivos “Considerandos”, cuja síntese não é ,nada mais, nada menos do que a Boa Nova celebrada em todas as religiões : Somos todos irmãos.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família
humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da
paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos
bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que
os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do
temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
Considerandoessencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito,
para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a
opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos
dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores
condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação
com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e
a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta
importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral proclama
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por
todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da
sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da
educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua
observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto
entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
EDITORIAL CULTUAL FM Torres –09 DEZ. 2025
DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
No dia 10 de dezembro de 1948, na recém criada Assembléia da Organização das Nações
Unidas - , Brasil presente, aprovou-se o Estatuto dos Direitos Humanos. Depois da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão , na Revolução Francesa, em 1789, este foi um marco da civilização. Teve como antecedente imediato o horror humanitário diante dos 40 milhões de mortos no combate ao nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial e , como perspectiva, a precaução à todas as formas de violência contra a dignidade humana. Embora não seja um documento mandatório aos países da ONU, ele serviu como base para os dois tratados sobre direitos humanos , com força legal, o Tratado Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e o Tratado Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Anos mais tarde, em 1995, a Assembléia Geral decidiu, também, nas comemorações do seu cinquentenário, celebrá-lo como “Ano da Tolerância”, através da aprovação de uma “Carta da Tolerância”. Esta contém. os princípios do respeito que se deve nutrir pelos semelhantes. A escolha do nome “Tolerância” foi um reconhecimento de que a organização ainda estava longe de alcançar os objetivos para os quais havia sido criada, a saber, a paz mundial. Com o tempo, o próprio termo “Tolerância” foi abandonado como incapaz de traduzir o sentimento que deve nortear a convivência entre supostos diferentes: o amor e não apenas o respeito.
A luta pelos Direitos Humanos, porém, não se esgotou na Declaração de 1948. Vários outros documentos ampliaram os conceitos aí contidos e os explicitaram para outros segmentos da sociedade, considerados vulneráveis, como as crianças, ou campos da vida humana, como a cultura:
Declaração de Salamanca
Processo de Bolonha
Declaração Universal dos Direitos da Criança
Convenção sobre os Direitos da Criança
Declaração Mundial sobre Educação para Todos
Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (também chamada de Declaração
de Barcelona)
(widipedia)
.
Finalmente, como resultado de vários esforços no sentido de consolidar um consenso internacional em torno da defesa dos princípios dos Direitos Humanos, foram criados Tribunais Internacionais: A Corte Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional, ambos com sede em Haia.
Tribunal Internacional de Justiça
O Tribunal Internacional de Justiça ou Corte Internacional de Justiça é o principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas. Tem sede em Haia, nos Países Baixos. Por isso, também costuma ser denominada como Corte da Haia ou Tribunal da Haia. Sua sede é o Palácio da Paz.Foi instituído pelo artigo 92 da Carta das Nações Unidas: « A Corte Internacional de Justiça constitui o órgão judiciário principal das Nações Unidas. Funciona de acordo com um Estatuto estabelecido com base no Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional e anexado à presente Carta da qual faz parte integrante."
Foi fundado em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, em substituição à Corte Permanente de Justiça Internacional, instaurada pela Sociedade das Nações.
O Tribunal Internacional de Justiça não deve ser confundido com a Corte Penal Internacional, que tem competência para julgar indivíduos e não Estados.
Tribunal Penal Internacional Permanente
Em julho de 1998, representantes de cento e vinte países reunidos em uma conferência em Roma aprovaram o projeto de criação de um Tribunal Penal Internacional Permanente, também com sede na Haia, nos Países Baixos.
O objetivo da CPI é promover o Direito internacional, e seu mandato é de julgar os indivíduos e não os Estados (tarefa do Tribunal Internacional de Justiça). Ela é competente somente para os crimes mais graves cometidos por indivíduos: genocídios, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e os crimes de agressão. O nascimento de uma jurisdição permanente universal é um grande passo em direção da universalidade dos Direitos humanos e do respeito do direito internacional
A corte tem competência para julgar os responsáveis por crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade quando os tribunais nacionais não puderem ou não quiserem processar os criminosos. Sete nações votaram contra o projeto (EUA, China, Israel, Iêmen, Iraque, Líbia e Qatar) e outras vinte e uma se abstiveram. Os EUA justificam seu veto por não concordarem com a independência do tribunal em relação ao Conselho de Segurança da ONU – ainda que essa autonomia não seja total. Pelo documento aprovado, o Conselho de Segurança poderá bloquear uma investigação se houver consenso entre seus membros permanentes. O governo americano também teme que seus soldados envolvidos em guerras como as do Afeganistão e Iraque venham a ser julgados pelo tribunal. (wiki)
A esta Corte Penal Internacional qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, pode se dirigir, diretamente, no caso de sentir-se violada em algum dos direitos consignados como intrínsecos à condição humana. O Brasil é signatário do Tratado deste Tribunal desde 25 de setembro de 2002.
Embora uma parcela considerável da população mundial e grande parte do território do planeta tenham ficado fora da jurisdição do Tribunal, mais de dois terços dos Estados que integram a ONU subscreveram o Tratado de Roma, manifestando, assim, ainda que implicitamente, no caso daqueles que ainda não o ratificaram, a intenção de colaborar com a nova Corte. Nada impede, de resto, que aqueles que não aderiram ao acordo o façam num momento posterior ou submetam, desde logo, certos casos à jurisdição do Tribunal, numa base ad hoc, como permite seu Estatuto.
Seja como for, a relevância histórica do Tratado não pode ser subestimada, pois a mera existência do Tribunal, como anotou Flávia Piovesan, em artigo recentemente publicado, terá o condão de limitar o darwinismo no campo das relações internacionais, onde prevalece a lei dos Estados mais fortes em face das nações mais débeis (17). Mas a maior contribuição que a nova Corte poderá dar para consolidar a paz, a segurança e o respeito aos direitos humanos no mundo será fazer com que ele transite de uma cultura de impunidade para uma cultura de responsabilidade .
(Enrique Ricardo Lewandowski - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000200012)
Hoje, a perseguição destes imperativos todos , acrescidos do compromisso com a sustentabilidade do desenvolvimento no planeta, aprovado pela Eco-92, também convocada pela ONU, no Rio de Janeiro, se constitui em verdadeira estratégia da humanidade para o século XXI e contempla um elenco indivisivel , único e complementar de direitos civis, direitos políticos e direitos sócio-econômicos. Pela importância dos documentos, remeto a todos os interessados ao site http://www.paulotimm.com.br/site/downloads/lib/pastaup/Obras%20do%20Timm/111204105854Documento1.pdf, onde estão postados. Recomendo, também, o acesso ao site
o qual não só tem todos estes documentos oficiais relativos a Direitos Humanos, como uma vasta lista de ONGs voltadas à sua defesa e um cotidiano acompanhamento de matérias publicadas no Brasil sobre o assunto. Aqui, por exigüidade do espaço, como lembrança e homenagem a todos aqueles que lutam pelos Direitos Humanos, reproduzo, apenas o artigo 1º da DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS , com os respectivos “Considerandos”, cuja síntese não é ,nada mais, nada menos do que a Boa Nova celebrada em todas as religiões : Somos todos irmãos.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família
humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da
paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos
bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que
os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do
temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
Considerandoessencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito,
para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a
opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos
dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores
condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação
com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e
a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta
importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral proclama
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por
todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da
sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da
educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua
observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto
entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –08 DEZ. 2025
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Amor numa hora dessas?
O ódio contra meninas e meninos mais frágeis nasce nas
famílias e na cultura, e se espalha nas ruas, nas salas de aula e
pátios escolares
Por - Daniel Becker 07-XII - https://oglobo.globo.com/blogs/daniel-
becker/post/2025/12/amor-numa-hora-dessas.ghtml
“Pensem nas crianças / mudas telepáticas / pensem nas
meninas / cegas inexatas / pensem nas mulheres / rotas
alteradas...”
Vinicius falava da bomba nuclear em seu poema. Mas nos
últimos dias a crueldade vem explodindo sobre nós em
dimensões atômicas.
A violência contra a mulher vem se agravando há muito tempo,
tomando proporções epidêmicas no país. Nos últimos dias os
casos se sucedem, mais e mais cruéis. Atropelamentos,
amputações, execuções. Mulheres desfiguradas, estranguladas,
espancadas, queimadas, torturadas, sempre por homens.
Violências de toda ordem: física, sexual, moral, psicológica,
patrimonial. Rotas alteradas, aos milhões.
Nossa cultura sempre tratou as mulheres como propriedade de
homens, que as culpam pelos limites impostos à masculinidade
tradicional. A misoginia se amplifica, pregando a submissão da
mulher.
Mas essa não é a única forma de violência que chama a
atenção. As escolas também têm sido foco de episódios de
crueldade que chega às raias do incompreensível, ainda mais
porque vinda de crianças e adolescentes. Esta semana um
menino perdeu um olho numa escola do Rio. Ele era motivo de
chacota por um glaucoma congênito, e já havia sofrido diversos
episódios de bullying, alguns muito graves. A deficiência como
motivo para o assédio. A mãe procurou escola e Conselho
Tutelar e nada foi feito. E agora ele ficou parcialmente cego.
Em agosto, uma menina em Mato Grosso foi espancada por
quatro outras por negar um doce. A investigação descobriu que
alunos haviam formado uma “facção” na escola, inspirada no
crime organizado. Em Pernambuco, uma menina foi espancada
por se negar a beijar um colega e morreu por hemorragia
craniana.
Em 2023, dos mais de 13 mil casos de violência interpessoal em
escolas foram registrados pelo SUS (uma fração do número
real), 60% foram contra meninas. Em 5 anos, a SaferNet
recebeu mais de 74 mil denúncias de misoginia on-line. O ódio
contra meninas e meninos mais frágeis nasce nas famílias e na
cultura, e se espalha nas ruas, nas salas de aula, pátios e
banheiros escolares. E se multiplica nas redes sociais, que
parecem só estimular o pior em nós. Afinal, a violência e o ódio
engajam muito mais que a gentileza e o amor.
A resposta sobre as causas da crueldade entre crianças é
complexa. Mas a consequência é certa: se não trabalharmos a
violência na infância, e especialmente a educação dos meninos,
na família e na escola, a misoginia, o feminicídio e o ódio em
geral continuarão cada vez mais vivos.
Contra a crueldade, o amor. Matin Luther King disse: “Só a luz
pode expulsar a escuridão. Da mesma forma, o ódio não pode
expulsar o ódio; apenas o amor pode fazê-lo”. Precisamos
educar nossos filhos com limites e firmeza, mas com afeto,
diálogo e gentileza. Isso é ser exemplo. Assim como tratar bem
a todos, inclusive quem tem menos poder e dinheiro. Ser
solidário e ajudar quem sofre ou é oprimido. Ensinar meninos a
cuidar – da casa, das bonecas, de irmãos. Mostrar que podem e
devem expressar emoções e chorar. Falar de igualdade de
direitos e diversidade. Ensinar às meninas que elas podem tudo,
que são fortes. Escolas devem educar para a paz, contra o
bullying e todas as formas de intolerância, com participação e
debate aberto. Ensinar como resistir à violência e combater a
crueldade quando ela surgir.
Precisamos de políticas públicas para produção da paz em
comunidades pobres. De formação de professores e da
regulação das redes, que está chegando com o ECA digital.
Misoginia deve ser considerada crime, assim como a homofobia,
o racismo e o bullying, seus irmãos, já o são.
“Filha do medo, a raiva é mãe da covardia", nos diz Chico em
Caravanas. E Mandela completa: “Ninguém nasce odiando outra
pessoa. Se as pessoas podem aprender a odiar, podem ser
ensinadas a amar."
EDITORIAL CULTUAL FM Torres – 05 DEZ.2025
05 de dezembro - DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTÁRIO-
almanaquedobem.com
Dia Internacional do Voluntário
https://www.portalsaofrancisco.com.br/…/dia-internacional-d…
Quando pensamos na ação voluntária, associamos imediatamente à idéia de alguém numa situação superior que vai de encontro ao inferior, ao carente, ao necessitado de ajuda. E é normal que pensemos assim.
No episódio das torres gêmeas, em Nova Iorque, por exemplo, assistimos muitas pessoas auxiliando os bombeiros a tentar achar sobreviventes entre os destroços e mesmo a limpar a área atingida.
Uma imagem que nos faz pensar no que foi dito acima: pessoas que estão livre do problema em questão ajudando os que se encontram em situação difícil.
Mas acontece que o ato do voluntariado é algo bem mais profundo e sensível.
Estendermos as mãos ao próximo, ao semelhante, é um ato que exige primeiro coragem, ou seja, disposição em se comprometer, em doar seu tempo ou seu talento, segundo generosidade, que também pode ser entendida como real solidariedade, aquela que não espera nada em troca, e terceiro que enfrentemos nossa própria fraqueza.
E estar diante da própria fraqueza é admitir que, ao ajudar, queremos nos sentir melhores, curar nossas próprias feridas, superar nossas próprias limitações.
***
Dia Internacional do Voluntário
05 de Dezembro
Desde 1985 , a Organizações das Nações Unidas instituiu o dia 5 de dezembro como Dia Internacional do Voluntário.
O objetivo da ONU é fazer com que, ao redor do mundo, sejam promovidas ações de voluntariado em todas as esferas da sociedade.
No Brasil, já existem diversas iniciativas em favor do desenvolvimento de práticas de voluntariado.
É fundamental que cada voluntário saiba que, como ele, há milhões de pessoas no mundo dando a sua própria contribuição para o alcance das metas traçadas pelas Nações Unidas.
***
Dia Internacional do Voluntário
O Voluntariado
Segundo definição das Nações Unidas, “o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos…”
Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.
Quando nos referimos ao voluntário contemporâneo, engajado, participante e consciente, diferenciamos também o seu grau de comprometimento: ações mais permanentes, que implicam em maiores compromissos, requerem um determinado tipo de voluntário, e podem levá-lo inclusive a uma “profissionalização voluntária”; existem também ações pontuais, esporádicas, que mobilizam outro perfil de indivíduos.
Ao analisar os motivos que mobilizam em direção ao trabalho voluntário descobrem-se, entre outros, dois componentes fundamentais: o de cunho pessoal, a doação de tempo e esforço como resposta a uma inquietação interior que é levada à prática, e o social, a tomada de consciência dos problemas ao se enfrentar com a realidade, o que leva à luta por um ideal ou ao comprometimento com uma causa.
Altruísmo e solidariedade são valores morais socialmente constituídos vistos como virtude do indivíduo. Do ponto de vista religioso acredita-se que a prática do bem salva a alma; numa perspectiva social e política, pressupõe-se que a prática de tais valores zelará pela manutenção da ordem social e pelo progresso do homem.
A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento.
Não se deve esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo.
Como ser um bom voluntário
A maioria das entidades beneficentes no Brasil ainda são muito pequenas, e não têm programas de voluntariado.
Qualquer pessoa pode ser voluntária, independente do grau de escolaridade ou idade, o importante é ter boa vontade e responsabilidade.
Neste site existem mais de 4.850 entidades cadastradas, pesquise uma perto da sua casa ou trabalho, veja se a área de atuação da entidade está de acordo com a sua intenção de trabalho, e depois da escolha marque um dia para conhece-la pessoalmente.
Se não der certo com a primeira entidade, não desista, tem muita gente precisando da sua ajuda. Tente outra vez.
E se tudo der certo, ótimo! Sinta como a entidade funciona, e do que ela necessita, talvez você tenha que pesquisar um pouquinho e sugerir uma tarefa.
Por exemplo, pintar a entidade por fora ou por dentro, cadastrar doadores no computador, ajudar a organizar um evento ou fazer uma festa. A iniciativa é sua.
Seja humilde. O fato de você estar ajudando os outros não significa que você será paparicado e que seu trabalho não possa ser criticado.
O trabalho voluntário exige o mesmo grau de profissionalismo que em uma empresa, se não maior.
Existem regras a seguir, por mais meritória a causa, e não desanime se nem todos vibrarem e baterem palmas pelo seu trabalho.
Por que ser um voluntário?
A grande maioria dos voluntários no Brasil querem:
- Ajudar a resolver parte dos problemas sociais do Brasil.
2. Sentir-se útil e valorizado.
3. Fazer algo diferente no dia a dia.
4. 54% dos jovens no Brasil querem ser voluntários, mas não sabem como começar.
Agora não tem desculpa. Pesquise as entidades perto de você e seja um voluntário.
Voluntários vivem mais e com maior saúde!
Allan Luks, em The Healing Power Of Doing Good, descobriu que pessoas que ajudam os outros têm consistentemente melhor saúde. Oito em dez dos entrevistados afirmaram que os benefícios para a saúde retornavam quando eles se lembravam da ação feita em anos anteriores.
Estudo da Universidade de Michigan constatou que homens que faziam menos trabalhos voluntários eram significantemente mais propensos a morrer.
Fonte: www.voluntarios.com.br
Voluntariado individual
Organize oportunidades para profissionais dividirem seus conhecimentos e experiências.
Realize workshops e palestras sobre temas diversos e importantes para a população.
Organize campanhas sociais sobre tópicos significativos, como prevenção ao uso de drogas, combate à AIDS, à violência, ao trabalho infantil,etcMonte um grupo e vá de casa em casa explicando aos moradores como tratar a água, aproveitar melhor os alimentos, prevenir doenças, etc
Promova apoio aos doentes através de visitas aos hospitais, campanhas de doação de medicamentos, doação de sangue, programas de vacinação, mutirões para examinar gratuitamente pessoas carentes, etc
Visite crianças em orfanatos, distribua refeições, promova um dia especial para meninos carentes com passeios e brincadeiras, colete e distribua roupas usadas e alimentos não-perecíveis,etc
Estabeleça uma linha direta para pessoas aflitas, que precisam desabafar, e lhes dê conselhos e apoio.
Voluntariado no meio ambiente
Organize mutirões para promover o reflorestamento de áreas devastadas.
Coordene eventos onde as pessoas transformem terrenos baldios em hortas comunitárias ou parques públicos.
Convide ambientalistas, agrônomos e agricultores para darem palestras sobre como cultivar hortas saudáveis e a importância de se cuidar bem da terra.
Limpe praias, rios, parques, reservas naturais, praças públicas e pode as árvores de sua cidade.
Voluntariado em comunidades ou empresas
Promova uma campanha de doação de tempo, onde os interessados destinem horas de serviço voluntário para projetos específicos.
Limpe escolas, centros comunitários, hospitais, igrejas, lugares históricos,etc.
Ajude a restaurar ou construir instituições para órfãos, menores abandonados, moradores de rua, deficientes carentes, etc.
Promova uma campanha para montar uma biblioteca, igreja, escola, posto de saúde, centro poliesportivo ou algum outro prédio que venha a ser útil para a sua comunidade.
Estimule e ajude empresas interessadas em montar um programa de voluntariado corporativo.
Fonte: almanaquedobem.com
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –04 DEZ 2025
O ADVENTO
O "advento" é o período de quatro semanas que antecede o Natal ,
iniciando-se, na tradição católica, no primeiro domingo deste
interregno por missas anunciadoras deste tempo, em todos os
cantos do mundo. Trata-se de um período de reflexão e espera, na
expectativa da “Boa Nova” trazida pelo Natal. É um momento para
que nos preparemos para a reunificação das famílias, dos homens
de boa vontade e de todos os povos do mundo, sem rancores , sem
preconceitos, sem outro sentimento que aquele ocupado pelo Amor.
Sim, porque a grande ceia da noite de Natal não é senão um
artifício para a celebração da concórdia entre todos nós. É a
confirmação do Amor, que estará naquela Ceia, no momento da
reunião familiar, quando centenas e até milhares de quilômetros
foram tragados por ansiosos passos em direção a este encontro. -
“Para onde voltamos sempre? Para casa” , se perguntava e
respondia o filósofo Novallis. Pois é em casa, no amplexo familiar,
que renovamos as energias afetivas para enfrentar as adversidades
de um ano novo que já se anuncia. Um ritual, mas que contribui
para pontualizar a monotonia do tempo e das coisas . É em casa,
enfim, que a dor dói menos e a alegria é mais alegre.
O "advento" foi celebrado na Idade Média com belos cantos
gregorianos, os quais que induzem à meditação e ao mistério-
http://www.youtube.com/v/lfwuZaf6WXw&fs=1&source=uds&autopla
y=1 . Esses belos cânticos, aliás, podem ser ouvidos na Radio Mec
- www.radiomec.com.br - durante os domingos, pela manhã no mês
de dezembro. E aqui fica a conclamação para que todas as Rádios,
comerciais, culturais e comunitárias, façam o mesmo.
Aproveitemos, pois, o Advento, para pensar um pouco no mundo -
ocidental - em que vivemos, pluri-cultural, multi-étnico, democrático,
embora essencialmente cristão -, como síntese da razão helênica
cevada na antiga Grécia e a fé de um homem simples que
peregrinou pela Galileia e deixou, indelével, sua mensagem.
Hoje vivemos um momento difícil de nossa História. A razão e a
liberdade, que pareciam sustentar a construção de um homem
capaz de construir seu próprio destino, transformaram-se no seu
oposto. As esperanças de um mundo melhor parecem soterradas
na multiplicação sem par da miséria, na destruição do Planeta, na
disseminação do vício e da depressão.
Há cem anos era outro o estado de espírito da humanidade. Havia
um grande otimismo entre cientistas, políticos e artistas que faziam
da capital do mundo, Paris, com sua elegante Torre Eiffel, recém
construída, com suas grandes feiras industriais, com suas avenidas
coalhadas de poetas e pintores, uma verdadeira consagração do
mundo novo. Acreditava-se, piamente, que o Reino da
Necessidade, do obscurantismo, das perseguições, estaria
superado em pouco tempo.
Hoje, esse otimismo cedeu lugar à duvida, em alguns casos ao
pessimismo, nos mais agudos, ao desespero. E o pior, parece que
todos rumamos para esse desespero. Fomos “descontruídos” pela
filosofia, pela política, pela arte, pela realidade de um mundo
marcado por duas grande querras que liquidaram praticamente 100
milhões de pessoas no século passado. O sonho do progresso e de
paz num planeta outrora verde transformou-se no pesadelo do
holocausto nuclear. Esta decomposição pode ser vista, como já
dizia o filósofo Cornelius Castoriadis, em 1993 (A Encruzilhada do
Labirinto) “sobretudo, no desaparecimento das significações,no
desaparecimento quase completo dos valores. E este
desaparecimento é, a termo, ameaçador para a sobrevivência do
próprio sistema”.
O que aconteceu...?
Não é fácil responder à esta indagação. Ela move e comove
pessoas do todos os matizes religiosos e ideológicos.
Uma das principais contradições da civilização ocidental talvez seja
sua obstinação em reduzir todas as suas conquistas ao Mercado, e
do Mercado ao dinheiro. Numa sociedade na qual se vale pelo que
se tem, onde o enriquecimento é a medida dos valores sociais e na
qual o lucro se converte no objetivo último da atividade econômica,
a razão se instrumentaliza a serviço dessa causa. Sobra, na
margem, um pequeno espaço para a caridade cristã, para a a ação
de obstinadas ONGs, quando não contaminadas por interesses
espúrios de políticos inescrupulosos, para a proliferação de clubes
de serviços sociais e outros afins. Mas o que é realmente levado a
sério é lucratividade dos setores ditos produtivos, cujo vigor acabará
determinando o nível de emprego e salário, o quantum de
arrecadação de impostos e o volume do comércio em nível global.
Essa razão instrumentalizada para o sacrossanto lucro empresarial
é levada às últimas conseqüências e , na verdade, acaba se
transformando no seu contrário: a des-razão. O que é a
especulação financeira em giros meteóricos, sob o influxo da
telemática e que devora países inteiros pela crise, senão uma
verdadeira paranóia? Como sustentar valores morais, que estão no
cerne da condição humana, como um ser capaz de pensar e erigir-
se socialmente sob o império da Lei, quando um “valor mais
levanta” e impõe sobre todos os demais a sua própria lei, que é a
da supremacia do ter sobre o ser?
O que fizemos da liberdade conquistada, do progresso conquistado,
da razão domada? Onde pusemos o ensinamento platônico de que
primeiro deveríamos velar pelas virtudes, depois pela razão?
Nada...
E assim, de sujeitos capazes , dotados de razão, liberdade e
progresso, na rota do projeto iluminista ocidental da autonomia
humana, fomos, nos degradando.
Aproveitemos, pois, o Advento, o Natal e esse momento de trégua
para uma reflexão sobre nosso destino, hoje ameaçado pela
iminência de um holocausto nuclear. Há tempo para tudo. Agora é
hora de pensar. E pensar com coragem. Com o sentimento de que
seremos imortais por esse pensar e agir. E não apenas só por
orações.
* Coluna originalmente escrita por Paulo Timm em dezembro de
2009 e é adaptada, apenas, a cada ano subseqüente.
Editorial Cultural FM Torres RS -02 DEZ 2025
O ADVENTO
O "advento" é o período de quatro semanas que antecede o Natal ,
iniciando-se, na tradição católica, no primeiro domingo deste
interregno por missas anunciadoras deste tempo, em todos os
cantos do mundo. Trata-se de um período de reflexão e espera, na
expectativa da “Boa Nova” trazida pelo Natal. É um momento para
que nos preparemos para a reunificação das famílias, dos homens
de boa vontade e de todos os povos do mundo, sem rancores , sem
preconceitos, sem outro sentimento que aquele ocupado pelo Amor.
Sim, porque a grande ceia da noite de Natal não é senão um
artifício para a celebração da concórdia entre todos nós. É a
confirmação do Amor, que estará naquela Ceia, no momento da
reunião familiar, quando centenas e até milhares de quilômetros
foram tragados por ansiosos passos em direção a este encontro. -
“Para onde voltamos sempre? Para casa” , se perguntava e
respondia o filósofo Novallis. Pois é em casa, no amplexo familiar,
que renovamos as energias afetivas para enfrentar as adversidades
de um ano novo que já se anuncia. Um ritual, mas que contribui
para pontualizar a monotonia do tempo e das coisas . É em casa,
enfim, que a dor dói menos e a alegria é mais alegre.
O "advento" foi celebrado na Idade Média com belos cantos
gregorianos, os quais que induzem à meditação e ao mistério-
http://www.youtube.com/v/lfwuZaf6WXw&fs=1&source=uds&autopla
y=1 . Esses belos cânticos, aliás, podem ser ouvidos na Radio Mec
- www.radiomec.com.br - durante os domingos, pela manhã no mês
de dezembro. E aqui fica a conclamação para que todas as Rádios,
comerciais, culturais e comunitárias, façam o mesmo.
Aproveitemos, pois, o Advento, para pensar um pouco no mundo -
ocidental - em que vivemos, pluri-cultural, multi-étnico, democrático,
embora essencialmente cristão -, como síntese da razão helênica
cevada na antiga Grécia e a fé de um homem simples que
peregrinou pela Galileia e deixou, indelével, sua mensagem.
Hoje vivemos um momento difícil de nossa História. A razão e a
liberdade, que pareciam sustentar a construção de um homem
capaz de construir seu próprio destino, transformaram-se no seu
oposto. As esperanças de um mundo melhor parecem soterradas
na multiplicação sem par da miséria, na destruição do Planeta, na
disseminação do vício e da depressão.
Há cem anos era outro o estado de espírito da humanidade. Havia
um grande otimismo entre cientistas, políticos e artistas que faziam
da capital do mundo, Paris, com sua elegante Torre Eiffel, recém
construída, com suas grandes feiras industriais, com suas avenidas
coalhadas de poetas e pintores, uma verdadeira consagração do
mundo novo. Acreditava-se, piamente, que o Reino da
Necessidade, do obscurantismo, das perseguições, estaria
superado em pouco tempo.
Hoje, esse otimismo cedeu lugar à duvida, em alguns casos ao
pessimismo, nos mais agudos, ao desespero. E o pior, parece que
todos rumamos para esse desespero. Fomos “descontruídos” pela
filosofia, pela política, pela arte, pela realidade de um mundo
marcado por duas grande querras que liquidaram praticamente 100
milhões de pessoas no século passado. O sonho do progresso e de
paz num planeta outrora verde transformou-se no pesadelo do
holocausto nuclear. Esta decomposição pode ser vista, como já
dizia o filósofo Cornelius Castoriadis, em 1993 (A Encruzilhada do
Labirinto) “sobretudo, no desaparecimento das significações,no
desaparecimento quase completo dos valores. E este
desaparecimento é, a termo, ameaçador para a sobrevivência do
próprio sistema”.
O que aconteceu...?
Não é fácil responder à esta indagação. Ela move e comove
pessoas do todos os matizes religiosos e ideológicos.
Uma das principais contradições da civilização ocidental talvez seja
sua obstinação em reduzir todas as suas conquistas ao Mercado, e
do Mercado ao dinheiro. Numa sociedade na qual se vale pelo que
se tem, onde o enriquecimento é a medida dos valores sociais e na
qual o lucro se converte no objetivo último da atividade econômica,
a razão se instrumentaliza a serviço dessa causa. Sobra, na
margem, um pequeno espaço para a caridade cristã, para a a ação
de obstinadas ONGs, quando não contaminadas por interesses
espúrios de políticos inescrupulosos, para a proliferação de clubes
de serviços sociais e outros afins. Mas o que é realmente levado a
sério é lucratividade dos setores ditos produtivos, cujo vigor acabará
determinando o nível de emprego e salário, o quantum de
arrecadação de impostos e o volume do comércio em nível global.
Essa razão instrumentalizada para o sacrossanto lucro empresarial
é levada às últimas conseqüências e , na verdade, acaba se
transformando no seu contrário: a des-razão. O que é a
especulação financeira em giros meteóricos, sob o influxo da
telemática e que devora países inteiros pela crise, senão uma
verdadeira paranóia? Como sustentar valores morais, que estão no
cerne da condição humana, como um ser capaz de pensar e erigir-
se socialmente sob o império da Lei, quando um “valor mais
levanta” e impõe sobre todos os demais a sua própria lei, que é a
da supremacia do ter sobre o ser?
O que fizemos da liberdade conquistada, do progresso conquistado,
da razão domada? Onde pusemos o ensinamento platônico de que
primeiro deveríamos velar pelas virtudes, depois pela razão?
Nada...
E assim, de sujeitos capazes , dotados de razão, liberdade e
progresso, na rota do projeto iluminista ocidental da autonomia
humana, fomos, nos degradando.
Aproveitemos, pois, o Advento, o Natal e esse momento de trégua
para uma reflexão sobre nosso destino, hoje ameaçado pela
iminência de um holocausto nuclear. Há tempo para tudo. Agora é
hora de pensar. E pensar com coragem. Com o sentimento de que
seremos imortais por esse pensar e agir. E não apenas só por
orações.
* Coluna originalmente escrita por Paulo Timm em dezembro de
2009 e é adaptada, apenas, a cada ano subseqüente.
EDITORIAL CULTURAL FM Torres –01 DEZ. 2025
Primeiro a República, depois a Democracia, então as
alternativas ideológicas
Ultrapassamos o mês de novembro, sempre muito conturbado
politicamente no Brasil, aí se inserindo, no dia 15 a
Proclamação da República. Muitos, diante daquele fato, já
distante, continuam duvidando de seus caráter e
consequências. Gostariam ter visto, talvez, uma grande marcha
popular sobre os palácios imperiais da Família de Bragança,
desfraldando um novo tempo imediatamente mágico de
realizações sociais. Na Revolução Francesa aconteceu mais ou
menos isso, na Queda da Bastilha, no 14 de julho de 1789,
umbral da Idade Moderna, entranhada pelas mudanças trazidas
pelas Grandes Navegações do século XVI. Não obstante, apesar
do ímpeto revolucionário, Luiz XVI e sua consorte, Maria
Antonieta, soberanos naquele país, apenas se incomodaram
ligeiramente com o ruído dos revoltosos. Conta-se, até, que ao
acordar naquela manhã, ouvindo esse ruído, teria indagado a
seu mordomo, o que estaria acontecendo na cozinha, ao que
este teria respondido atônico: - “Majestade, é uma Revolução”.
Luiz XVI nem se preocupou, continuou sua ablações matinais e
seguiu com sua vida cortesã até 1793, quando, assustado,
pediu a intervenção das coroas vizinhas em seu apoio. Deu uma
de Eduardo Bolsonaro.. Foi seu grande erro. Até ali, a Revolução
havia sido condescendente com a Monarquia. Bastou a traição,
para que o Terror chegasse a Luiz XVI cortando-lhe, não só a
cabeça, como a instituição que representava: A monarquia
absolutista. E mesmo assim, Napoleão se coroaria imperador
ainda que consolidando avanços republicanos. Pois assim
caminham as instituições civilizatórias, aos poucos, nunca de
um lance só. A democracia, por exemplo, não nasce
espontaneamente num surto, mesmo revolucionário. No mundo
ocidental ela partiu da conquista dos Direitos Civis, na
Inglaterra do João sem Terra, avançou sobre os Direitos
Políticos com a Revolução Francesa, culminando na criação de
Partidos Políticos com clivagens sociais e ideológicas ao final
do século XIX e culminou no Século XX com os Direitos Sociais.
Daí Norberto Bobbio dizer que o século XX é o Século dos
Direitos quando o cidadão, além de DEVERES perante o Estado,
passou a ter DIREITOS. Ainda assim, agora, no século XXI
estamos avançando no circuito dos Direitos Culturais e
Ambientais. Um longo processo, portanto, de construção da
democracia. É o que está acontecendo com nosso país. Fizemos
a Independência, em 1822, marco da nossa autonomia política
da Metrópoles, Proclamamos a República, em 1889, com dois
marcos importantes – fim do Poder Moderador e separação da
Igreja do Estado - ; avançamos na Revolução de 1930 como um
passo importantes para a construção de maior soberania
econômica, via industrialização e instituição de escolas
públicas e gratuitas , montagem de instituições reguladoras do
Estado em suas relações com a Sociedade, reconhecimento da
cidadania dos trabalhadores; e continuamos avançando com a
Constituinte que resultou na Contituição Cidadã de 1988, a
única verdadeiramente democrática, tanto em consequência do
número de eleitores , quanto ao processo que a acompanhou.
Ritmo lento, sem dúvida, em razão do forte caráter excludente
de nossa sociedade, marcada pela escravidão, pelo
colonialismo, pela alienação de nossas elites governantes, mas
irrecorrível.
Em 1975 um computador fazia 1000 operações por segundo,
hoje faz mais de 200 mil...
EDITORIAL -Cultural FM Torres – www.culturalfm.com – oct30
O crime organizado: que fazer?
O massacre policial no Rio ainda domina a imprensa no país: 121 mortos. A própria ONU e inúmeras ONGs de Defesa dos Direitos Humanos denunciam excessos e erros da ação policial. Muitas dúvidas sobre a suposta correção da ação de cumprimento de mandatos judiciais e não de uma estratégia de retomada dos territórios controlados pelo NARCO, hoje novamente sob seu controle. Quando o Governo do Rio alega que ficou um ano preparando a ação sobre o Alemão e Penha, esqueceu-se de dizer que essa estratégia foi exclusivamente militar, no sentido de cercar os traficantes. Até aí tudo bem mas o heroísmo das ações policiais, que fez 4 vítimas fatais, são insuficientes para construir uma verdadeira estratégia de combate ao crime organizado que tem no Poder sobre os territórios ocupados sua maior fonte de força e de rendimentos. A droga, hoje, é a menor parte dos ganhos do crime organizado que controla todos os serviços nas áreas ocupadas. Faltou ao Governo do Rio – e não por acaso, em virtude de ser um Governo ideologicamente ligado à extrema direita, já filiado à gramática de Trump, uma ESTRATÉGIA POLÍTICA. Hoje, por acaso, o ESTADO já substituiu nas áreas atacadas o crime organizado? E como justificar a ação de abandono dos cadáveres na mata, sem concluir a zeladoria do local de onde a comunidade acabou recolhendo os cadáveres abandonados. E por que o Governo Federal não se fez presente IMEDIATAMENTE diante da gravidade da ação policial do governo do RIO ? E , quando apareceu, o fez timidamente, ao lado do Governador Castro, sem uma palavra forte de cobrança pelo FRACASSO CRIMINOSO da operação. Aliás , Polícia prende braço-direito e operador, mas deixa escapar chefe do CV: o impacto da megaoperação na cúpula da facção: Secretário de Segurança afirmou que Edgar Alves Andrade, o Doca, usa soldados do Comando Vermelho como barreira para dificultar a sua prisão. Megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha deixou ao menos 120 mortos. Quem mais sofre com essas “operações”? O povo trabalhador.
Tiros em casa, falta de transporte, muito medo: relatos dos cidadãos afetados pela operação no Rio. Por fim, parabéns a ABIN pela divulgação de extenso relatório sobre a rota da droga que , oriunda do Peru e Colômbia, entra no Brasil pela Amazônia, evidenciando, também por aí que o enfrentamento ao crime organizado ou é NACIONAL, com forte presença do Governo Federal, ou é apenas enxugamento de gelo
EDITORIAL CULTURAL FM TORRES/RS www.culturalfm875.com
O Declínio das Amizades – Jorge Saes Recentemente, um artigo na Harvard Business Review analisa como a "recessão das amizades", ou a tendência de declínio de amizades significativas, está lentamente se enraizando em nossas vidas. De acordo com a Pesquisa American Perspectives, o número de adultos americanos que afirmam não ter "nenhum amigo próximo" quadruplicou desde 1990, chegando a 12%. Enquanto isso, o número de pessoas com "dez ou mais amigos próximos" diminuiu em um terço. Uma tendência semelhante está surgindo em áreas urbanas da Índia: enquanto o número de conhecidos aumenta, as amizades profundas estão se tornando cada vez mais raras. No passado, as pessoas conversavam facilmente com estranhos em cafés ou bares. Agora, as pessoas sentam-se sozinhas, desconectadas da multidão. Nos Estados Unidos, o número de pessoas comendo sozinhas aumentou 29% nos últimos dois anos. A Universidade Stanford até lançou um curso chamado "Design para Amizades Saudáveis", que destaca que formar e manter amizades agora exige aprendizado e esforço. Este não é apenas um problema social, mas uma crise cultural. Reservar um tempo para a amizade não deve mais ser um luxo, mas sim uma prioridade. A solidão não é mais uma escolha; está se tornando um hábito. Se não priorizarmos conscientemente a amizade, não só será difícil fazer novos amigos, como também perderemos conexões antigas. Reuniões religiosas, clubes, esportes e organizações voluntárias — todos os quais antes fomentavam a amizade — estão em declínio. Nos limitamos às mídias sociais, às responsabilidades familiares e até mesmo aos animais de estimação. Sim, alguns amigos não se veem mais porque não conseguem deixar seus animais em paz! Hoje, a amizade não faz mais parte da vida cotidiana; ela só acontece quando outras responsabilidades são cumpridas. No entanto, pesquisas enfatizam a importância da amizade. No livro de Bonnie Ware, "Os Cinco Maiores Arrependimentos dos Moribundos", ela destaca um lamento pungente: "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos..." Pesquisas mostram: • O isolamento social aumenta o risco de doenças cardíacas, demência e mortalidade. • É tão prejudicial quanto fumar 15 cigarros por dia. • As amizades melhoram a saúde mental, física e emocional. • O estudo de 80 anos de Harvard concluiu que a maior fonte de felicidade e saúde na vida não é riqueza ou carreira, mas relacionamentos próximos. A verdadeira amizade é como um investimento: perdoe, ligue, crie memórias e passem tempo juntos. Como Mirza Ghalib disse lindamente: “Ó Deus, concede-me a oportunidade de viver com meus amigos... pois posso estar contigo mesmo depois da morte.” Valorize as amizades, reserve um tempo e enriqueça sua vida com relacionamentos amigáveis e significativos. Bom dia amigo. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
Dia Mundial da Alimentação
Dia Mundial da Alimentação é comemorado em 16 de outubro e é uma importante data para avaliarmos problemas como a fome e a segurança alimentar e utricional
O Dia Mundial da Alimentação é comemorado em 16 de outubro em vários países do mundo. Essa data é um importante momento para avaliarmos questões relevantes a respeito da alimentação, tais como a fome, a segurança alimentar e nutricional, e a necessidade da alimentação saudável. A seguir conheceremos um pouco mais sobre o Dia Mundial da Alimentação e sua importância.
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Leia também: Falta de água e segurança alimentar
Tópicos deste artigo
- 1 – Quando o Dia Mundial da Alimentação foi criado?
- 2 – Temas do Dia Mundial da Alimentação
- 3 – Dados sobre a alimentação no planeta
Quando o Dia Mundial da Alimentação foi criado?
O Dia Mundial da Alimentação é celebrado todos os anos no 16 de outubro, data que, em 1945, foi criada a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A primeira vez que a data foi celebrada foi no ano de 1981, e, desse ano em diante, diversos temas importantes já foram debatidos nela.
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, essa data é importante, pois “nos faz refletir sobre a complexidade do ato de se alimentar e a complexa cadeia de produção de alimentos que nos fornece diariamente produtos que compõem a nossa alimentação”.
Assim sendo, o Dia Mundial da Alimentação é um dia de reflexão a respeito de temas relacionados ao comer, tais como a fome, o acesso ao alimento de qualidade e em quantidade suficiente pelas pessoas de todo mundo, e a necessidade de uma alimentação saudável para a vida de cada indivíduo.
Saiba mais: Desnutrição: sintomas, sinais e o perigo da desnutrição
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Temas do Dia Mundial da Alimentação
Todos os anos, diferentes temas relacionados à alimentação são escolhidos para serem abordados no Dia Mundial da Alimentação. Todos os temas selecionados levam-nos a uma reflexão a respeito da situação global do alimento, indo desde a sua produção até o acesso desse alimento pela população e como os indivíduos alimentam-se. A seguir selecionamos alguns dos temas já abordados:
milênio sem fome
- 2001 – Combater a fome para reduzir a pobreza
- 2002 – Água: fonte de segurança alimentar
- 2003 – Trabalhar em conjunto por uma aliança internacional contra a fome
- 2004 – Biodiversidade para a segurança alimentar
- 2005 – Agricultura e diálogo intercultural
- 2006 – Investindo na agricultura para a segurança alimentar
- 2007 – O direito à comida
- 2008 – Segurança alimentar mundial: os desafios das mudanças climáticas e os biocombustíveis
- 2009 – Atingir segurança alimentar em tempos de crise
- 2010 – Unidos contra a fome
- 2011 – Os preços dos alimentos: da crise à estabilidade
- 2012 – Cooperativas agrícolas: a chave para alimentar o mundo
- 2013 – Sistemas sustentáveis agrícolas para segurança alimentar e nutricional
- 2014 – Agricultura familiar: alimentar o mundo e cuidar do planeta
- 2015 – Proteção social e agricultura: quebrando o ciclo da pobreza rural
- 2016 – O clima está mudando, a alimentação e a agricultura também
- 2017 – Mudar o futuro da migração: investir em segurança alimentar e no desenvolvimento rural
- 2018 – Nossas ações são nosso futuro: um mundo #fomezero para 2030 é possível
- 2019 – Dietas saudáveis para um mundo de #fomezero
- 2020 – Cresça, alimente, sustente. Juntos
2021 – As nossas ações são o nosso futuro. Melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhor qualidade de vida
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Temas do Dia |
Dados sobre a alimentação no planeta
Infelizmente, em várias partes do mundo, uma grande quantidade de pessoas sofre devido a problemas relacionados com a alimentação. Enquanto em alguns locais vários indivíduos morrem em decorrência da falta de alimento, outros sofrem as consequências de uma alimentação inadequada.
A fome é um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Confira alguns dados a respeito da alimentação no planeta, de acordo com o relatório “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” da Organização das Nações Unidas (ONU):
- Em 2018, cerca de 821,6 milhões de pessoas passaram fome no mundo.
- Nos últimos anos, tem-se observado um aumento no número de pessoas que passam fome.
- Cerca de 2 bilhões de pessoas não têm acesso regular a alimentos nutritivos, suficientes e que não causam danos.
- 148,9 milhões de crianças menores de cinco anos estão afetadas por atraso no desenvolvimento.
- A fome aumentou na América Latina e Caribe em comparação ao ano de 2016. A América do Sul apresenta o maior número de pessoas com subnutrição na região, devido, principalmente, à deterioração da segurança alimentar na Venezuela. (Aproveite a ocasião e amplie seus conhecimentos a respeito da Crise na Venezuela.)
- A África apresenta as taxas de fome mais altas do mundo.
- O maior número de pessoas subalimentadas (que não ingerem a quantidade necessária de nutrientes) vive na Ásia.
- 40 milhões de crianças menores de cinco anos estão com sobrepeso.
- 672 milhões de adultos são obesos.
O Dia Mundial da Alimentação é comemorado no 16 de outubro, e em cada ano um novo tema é abordado.
Escrito por: Vanessa Sardinha dos SantosPossui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Goiás (2008) e mestrado em Biodiversidade Vegetal pela Universidade Federal de Goiás (2013). Atua como professora de Ciências e Biologia da Educação Básica desde 2008.
Deseja fazer uma citação?
SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “16 de outubro – Dia Mundial da Alimentação”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/16-outubro-dia-mundial-alimentacao.htm. Acesso em 15 de outubro de 2025.
EDITORIAL - FM Torres – www.culturalfm.com 29 set 2025
RS 2026: Lula lidera e para governo e Senado a frente democrática é
decisiva- https://red.org.br/noticias/rs-2026-lula-lidera-e-para-governo-e-senado-a-frente-
democratica-e-decisiva/
Por BENEDITO TADEU CÉSAR*
Um cenário indefinido e desafiante
As eleições de 2026 no Rio Grande do Sul se desenham como um
ponto de inflexão para a centro-esquerda. As mais recentes pesquisas
dos Institutos Real Big Data e Methodus apontam um cenário de
indefinição e equilíbrio instável na disputa pelo governo estadual. Os
dados não apenas revelam empate técnico nas disputas pelo governo
estadual, como também escancaram para a centro-esquerda a
urgência de uma articulação política ampla, em torno de um projeto
democrático, e enraizada socialmente.
Para o Senado, os cenários apontam lideranças distintas a depender
do instituto. O Methodus mostra Pimenta e Manuela à frente,
enquanto o RealTime/Big Data aponta Eduardo Leite com ampla
vantagem. As diferenças entre os levantamentos reforçam a incerteza
do quadro e exigem leitura crítica dos dados.
Três candidaturas em empate técnico
Para o governo do estado, no campo progressista, Edegar Pretto (PT)
e Juliana Brizola (PDT) são nomes que aparecem bem-posicionados.
Colocados em concorrência eles fragmentam uma mesma base,
enquanto unidos constituiriam uma candidatura capaz de largar com
vantagem. Segundo o levantamento do Methodus realizado entre 21 e
22 de setembro, Pretto lidera com 19,2%, seguido de perto por
Luciano Zucco (PL), representante da extrema-direita, com 18,8%, e
Juliana Brizola, com 18,7%.
É importante observar, neste levantamento, o significativo percentual
daqueles que não responderam (15,5%) e dos que declaram intenção
de voto branco ou nulo (14,3%).
Os números do Instituto RealTime/Big Data, levantados durante os
dias 2 e 3 de setembro, são divergentes, como se vê nas tabelas
abaixo, mas, ainda que apontem a liderança de Zucco e incluam o
nome de Sebastião Melo, eles também reforçam a necessidade para a
centro-esquerda de uma ampla articulação que inclua todos os
partidos do campo progressista e democrático.
Intenção de voto para o Governo do Rio Grande do Sul – Setembro 2025 – Menção estimulada % – Real Time Big Data
Menção estimulada % - Real Time Big Data Cenário 1
Zucco (PL) 26 26
Juliana Brizola (PDT 20 20
Edegar Pretto (PT) 19 19
Gabriel Souza (MDB) 12 12
Paula Mascarenhas (PSDB) 4 4
Covatti Filho (PP) 4 4
Branco ou nulo 6 6
Não responderam 9 9
Total 100 100
Intenção de voto para o Governo do Rio Grande do Sul – Setembro 2025 – Menção estimulada % – Real Time Big Data
Menção estimulada % Real Tima Data Cenário 2
Zucco (PL) 24 24
Sebastião Melo (MDB) 21 21
Juliana Brizola (PDT 20 20
Edegar Pretto (PT) 18 18
Paula Mascarenhas (PSDB) 3 3
Covatti Filho (PP) 3 3
Branco ou nulo 5 5
Não responderam 6 6
Total 100 100
A posse de Valdeci Oliveira na presidência estadual do PT reacendeu
o discurso da unidade, com participação ativa do ex-governador Tarso
Genro nas articulações. Surgiram rumores sobre a possibilidade de o
PT ceder a cabeça de chapa a Juliana Brizola, o que provocou
resistências internas. No PSOL, Luciana Genro é nome natural,
embora sofra com a lógica do voto útil frente à polarização.
No caso de Juliana Brizola (PDT) vir a compor uma chapa com um
candidato do MDB, como Gabriel Souza, tal movimento, ainda
especulativo, teria o potencial de deslocar o centro de gravidade da
disputa, favorecendo os interesses da direita. Uma aliança desse tipo
poderia esvaziar o projeto de uma frente democrática com base
programática comum, ao privilegiar uma solução de conveniência
eleitoral sem compromissos sólidos com a transformação social.
Senado: força dispersa ameaça vitória
a atenção a disparidade entre os dados divulgados pelos institutos
RealTime/Big Data e Methodus no que se refere às intenções de voto
para o Senado. Enquanto o primeiro aponta Eduardo Leite com
expressivos 45% e Pimenta com apenas 15%, o segundo mostra um
cenário invertido, com Pimenta e Manuela D’Avila liderando com
32,8% e 30,7%, respectivamente, e Leite com 17%. Essa discrepância
levanta questionamentos sobre a credibilidade metodológica dos
levantamentos e exige uma análise mais cuidadosa sobre
amostragens, períodos de coleta, formulação de cenários e vínculos
institucionais de cada instituto. As pesquisas não são neutras: são
construções que refletem escolhas e contextos.
Intenção de voto para o Senado – Rio Grande do Sul – Setembro 2025 – Menção estimulada % – Dois votos – Real Time Big Data
Menção esimulada %/ Dois votos - Real Big Time Cenário 1
Eduardo Leite (PSD) 45 45
Manuela D’Ávila (sem partido) 24 24
Marcel Van Hattem (NOVO) 17 17
Sanderson (PL) 16 16
Paulo Pimenta (PT) 15 15
Luiz Carlos Heinze (PP 13 13
Osmar Terra (MDB) 8 8
Marco Biolchi (MDB) 3 3
Branco ou nulo 7 7
Não responderam 4 4
Intenção de voto para o Senado – Rio Grande do Sul – Setembro 2025 – Menção estimulada % – Dois votos – Real Time Big Data
Menção estimulada % Real Big Time Cenário 2
Manuela D’Ávila (sem partido) 28 28
Marcel Van Hattem (NOVO) 22 22
Paulo Pimenta (PT) 20 20
Sanderson (PL) 19 19
Luiz Carlos Heinze (PP 15 15
Osmar Terra (MDB) 13 13
Marco Biolchi (MDB) 5 5
Branco ou nulo 9 9
Não responderam 7 7
O Senado terá duas vagas em disputa e o dado mais eloquente não é
a posição dos nomes, mas o alerta: o campo de centro esquerda soma
mais de 60% das intenções de voto ao Senado, o que lhe garantiria a
conquista das duas vagas em disputa, caso os dados do Instituto
Methodus sejam os corretos e a tendência se mantenha.
Os dados do levantamento RealTime/Big Data, no entanto, apontam
para um cenário diferente em que a centro-direita, com Eduardo Leite,
ocupa importante espaço na disputa de uma vaga ao Senado e a
extrema-direita também se faz presente. Na ausência de Eduardo
Leite, a extrema-direita passa a ocupar significativo espaço na
disputa. A somatória das intenções de voto de van Hatten (22%),
Sanderson (19%), Heinze (15%) e Terra (13%) atinge 69%, de acordo
com o cenário 2 da pesquisa.
Confirmado este cenário como uma tendência, o campo progressista
precisará concorrer unido para a conquista de uma das vagas, para
não correr o risco de repetir o desempenho de 2022, quando a única
vaga em disputa foi conquistada pela direita, devido à forma de
composição da chapa.
Naquele pleito, o ex-governador Olívio Dutra concorreu ao Senado
numa chapa puro sangue da esquerda, sem composição mais ampla:
ele (PT) encabeçava a chapa, tendo Roberto Robaina (PSOL) como
primeiro suplente e Bruna Rodrigues (PCdoB) como segunda suplente.
A opção por não formar uma aliança estratégica e ampliar a base
eleitoral acabou por dificultar a consolidação de uma candidatura
competitiva o suficiente para derrotar o general Hamilton Mourão,
que foi eleito mesmo sem vínculos políticos com o estado. A lição
permanece atual: sem articulação mais ampla, a fragmentação das
forças de centro-esquerda pode custar caro.
Importa destacar, ainda, a decisão do senador Paulo Paim (PT) de não
concorrer à reeleição. Figura histórica da luta pelos direitos sociais e
da resistência democrática, Paim declarou publicamente que é hora
de renovar as lideranças e abrir espaço para novas vozes no Senado.
Apesar das pressões internas para que reconsiderasse sua decisão,
ele manteve sua posição, reiterando o compromisso com a renovação
política e com a construção de uma frente unificada.
Lula lidera e projeta força no RS
A performance de Lula nas pesquisas presidenciais reforça esse
diagnóstico. O petista lidera tanto na sondagem estimulada quanto na
espontânea no estado. Com 23,6% na estimulada, ele aparece à
frente de Michele Bolsonaro (17,2%), Eduardo Leite (15,3%) e Tarcísio
de Freitas (14,9%). Na espontânea, a vantagem se mantém: Lula
marca 18,3% contra 12,5% de Jair Bolsonaro. Esses números indicam
uma base sólida no eleitorado gaúcho, que pode irradiar força para as
candidaturas locais se houver articulação eficaz.
Hegemonia ou aliança?
Entretanto, não há vitória possível sem enfrentar o problema da
fragmentação. O PT precisa abandonar qualquer resquício de
pretensão hegemônica. Seu tamanho e capilaridade eleitoral não
justificam, por si só, a liderança automática de uma frente ampla.
Liderar, neste contexto, é ceder quando necessário, articular com
generosidade e reconhecer a legitimidade de outras forças políticas.
O PDT, por sua vez, precisa abandonar antigas alianças à direita que o
tem levado a ambiguidades programáticas em relação a sua história
política. É hora de retomar o fio histórico do trabalhismo democrático,
que sempre se fez em diálogo com os interesses populares. O PSOL,
com Luciana Genro, tem um papel relevante, mas precisa ponderar
entre o valor da afirmação de sua identidade e a efetividade da
disputa eleitoral.
O PSB precisa reencontrar sua coerência política. Sua trajetória,
marcada pela defesa da justiça social, da educação pública e do
desenvolvimento sustentável, e sua atuação hoje em nível nacional
não autorizam ambiguidades, nem alianças oportunistas. O partido
tem responsabilidade estratégica na construção da frente
democrática e precisa se posicionar com clareza ao lado das forças
progressistas.
Uma frente democrática por projeto
A construção de uma frente democrática precisa partir de critérios de
viabilidade e compromisso programático, e não da simples soma de
legendas. Precisa incluir mecanismos transparentes de definição de
candidaturas, com base em dados, pesquisas e pactos partidários.
Não se trata de apagar diferenças, mas de organizá-las em torno de
um horizonte comum: barrar o avanço autoritário e disputar o poder
com projeto, coragem e responsabilidade.
Bancadas são parte da equação
Também não se pode negligenciar a importância das bancadas
legislativas. A transformação social e econômica que o quarto
mandato de Lula exige passa, necessariamente, por uma base
parlamentar sólida e comprometida. A Assembleia Legislativa do RS e
o Congresso Nacional seguem dominados por forças conservadoras
que bloqueiam reformas, impõem retrocessos e inviabilizam políticas
públicas estruturantes. É preciso eleger deputadas e deputados
alinhados com um projeto de soberania, justiça social e democracia.
Cinco passos para a construção da unidade
Diante disso, cinco movimentos se impõem:
1. Criação de instâncias de deliberação compartilhadas entre
partidos democráticos;
2. Formulação de um programa mínimo com eixos estratégicos
claros;
3. Cessão estratégica de protagonismos para garantir unidade;
4. Mobilização imediata das bases e lideranças;
5. Disputa direta dos indecisos e abstencionistas, que ainda
representam um contingente decisivo.
Unidade ou derrota
As pesquisas não oferecem certezas, mas pistas. E todas apontam
para o mesmo sentido: a vitória do campo progressista no Rio Grande
do Sul depende, essencialmente, de sua capacidade de construir
unidade com método, inteligência política e compromisso
democrático. Fragmentado, será derrotado. Articulado, tem todas as
condições para vencer, governar e transformar.
*Colaborou Maria da Graça Pinto Bulhões, Dra. em Sociologia,
Professora aposentada da Universidade Federadl do Rio Grande do
Sul e integrante da Coordenação do Comitê em Defesa da Democracia
e do Estado Democrático de Direito – Benedito Tadeu César é
cientista político e professor aposentado da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialista em democracia, poder e
soberania, integra a Coordenação do Comitê em Defesa da
Democracia e do Estado Democrático de Direito e é diretor
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
Perguntas que LULA poderia fazer a Trump num eventual encontro,
respondendo à tentativas de humilhação:
ONU divulga foto de Trump assistindo ao discurso de Lula na
Assembleia Geral
A reação de Eduardo Bolsonaro https://www.metropoles.com/mundo/eduardo-
bolsonaro-se-manifesta-apos-trump-elogiar-lula-na-onu
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Acabou o monopólio toxico do acesso à Casa Branca,
via Eduardo Bolsonaro e o Secretário de Estado Marco
Rúbio. Ontem, na ONU, Lula e Trump se encontraram e
se abraçaram. Deve conversar, a convite de Trump,
que diz ter gostado de Lula e o achado um “homem
bom”, semana que vem. Abre-se, assim, uma nova fase
nas relações entre EUA e Brasil. Abaixo, algumas
questões que podem pautar a fala dos dois líderes.
Além do superavit de US$ 400 bilhões na Balança
Comercial a favor dos Estados Unidos nos últimos 15
anos:, eis algumas questões a serem esclarecidas ao
Presidente Trump:
- O Senhor sabe quantas empresas americanas operam com toda
liberdade no Brasil?
- O Senhor sabe quanto que elas enviam aos Estados Unidos, em
dólares, a título de roylties, assistência técnica e LUCROS?
- O Senhor sabe quantos brasileiros visitam os Estados Unidos
anualmente?
- O Senhor sabe quantos estudantes brasileiros estudam em
Universidades americanas pagando suas respectivas anuidades?
Nos últimos cinco anos, 186 empresas americanas anunciaram novos projetos no Brasil.
Atualmente, cerca de 3,7 mil companhias dos Estados Unidos operam no país, concentrando-se em setores de alto
valor agregado, como indústria de transformação, serviços financeiros e tecnologia da informação.
Dez maiores investimentos anunciados por empresas americanas no Brasil (2020-2024), segundo a CNI
Bravo Motor Company: US$ 4,36 bi
Microsoft: US$ 3,03 bi
CloudHQ: US$ 3 bi
Amazon: US$ 2,84 bi
New Fortress Energy: US$ 1,26 bi
ICM: US$ 1,22 bi
Atlas Renewable Energy: US$ 1,09 bi
Digital Reality Trust: US$ 0,6 bi
Equinix: US$ 0,51 bi
Jefferies Group: US$ 0,51 bi
Fonte: CNI.
- O Senhor sabe que cerca de 20% dos Títulos da Dívida Pública brasileira estão nas mãos de fundos de
investimentos americanos, recebendo em torno de 15% de juros a.a. e pagos rigorosamente em dia, em dólares?
- O Senhor sabe quantas empresas americanas estão na Bolsa de Valores de São Paulo , a qual tem tido nas
últimas semanas recordes em pontos?
Genial
https://blog.genialinvestimentos.com.br
9 Maiores empresas americanas listadas na bolsa em …
30 de jun. de 2025 · Você pensa em investir ou expor seu capital ao mercado internacional? Se sim, confira as 9
maiores empresas americanas listadas na …
ADVFN Brasil
https://br.advfn.com › bolsa-de-valores › bovespa › analise-da-empresa
Análise da Empresa Americanas ON (AMER3) - Ações Bovespa
5 dias atrás · Indicadores técnicos de análise do ativo AMER3 (Americanas ON) com preços de ações,
gráfico, forum, dividendos e balanços na bolsa de valores da Bovespa
- O Senhor sabe que o Brasil tem investimentos nos Estados Unidos, a
saber, US $ 350 bilhões em Títulos do Governo Americano e cerca de
US$ 100 bilhões em investimentos diretos, só no ano 2024?
- O Senhor sabe que o Brasil é um país tropical, etnicamente plural,
de maioria negra e parda, um milhão de protegidos povos originários,
variadas correntes migratórias, dentre as quais alemães, italianos,
russos e ucranianos, árabes e judeus, todos convivendo
fraternamente, com grande diversidade cultural, detentor de uma das
melhores músicas populares do mundo, com bom futebol,
maravilhosos carnaval e simultaneamente o maior país cristão do
mundo, com festas religiosas que movem milhares de pessoas na
Basília de Aparecida, nas ruas de Belém e Salvador, além de imensas
procissões no Dia de Nossa Senhora dos Navegantes?
- O Senhor sabe que o Brasil participou com 20 mil “pracinhas”, ao
lado dos Aliados, sob o comendo militar dos americanos na II Guerra
Mundial, deixando mais de duas mil vítimas nos campos da Itália?
- O Senhor sabe que o Brasil é um dos quatro maiores países do
mundo, ao lado dos EUA, China, India , em termos de território,
população e PIB?
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
A PEC DA BLINDAGEM TEM REJEIÇÃO GERAL E DEVE SER ANULADA
A aprovação da PEC dita da blindagem de parlamentares tem rejeição geral da sociedade. Como assumir que a condição do exercício de uma função de representação possa liberá-los para roubar, estuprar e até assassinar ? Políticos, mesmo conservadores, como as Senadoras Margareth do PP e Damares Alves do PL, analistas, lideranças nacionais a consideram um atentado aos princípios republicanos, sobretudo da igualdade de todos perante a Lei. Eis o editorial de O GLOBO de ontem:
“Senado tem dever de barrar PEC da Blindagem - Por O Globo - Na prática, texto aprovado na Câmara transforma parlamentares em cidadãos acima da lei
Motivos não faltam para o Senado rejeitar ou engavetar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada na Câmara. A PEC abre caminho à impunidade no Congresso. Ao exigir licença da respectiva Casa para abertura de processos criminais contra parlamentares e ao incluir os presidentes de partidos políticos entre os submetidos ao foro do Supremo Tribunal Federal (STF), o texto tira do Judiciário autonomia para julgá-los. Na prática, transforma os ocupantes de cargos eleitos em cidadãos acima da lei. Basta lembrar que, ao longo dos 13 anos em que vigorou regra semelhante, apenas um parlamentar foi processado”
Vários colunistas da grande imprensa também se manifestaram negativamente diante da referida PEC:
Retrocesso lamentável. Por Merval Pereira - O Globo - Resta ao Senado restaurar pelo menos em parte a credibilidade da classe política brasileira, derrubando a PEC da Blindagem
O grande vencedor. Por Malu Gaspar - O Globo - A história da aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados na noite de terça-feira, a toque de caixa, com 344 votos de quase todos os partidos, equivale a uma espécie de manual de como opera a política no Brasil.
Antes de mais nada, é a prova de que, quando os nobres parlamentares querem, não há o que impeça nem o mais rematado dos absurdos. Há pelo menos quatro anos a ideia de dificultar ou impedir investigações contra parlamentares circula em diferentes formatos. A primeira versão, apresentada em 2021 na gestão de Arthur Lira (PP-AL), já previa que nenhum processo contra deputado ou senador poderia ser aberto sem autorização do próprio Congresso.
PEC da Blindagem e anistia são inconstitucionais. Thiago Amparo - Folha de S. Paulo -Medidas violam o princípio republicano de que ninguém está acima da lei
Constituição não permite a criação de uma casta de semideuses
O centrão e bolsonaristas querem praticar crimes, como golpe de Estado e corrupção, sem serem presos, condenados ou investigados. É o que a PEC da Blindagem e o PL da anistia fazem. As medidas são inconstitucionais, porque, entre outras razões, restringem a função primordial de outro Poder —o Judiciário— de decidir sobre ilicitudes graves e violam o princípio republicano de que ninguém está acima da lei
Câmara aprova voto secreto para blindar parlamentares contra o Supremo. Por Luiz Carlos AzedO -Correio Braziliense - Deputados agem como se pudessem reinventar o passado e ressuscitar mecanismos que sempre serviram à impunidade dos poderosos, sob comando de Hugo Motta
A Câmara dos Deputados decidiu restabelecer o voto secreto para analisar a abertura de processos contra parlamentares pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de 70 congressistas estão sendo investigados por desvio de recursos de emendas parlamentares. A decisão é um retrocesso político, que visa a perpetuar várias práticas de autoproteção da atual “elite” política do Congresso.
Tal decisão, com tanta desfaçatez, fragiliza a democracia e desmoraliza uma de suas principais instituições. Quando havia essa prerrogativa, de 250 deputados investigados, somente um foi punido. Querem ressuscitar a regra porque os deputados dispõem de tantos recursos provenientes dessas emendas, em média R$ 50 milhões cada, que podem dar as costas à sociedade e comprar os votos necessários para sua reeleição, em evidente disparidade de armas em relação aos demais candidatos.
Com PEC vergonhosa, Câmara chafurda em seu esgoto moral. Por Marcos Augusto Gonçalves - Folha de S. Paulo - Deputados aprovam liberdade para delinquência parlamentar e urgência de projeto desconhecido de anistia
Proposta, com voto secreto na blindagem, parece encomenda do PCC; caberá ao Sendo rejeitar descalabros
Com a aprovação da PEC da blindagem, já consagrada como PEC da bandidagem, a Câmara dos Deputados mostrou até que ponto vai a delinquência de sua maioria nesta legislatura. Os representantes do povo traem a missão republicana e colocam-se à altura de suas mais baixas ambições.
A bateria de dispositivos para impedir que congressistas possam responder à Justiça por suspeita ou evidência de crimes é uma das iniciativas mais descaradas da história política brasileira. A instituição do voto secreto para negar o acesso da lei à casta parlamentar, em mutreta do invertebrado Hugo Motta e do centrão, nos leva aos tempos da ditadura militar, quando se sustentava uma farsa no Congresso para tentar tapar com a peneira o vale tudo do arbítrio institucionalizado
No Congresso, o fundo do poço não tem fim. Por Adriana Fernandes - Folha de S. Paulo - Manobra do PL para livrar Eduardo Bolsonaro desmoraliza a oposição
Motta precisa explicar se fez acordo com partido para aceitar filho de ex-presidente como líder mesmo fora do país
A indicação pelo PL de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria na Câmara na tentativa de salvar o parlamentar de um processo de cassação do mandato por faltas é o retrato da completa desmoralização da oposição no Brasil.
Dos Estados Unidos, onde estimula o tarifaço de produtos brasileiros e novas ameaças de sanções do governo Donald Trump, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não poderá despachar uma pauta, discutir as propostas, encaminhar a votação
Reação à PEC mostra passo em falso de Hugo Motta. Por Maria Cristina Fernandes - Valor Econômico - Lula, Senado e STF reagem à investida da Câmara para blindar parlamentares
Os institutos que aferem a movimentação nas redes sociais amanheceram, nesta quarta, com um atestado inconteste de rejeição à PEC da blindagem. Do Senado, desde a véspera, já choviam reações negativas à proposta. Nada disso foi capaz de impedir que a Câmara dos Deputados, no início da tarde, ampliasse ainda mais a abrangência da PEC com o voto secreto às sessões destinadas a avalizar processos contra seus pares no Supremo Tribunal Federal.
Das razões desse desatino se depreendem muitas das motivações da caixa de ressonância e, principalmente, de dissonâncias, que está a ensurdecer a capital federal. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou ao gabinete do presidente da República, na segunda-feira, como portador de uma proposta para que o governo apoiasse a PEC da blindagem em troca de uma anistia restrita à redução de penas
O Presidente Lula chegou a afirmar que “não foi coisa séria”. Causou espécie, aliás, o fato de que 10 deputados do PT a tenham subscrito, além de outros do PDT, MDB e PSB. Explicaram os petistas que a Liderança do Partido não fechou questão sobre a matéria e que teriam se inclinado pelo projeto como moeda de troca para a aprovação do Projeto que isenta do Imposto de Renda os que recebem até cinco mil reais. Explica, mas não justifica. O ex governador Tarso Genro foi incisivo:
“É inadmissível que deputados do PT tenham aprovado a PEC de proteção da bandidagem, que além de ser viciada por flagrante inconstitucionalidade, tem uma finalidade espúria: bloquear a ação da Justiça para penalizar criminosos com mandatos.
A Executiva Nacional do PT tem obrigação de dar uma explicação pública a respeito destes votos que, objetivamente, reforçam o golpismo continuado ainda em curso e enfraquecem o STF como "guardião da constituição".
Faço a ressalva que os seis deputados federais do PT do RS votaram contra a proposta”
Pairou, também, no ar a suposição de que o Presidente Lula teria negociado com Hugo Motta a aceitação da PEC da Blindagem em troca da aprovação da Isenção do Imposto de Renda, o que teria levado a Liderança do PT a não fechar questão sobre o projeto, mas a forte reação de Lula indica não passarem de rumores tais acusações.
O Projeto, enfim, é um escândalo que redefine o equilíbrio dos Poderes Republicanos e retira do Judiciários a última palavra sobre a constitucionalidade dominante. Deve ser rejeitado pelo Senado.
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EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
PEQUENOS ASSASSINATOS
A acumulação de capital na era neoliberal , por Emir Sader
A era neoliberal marcou a desregulamentação, a financeirização da economia e a intensificação das desigualdades sociais no Brasil e no mundo
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Se a eleição de Trump nos Estados Unidos marcou uma radicalização naquele país, com risco, como afirmou Tomaz Friedman, jornalista do NYTimes, de levar o país ao suicídio, com uma guerra civil interna, o assassinato do extremista de direita, Kirk, convertido em mártir, está agudizando ainda mais a polarização política americana. O próprio NYTimes foi multado em R$ 79 milhões acusado de ser o porta-voz do Partido Democrata. E se for? Isso é crime? É o corolário da perseguição à tradicionais Universidades americanas, como Harvard, que tiveram as verbas públicas para importantes pesquisas científicas suspensas, com prejuízo para toda a humanidade. Sob a acusação de combater a “esquerda”, de resto tradicionalmente mais social-democrata do que extremista revolucionária, o movimento trumpista reedita na América a intolerância típica dos tempos do nazi-fascismo, acusando os esquerdistas de violentos. Ora, não por acaso um dos suportes de Hitler em sua ascensão ao Poder, em 1933 foi a S.A., uma organização paramilitar, fardada, voltada à prática da violência, primeiro contra líderes sindicais e socialistas, depois, contra os judeus. S.A. , do alemão, aliás – Sturm Apteilung - signfica exatamente isso: turma da pauleira.
Mas como o mundo está globalizado e transformado numa Aldeia Global pela Internet, a crise que traz o extremismo de direita à tona, com milhões de trabalhadores desempregados pela desindustrialização, submetidos à dura precarização do trabalho em regimes altamente competitivos do mercado de trabalho, tudo associado aos cortes de programas de assistência social que outrora caracterizam o Estado de Bem Estar, isso se espalha pelo mundo e o mergulha numa era de insegurança. Não estamos livres, no Brasil, apesar da resistência que demonstramos diante da ofensiva golpista de Bolsonaro, aliado de Trump, deste processo. O bolsonarismo como deboche às instituições cresceu, multiplicou-se e está disseminado na sociedade. Provam-no as pesquisas de opinião que revelam uma fatia considerável de brasileiros que justificam a ação de Eduardo Bolsonaro junto à Casa Branca para prejudicar o país. A oposição conservadora na CÂMARA DOS DEPUTADOS chega ao cúmulo de propô-lo com Líder da Minoria, quando sequer está em território nacional. Tempos, enfim, de grande tensão e que se traduzem pela extensão da intolerância de governos autoritários para a própria sociedade que passa a atacar, nos redutos menos esperados, como festivais culturais, academias e eventos públicos pessoas que não comunguem do extremismo de direita. Isso ocorreu agora num festival literário do Estado de São Paulo quando a jornalista M. Lacombe foi desconvidada a participar de uma mesa de debates. Abaixo, vejam o depoimento de um leitor de Uruguaiana, RS, relatando a existência de listas produzidas por bolsonaristas que induzem à perseguição de pessoas que não comunguem do credo. Credo, sim, porque derivado de seita. Verdadeiro absurdo, mas que adverte para a gravidade dos tempos que estamos vivendo. Tudo indica que os extremistas não querem a pacificação do mundo, nem do país. Querem o império absoluto de suas ideias, mesmo com o sacrifício da democracia, cada vez mais identificada como esquerdista. Desconhecem que a democracia é um valor universal indispensável ao processo civilizatório, onde preferências ideológicas, como o gosto e o desgosto de cada um, são inevitáveis. Tudo muito lamentável. E perigoso.
URUGUAIANA E SEUS "CARRASCOS VOLUNTÁRIOS"?
Roger Baigorra Machado - oonesdrStpu3m3ucu2t251463iau1t20m111t941f629h26472 hf4ul2202 ·
Esse texto é sobre Uruguaiana, no entanto, antes, precisamos voltar um pouco no tempo. Ir para 1º de abril de 1933, quando a Alemanha nazista deu início ao “Judenboykott”. Talvez você nunca tenha ouvido essa palavra estranha, mas aqui, na pontinha do mapa do Brasil, ela está mais atual do que parece. Afinal, a história se repete, primeiro como tragédia e, depois, como farsa.
O “Judenboykott”, numa tradução livre, significa “boicote aos judeus”. Os nazistas se diziam os únicos homens e mulheres puros do mundo, os únicos com direito à política, à liberdade e à propriedade. Negros, deficientes, latinos, gays, comunistas, anarquistas, judeus, todos eram a expressão do mal. Por óbvio, que as demissões e as perseguições não demoraram a acontecer.
Naquele ano, listas começaram a circular nas cidades alemãs. Trazendo nomes de jornalistas, professores, médicos, advogados e comerciantes que, ou eram contrários ao regime, ou não eram "puros" o suficiente. As listas serviam para perseguir pessoas e boicotar seus negócios, até levá-los à falência, abrindo espaço para “alemães puros”. Ao lado de cada loja de um comerciante judeu, soldados das “Sturm Abteilung” intimidavam clientes para que não comprassem ali. Assim o nazismo iniciava a perseguição.
Avancemos no tempo...
Uruguaiana, 15 de setembro de 2025. Bolsonaristas começam a compartilhar pelo whatsapp e em redes sociais postagens onde dizem que “esquerdistas devem ser demitidos”. Afirmam, também, que possuem uma lista com nomes de empresas, profissionais liberais e pequenos negócios que devem ser boicotados.
O motivo? Os proprietários e os trabalhadores têm opinião política diferente.
Assistimos em Uruguaiana a mesma lógica do “Judenboykott” da Alemanha hitlerista. Nomear opositores, negar-lhes direitos políticos, perseguindo-os através de campanhas de demissões, assim como, do boicote a seus negócios. E o pior é que essa não é a primeira vez. Aqui em Uruguaiana, em 2022, o mesmo comportamento aconteceu. Eles fingem confundir "liberdade de expressão" com liberdade para agredir, ofender e perseguir.
Vi algumas destas postagens, "demita o esquerdista", "não compre de esquerdista"... e lembrei-me de um livro que li nos início dos anos 2000, chamado "Os carrascos voluntários de Hitler", do Daniel Goldhagen, então, professor de Harvard. A tese do livro é de que os alemães não foram obrigados à perseguir judeus, tão pouco, tiveram de cumprir ordens de forma forçada, muitos foram voluntários. Tinham consciência do que estavam fazendo e queriam fazer. Pessoas comuns, tornavam-se assassinos ou delatores. O "holocausto", a máquina de morte hitlerista, não foi algo frio ou mecânico, mas uma tragédia feita por pessoas, por gente comum. Seres humanos que aceitaram, com naturalidade, as listas. Depois, aceitaram demitir, boicotar, perseguir, espancar e matar.
Aos amigos e conhecidos que tenham recebido algum tipo de lista ou pedido para que demitam pessoas de esquerda, pensem no que isso significa. Pensem no tipo de comportamento que isso estimula.
Todos sabemos o que aconteceu com os judeus “demitidos”.
Ainda vivemos num Estado Democrático de Direito, onde somos livres para divergir, debater e termos visões de mundos diferentes E, apesar de alguns se comportarem como nazistas, Uruguaiana não é, nem será, um lugar para o nazismo, fascismo ou qualquer "ismo" que atente contra as pessoas. Nem você é.
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EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis Luiz Inácio Lula da Silva - New York Times, 14 de setembro de 2025,
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Documentario O FIM DO BOLSONARO
https://www.youtube.com/live/G9VBH93V6VM
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Decidi escrever este ensaio para estabelecer um diálogo aberto e franco com o presidente dos Estados Unidos. Ao longo de décadas de negociação, primeiro como líder sindical e depois como presidente, aprendi a ouvir todos os lados e a levar em conta todos os interesses em jogo. Por isso, examinei cuidadosamente os argumentos apresentados pelo governo Trump para impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A recuperação dos empregos americanos e a reindustrialização são motivações legítimas. Quando, no passado, os Estados Unidos levantaram a bandeira do neoliberalismo, o Brasil alertou para seus efeitos nocivos. Ver a Casa Branca finalmente reconhecer os limites do chamado Consenso de Washington, uma prescrição política de proteção social mínima, liberalização comercial irrestrita e desregulamentação generalizada, dominante desde a década de 1990, justificou a posição brasileira. Mas recorrer a ações unilaterais contra Estados individuais é prescrever o remédio errado. O multilateralismo oferece soluções mais justas e equilibradas. O aumento tarifário imposto ao Brasil neste verão não é apenas equivocado, mas também ilógico. Os Estados Unidos não têm déficit comercial com o nosso país, nem estão sujeitos a tarifas elevadas. Nos últimos 15 anos, acumularam um superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral de bens e serviços. Quase 75% das exportações dos EUA para o Brasil entram isentas de impostos. Pelos nossos cálculos, a tarifa média efetiva sobre produtos americanos é de apenas 2,7%. Oito dos 10 principais itens têm tarifa zero, incluindo petróleo, aeronaves, gás natural e carvão. A falta de justificativa econômica por trás dessas medidas deixa claro que a motivação da Casa Branca é política. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, teria dito isso no início deste mês a um grupo de líderes empresariais brasileiros que trabalhavam para abrir canais de negociação. O governo americano está usando tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que orquestrou uma tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, em um esforço para subverter a vontade popular expressa nas urnas. Tenho orgulho do Supremo Tribunal Federal (STF) por sua decisão histórica na quinta-feira, que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito. Não se tratou de uma "caça às bruxas". A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. A decisão foi resultado de meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do STF. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022. O governo Trump acusou ainda o sistema judiciário brasileiro de perseguir e censurar empresas de tecnologia americanas. Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil. É desonesto chamar regulamentação de censura, especialmente quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra de ilegalidade, onde pedófilos e abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes. Igualmente infundadas são as alegações do governo sobre práticas desleais do Brasil no comércio digital e nos serviços de pagamento eletrônico, bem como sua suposta falha em aplicar as leis ambientais. Ao contrário de ser injusto com os operadores financeiros dos EUA, o sistema de pagamento digital brasileiro, conhecido como PIX, possibilitou a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia. Nos últimos dois anos, reduzimos a taxa de desmatamento na Amazônia pela metade. Só em 2024, a polícia brasileira apreendeu centenas de milhões de dólares em ativos usados em crimes ambientais. Mas a Amazônia ainda estará em perigo se outros países não fizerem a sua parte na redução das emissões de gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas globais pode transformar a floresta tropical em uma savana, interrompendo os padrões de precipitação em todo o hemisfério, incluindo o Centro-Oeste americano. Quando os Estados Unidos viram as costas para uma relação de mais de 200 anos, como a que mantêm com o Brasil, todos perdem. Não há diferenças ideológicas que impeçam dois governos de trabalharem juntos em áreas nas quais têm objetivos comuns. Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta. Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que “nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo”. É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos.
Luiz Inácio Lula da Silva é o presidente do Brasil.
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Indagado se irá negar vistos à delegação brasileira à Assembleia da ONU, TRUMP disse estar chateado com o Brasil porque nosso Governo passou para a esquerda. Boa oportunidade para se esclarecer uma questão crucial sobre ideologia política. Esquerda e Direita são – ou eram - expressões "normais" nas Democracias Ocidentais. O que é ANORMAL, na última década, é a emergência de uma extrema direita, que é até proibida em alguns desses países. Chegam ao poder e estigmatizam a esquerda, classificando=a como EXTREMISTA e INIMIGA, tal como está acontecendo nos EUA neste segundo mandatoi de Trump. Lamentável. Isso já havia acontecido, no início do século XX na Itália, Japão e Alemanha, levando-os à deflagração da II Guerra. Naquele tempo ainda tivemos a sorte de contar no bloco ocidental, contra eles, vários países, principalmente Inglaterra, França e Estados Unidos. Eram os ALIADOS. Venceram a guerra e abriram o mundo ocidental para uma Era de Bem Estar geral e desenvolvimento. Até agora, porém, neste novo surto neo fascista no mundo, só o BRASIL, no mundo ocidental está resistindo à ANORMALIDADE, aliás, timidamente, evitando confrontos. Ainda não se sabe até que ponto poderemos ser realmente APOIADOS pelo BRICS, grupo geoeconômico ao qual pertencemos. Em represália, já fomos sancionados com o tarifaço, exigências absurdos de intervenção na política interna do país e aplicação da Lei Magnifsky contra um membro da Suprema Corta. Com isso, passamos a viver momentos de grande tensão e expectativa em nossas relações com EUA. Sempre bom lembrar que uma das características da EXTREMA DIREITA aninhada na CASA BRANCA é a INTOLERÂNCIA. Assim foi, outrora, com o fascismo, ora reavivado. Trata-se de uma ideologia que condena todos os que não se sujeitam à sua visão como INIMIGOS. Não é, aliás, rigorosamente, uma doutrina política, é uma seita: OU CRÊ OU MORRE! Tudo muito lamentável. É a democracia liberal, enfim, sucumbindo, mais uma vez ao fanatismo. Ou as INSTITUIÇÕES AMERICANAS, apoiadas pela OPINIÃO PÚBLICA param o tirano ou vamos conhecer, no mundo inteiro, dias cada vez mais tumultuados. PARA MUITOS ISSO JÁ APONTA PARA A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL, com orçamentos militares cada vez mais elevados nos países centrais!
Anexo – Um depoimento sincero de uma pessoa verdadeiramente liberal, que não se confunde com extrema direita
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Se toda essa gente perigosa, golpista, de extrema-direita for, afinal, condenada e receber suas penas como merece, ainda que o Brasil tenha muitos problemas com seus políticos as discussões poderão ser bem mais "normais".
Quando o Lula foi condenado e quando passou um LONGO TEMPO na cadeia, nenhum lulista estava arregimentando a sociedade ou países estrangeiros para que ele fosse solto. E nunca vi a esquerda brasileira, a centro-esquerda, a social-democracia e mesmo a direita equilibrada ser contra a Ciência, como ocorreu no governo do Perverso e seus seguidores.
O que está acontecendo com os bolsonaristas é algo surreal. São tão incrivelmente alucinados que nos fazem passar uma extrema vergonha com seus festejos absolutamente toscos do 7 de setembro. Uma amiga que mora na Europa me disse que ao ver as imagens da bandeira dos EUA cobrindo as cabeças de uma grande "manada" de bolsonaristas (a expressão foi dela, mas concordo) não saberia explicar o ocorrido para seus amigos europeus... Realmente vergonhoso!
Espero um julgamento justo, que é o que teremos. E, sendo justo, que as penas os os levem para a cadeia e mantenham totalmente fora da vida política, pois uma vez golpista, sempre golpistas. Se recebessem anistia, tentariam novos golpes, é mais do que óbvio. Como pessoas que eu tinha como equilibradas não conseguem entender isso?
Em 2026 votarei em qualquer candidato que não seja bolsonarista, mesmo que não seja muito do meu agrado. E votarei no Lula, se necessário for, pois ABSTENÇÃO é colaborar com a vitória de seres abjetos, entre eles o Tarcísio. E isso meus valores, meu senso de ética, minha dignidade não o permitem. Europeus que foram anti-fascistas tiveram que ENGOLIR ALIADOS BEM DISCUTÍVEIS. Então não serei eu a ficar no "nem, nem" e deixar que a corja volte, em roupagens que se pretendem mais civilizadas, mas com o mesmo risco da absoluta ignomínia que foi todo o governo do Bolsonaro.
Durmo com a consciência tranquila de que estou fazendo minha parte. e torço para que muitos também pensem bem se vale a pena ser "isento" ou afirmar como iguais grupos que não são semelhantes, nem de longe, em vez de alijar de uma vez por toda da possibilidade de vitória no caso de quem está apoiando o que de mais abjeto o Brasil já teve.
Dos nomes atuais que estão como abutres disputando os restos do bolsonarismo, todos são perigosos. Todos e todas, aqui é o caso de ressaltar, pois a Michelle tentou se promover na manifestação do 7 de setembro, ainda que de forma patética, ignorante, mas ainda assim conseguindo alguns aplausos. Essa gente TODA é PERIG0SA! Não se iludam. E ninguém deles vale o que come, sejamos francos. Não se trata de posicionamento político diferente do meu, não se trata do populismo simplório que tanto nos assola, não mesmo, é algo muito pior e mais grave. E a festa fascista que promoveram nos prova isso.
ENTENDAM e pensem muito antes da eleição. Não permitam que nenhum deles se eleja, mesmo os que tentam enganar com algum ar de pseudo-modernidade. São todos eles obscurantistas e perversos e isso é o mais grave de tudo!
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com 8/IX
Recomendo a leitura do artigo de Dom Itacir sobre a Semana da Pátria!
Independência e Soberania
Estamos na semana da pátria e num tempo em que o patriotismo tem se tornado um conceito equívoco e disputado. Há tempos, a comemoração da data da independência política se tornou passarela para discursos e convocações desencontradas. Há décadas, as manifestações têm sido pouco populares e muito militares, como se o modelo de amor à pátria nos viesse das casernas. Além disso, a fé cristã rima mais com paz que com desfiles que ostentam armas e glorificam as guerras.
Lembro sem saudades, e com um certo constrangimento, das celebrações eufóricas que marcaram os 150 anos da proclamação da independência, em 1972. Ainda adolescente, sem nenhuma consciência de que a “pátria mãe gentil” era governada pelo medo e muitos patriotas verdadeiros haviam sido mortos ou expulsos, eu cantava “potência de amor e paz, esse Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz...” Eram os tempos da ordem de amar o Brasil ou deixá-lo. Como se os exilados deixaram o Brasil por não amá-lo...
Posteriormente, com um pouco mais de consciência, eu ficava incomodado ao constatar que as escolas não sabiam celebrar essa data senão com desfiles que imitavam os desfiles militares. Manifestações de defesa da soberania diante dos novos colonizadores e de crítica aos “podres poderes” de plantão, reivindicações de igualdade e justiça, expressão dos sonhos e utopias populares eram mal vistas e, não poucas vezes, proibidas.
Hoje, em meio às tentativas de apropriação ideológica das cores e dos símbolos nacionais, precisamos libertá-los do sequestro que estão sofrendo. Se conseguimos o penhor da igualdade entre as nações soberanas com braço forte, não é somente no seio da liberdade que precisamos estar prontos a desafiar a morte. No seio e no sonho da igualdade e da justiça, precisamos desafiar e desmascarar aqueles que impõem a morte perpetuando a desigualdade e promovendo o entreguismo.
Qual é o sonho intenso e o raio vívido de amor e de esperança que desce à terra? Não vejo outro senão aquele expresso no artigo 3º da Constituição de 1988: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
E os nossos bosques e florestas, cobiçados mais que nunca, clamam por vida. Nossos campos já não têm tantas flores, muita cana, soja, café, gado, e cercas que cercam e limitam nossa vontade de viver e de amar. Por isso, no seio dessa terra, nossa vida, a vida do nosso povo, tem mais dores que amores. Não é verdade que nosso passado é apenas de glórias, e, para que haja paz no futuro, é preciso fazer as contas com ele.
A semana da pátria é tempo apropriado também para levantar a clava forte da fome de justiça e de igualdade, da defesa da democracia e da soberania. É dessa luta que não podemos fugir. Não é filho nem ama a “pátria, mãe gentil” quem se cala por medo ou fala por ambição e por ódio, temendo desagradar senhores e perder a comodidade ou a vida.
Dom Itacir Brassiani msf
Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul
Anexos
BRASIL II CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA
A Independência Como Processo - De PAULO TIMM -18/09/2023
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https://red.org.br/noticia/a-independencia-como-processo/
H.Starling. Tiradentes - CANAL LIVRE TV BAND - https://www.youtube.com/watch?v=wouQHxd7QNk
Lilian Schwarcz – Canal Livre - https://videos.bol.uol.com.br/video/lilia-schwarcz-e-a-convidada-do-canal-livre-04020E1B3062E0817326
José Murillo de Carvalho – Canal Livre - Um dos mais importantes estudiosos da história do Brasil e integrante da Academia Brasileira de Letras, o historiador José Murilo de Carvalho é o convidado do Canal Livre do próximo domingo. O programa faz parte do projeto "Band nos 200 anos da independência''. Autor de verdadeiros - https://www.youtube.com/watch?v=7gZT41HB4Ck
O Assunto g1 dia 6 de setembro 2022 - A Independência para além da Corte
'Até os anos 50, a história da Independência foi contada do ponto vista do Rio de Janeiro', afirma o historiador Evaldo Cabral de Mello, autor do livro A Outra Independência. Neste episódio, ele detalha os processos históricos que levaram à emancipação do país e explica por que ela se deu a partir 'dois golpes de Estado' liderados por D. Pedro I.
https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2022/09/06/o-assunto-788-a-independencia-para-alem-da-corte.ghtml
Debate Plural – II Centenário da Independência : https://www.youtube.com/watch?v=Xhz72YJj2p4 – Dia 1º/ 09/22 - No terceiro episódio da série sobre o Bicentenário da Independência vamos abordar a formação da identidade do Brasil. Receberemos o Doutor em Filosofia pela Universidade Paris, Agemir Bavaresco; o formado filosofia e economia com mestrado em filosofia, Fabian Scholze Domingues; e o formado em história e é doutorando em História na UFRGS, Erick Kayser
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com 5/SET
Os 400 anos da criação da primeira redução indígena no RS
Não existe unanimidade entre os historiadores sobre o processo de ocupação do território do Rio Grande do Sul no período colonial. Duas correntes principais se disputam: platinistas e luzitanistas.
Os platinistas, mais antigos, situam o Rio Grande do Sul no Grande Pampa, do qual absorveu não só a geografia física deste bioma, tão propenso à pecuária, mas também os povos primitivos e a densa história dos países vizinhos na construção de suas Repúblicas, uma delas, Uruguai, antiga Província Cisplatina ligada ao Brasil.
Os luzitanistas emergem em meados do século passado e tratam a formação da sociedade riograndense a partir da fundação do Presídio do Rio Grande, em 1737. Consideram o episódio das Missões, aberto pela criação da Colônia de São Nicolau, em 3 de maio de 1626, pelo Padre Roque Gonzalez, como parte da História da Colonização Espanhola. Registre-se que entre 1580 e 1640 Portugal e Espanha estavam unidos sob uma mesma Coroa.
Apesar da divergência, o Governo do Estado resolveu assumir o ano de 2026, relativo à fundação de São Nicolau, como o ANO DO QUARTO CENTENÁRIO DAS MISSÕES.
Elogiável a iniciativa do Governador Leite, embora tudo indique que ele desconhece com maior profundidade não só as controvérsias sobre a História do RS, como suas consequências.
Primeiro, ao não propor, nesta ocasião, um amplo debate sobre a matéria, circunscrita que ficou em eventos festivos. Segundo, ao não incorporar na organização destes eventos maior representação dos povos originários, objeto da celebração. A jornalista Valentina Bressan, recolhendo protestos destes, elaborou importante matéria no JORNAL MATINAL, denunciando a grave falha.
“O governo Leite decidiu celebrar os 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, mas deixou de fora justamente os indígenas, excluídos da organização do evento e também da destinação vultosa de recursos.”
O terceiro e maior erro do Governo do Estado, porém, é o circunscrever as festividades dos 400 anos das Missões à Região dita Missioneira do Estado, sobre a qual foi fundada a primeira onda de reduções jesuíticas. Esta primeira fase, aliás, foi arrasada, logo após, pela ação de bandeirantes paulistas, numa fase em que a ocupação holandesa no Nordeste dificultava a oferta de escravos negros para a nascente São Vicente (SP). Mas os jesuítas insistiriam e voltaram no final do século XVII, dando origem à etapa propriamente “missioneira” deste processo. Daí as ditas reduções se disseminaram por todo o território riograndense, chegando até o Uruguai. A celebração, portanto, dos 400 anos da ocupação missioneira, jamais deveria se limitar à Região das Missões, mas se distribuir sobre todos os municípios onde ela se deu até sua liquidação nas Guerras Guaraníticas de 1756/7. Sepé Tiaraju, aliás, líder da resistência indígena, que consagrou a consigna “ESTA TERRA TEM DONO”, ainda presente no MST, morreu em São Gabriel, não na dita Região Missioneira.
Isso posto, fica a sugestão ao Governo do ESTADo: organizar uma Comissão para a redefinição destas festividades, à qual deverão estar presentes, preponderantemente, organizações representativas dos guaranis, além, naturalmente de membros do Instituto Histórico e Geográfico do RS e historiadores reconhecidos e capazes de melhor calibrar todo este processo.
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
TOLSTOI VIA Venceslau Fátima · · fb
Já idoso, o famoso autor de Guerra e Paz viajava de trem pela Rússia quando testemunhou uma cena curiosa.
Na plataforma, uma mulher procurava com urgência pelo marido, que tinha ido ao bar da estação. O comboio estava prestes a partir.
Sem reconhecer, a mulher dirigiu-se para Tolstói, acreditando que era um simples vagabundo:
—"Velho, poderia ter a gentileza de procurar meu marido? Dou-lhe uma moeda pelo incómodo. "
Tolstói, encantado, aceitou a tarefa. Ele andou sem pressa, encontrou o homem, trouxe-o de volta... e ao fazê-lo, alguns reconheceram-no.
A mulher, envergonhada ao perceber quem era, implorou-lhe que lhe devolvesse a moeda:
—"Não posso permitir que você, o grande conde Tolstói, aceite isto. "
Ele sorriu, simplesmente:
—"Não, eu fico com ela... é o único dinheiro que ganhei trabalhando honestamente. "
Para Tolstói, esses breves minutos foram um presente.
Cinco minutos de anonimato.
Cinco minutos de liberdade.
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
CHINA 1945-2025 – O lado de lá...
Mao Tse Tung, o fundador da República Popular da China, em 1949, costumava dizer que o Poder repousa sobre a ponta de um fuzil. Foi seu método de fazer Política, num país arrasado pelo colonialismo inglês e brutalmente ocupado pelo belicoso Japão em 1937. Junto com o general Chiang Kai Chek, Mao empreende com seu exército popular, constituído por camponeses, a Grande Marcha, expulsa os japoneses em 1945 e se volta, então, contra seu aliado conservador até a vitória da Revolução em 1949. É bom lembrar sempre que Política é uma expressão que deriva de grego Polis, e que corresponde a origem da atividade de homens livres na articulação do seu destino. Uma criação, portanto, ocidental e que depois do apogeu e queda do Império Romano, renasce na Itália do século XV para desabrochar com o Iluminismo na Revolução Francesa. A Política, oriunda de Polis, cidade, é portanto, uma atividade humana que correspondeu à vida propriamente urbana. Não por acaso, Paris é a primeira cidade a chegar ao milhão de habitantes no século XVIII, mesmo tamanho a que chegara Roma antes de sua queda no século V. Não por acaso, dela emanaram as aspirações libertárias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que moldariam o mundo contemporâneo, fertilizando as mentes revolucionárias ao Leste. As Revoluções Russa, de 1917 e a Revolução Chinesa, de 1949, são suas diletas filhas, levando a práxis da Política aos confins do mundo, onde as Repúblicas constitucionais recém se constituíam.
Hoje, primeiras horas da manhã, Pequim assistiu, sob os olhares de seus dirigentes e vários líderes mundiais, um dos mais espetaculares desfiles militares que se tem notícia. A China não só diz a que veio economicamente, mas demonstra, através de sua força militar, a disposição de mudar a geopolítica mundial. Propõe um novo modelo de cooperação internacional com vistas â montagem de um mundo multipolarizado. Diferentemente da antiga URSS, não faz provocações bélicas ao Ocidente. Rejeita o retorno da Guerra Fria. O Presidente Xi Jin Ping, aliás, lembrou: “O mundo pode escolher entre a paz e a guerra”. Ele propõe a paz. A cena final do desfile foi a soltura de 80mil pombas brancas em sinal desta paz. Mas herda de Mao Tse Tung, cujo imenso retrato se via atrás da Praça da Paz Celestial, onde se celebrou o desfile, o entendimento da Política como Poder: repousando na ponta de um fuzil.
O Brasil esteve presente ao encontro através do representante de Lula ao evento, Emb. Celso Amorim e da Presidente do Banco Brics, Ex Presidenta Dilma Roussef, ambos no pavilhão de honra das autoridades.
O espetáculo chinês procurou também, corrigir a versão ocidental da vitória sobre o nazifascismo no século XX, que atribui todas as glórias do feito aos americanos, como feito “ocidental”. Ora, o nazi-fascismo também é eminentemente “ocidental”, encerrando-se, aliás, nos últimos tempos em países do Ocidente. Ficamos fartos de tanto ver distorções sobre a II Guerra Mundial nos filmes de Holywood como uma vitória “americana”. Os russos, há pouco, celebraram a mesma vitória, naquilo que chamam a GRANDE GUERRA PATRIÓTICA, destacando seu papel na frente oriental européia. Foram os primeiros a chegar em Berlim, decisivos na vitória contra Hitler. Agora, os chineses trazem à tona seu papel contra o Japão, cuja rendição se faria em agosto de 1945, perante os americanos , mas com a presença de um representante chinês. Sempre bom lembrar que o “Eixo” nazifascista era constituído, precisamente, por Itália, França e Japão e sua liquidação um esforço conjunto de vários países, inclusive URSS, China, até o Brasil.
Lentamente, enfim, a história vai se revelando, não com narrativas parciais, mas como verdade.
EDITORIAL - FM Torres –
OPINIÕES = www.culturalfm.com 01/set
Luiz Fernando, o cronista da terceira pessoa
Luiz Fernando Veríssimo deixou-nos, sábado passado, aos 88 anos,
consagrado como um renovador da crônica literária, a qual deu fôros
de conto. De sua lavra ficam 80 títulos e 5 milhões de livros vendidos
ao largo de todo o território nacional. Luiz Fernando teve o mérito de
desidentificar o gaúcho, dissolvendo-o no caldeirão antropofágico do
Brasil. Reservado, a ponto de ser chamado “mudinho”, quando
criança, pelo pai, Érico, eminentemente urbano, pouco afeito aos
superlativos cavalares do tradicionalismo riograndense – “Eu sou
maior que a história grega; eu sou gaúcho e me chega !” – , Luiz
Fernando abriu mão até mesmo da primeira pessoa nas suas crônicas.
Preferiu entregá-la aos seus inesquecíveis personagens. Personagens
cotidianos, como lembra Ruy Castro em sua crônica de ontem, muito
parecidos com os Woody Allen, nascidos “não um para o outro, mas
um contra o outro”.
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“Luis Fernando Verissimo falava muito pouco, mas fazia o Brasil
inteiro rir, por Ruy Castro - Folha de S. Paulo -Cronista criou estilo único
inspirado nos mestres americanos e conquistou com a sua observação elegante do absurdo
cotidiano”
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Ainda assim, sempre foi um homem cordial com todos os que o
procuravam e fez da CASA VERÍSSIMO uma referência cultural em
Porto Alegre, aberta a visitantes. Mais, entretanto, do que sua vasta
obra, Luiz Fernando, pela sua simplicidade e simpatia, deixa
saudades.
RIO GRANDE DO SUL – POA
Deu na Folha de São Paulo : FOLHA / Saga dos Verissimos une Erico e Luis
Fernando na casa histórica da família, em Porto Alegre-
FOLHA - 17ago25
Saga dos Verissimos une Erico e Luis Fernando na casa histórica da família, em
Porto Alegre
Nos 50 anos da morte de autor de 'O Tempo e o Vento', Folha reconstitui
trajetórias e vai ao local que se tornou ponto de visitação e troca intelectual
Foto -Erico Verissimo, com o filho Luis Fernando atrás de si, com o manuscrito de "O
Continente", primeira parte da trilogia "O Tempo e O Vento", em 1949, quando o título
ainda não havia sido invertido - Acervo Literário Erico Verissimo
=Fabio Victor - Repórter especial da Folha, é autor do livro 'Poder Camuflado'
(Companhia das Letras), ganhador do Prêmio Jabuti
[RESUMO] Em meio às homenagens aos 120 anos de nascimento e 50 de morte de
Erico Verissimo, e às vésperas dos 90 anos de Luis Fernando, reportagem conta a
história e as conexões de pai e filho, dois dos mais importantes e populares escritores
brasileiros, e relata como a casa da família em Porto Alegre tornou-se um ponto
turístico de formação e troca intelectual, mais um elemento da obra artística de ambos
que os herdeiros buscam preservar.
Mal havia começado a entrevista com os filhos de Luis Fernando Verissimo, na casa
da família em Porto Alegre, quando o caçula do escritor, Pedro, pediu licença para
interromper a conversa. Trazia um casal que tocou a campainha querendo conhecer o
lugar onde viveu e trabalhou Erico Verissimo.
Moradores de Curitiba, Ismaile Barragan e Vivian Lie estavam de passagem pela
capital gaúcha e não queriam perder a chance. Grávida de uma menina, ela e o
marido contaram que, se fosse menino, chamaria-se Erico, uma homenagem ao autor
de "O Tempo e O Vento", de quem são leitores e admiradores.
Ele parecia eufórico ao entrar no escritório em que Erico revisava os originais dos seus
livros —escrevia-os em outro, a chamada "toca", no subsolo da casa— e onde
permanecem objetos do seu acervo pessoal, como uma poltrona vermelha, uma tábua
pintada por ele que servia de apoio para as revisões e uma pintura a óleo retratando
Clarissa, a filha mais velha do escritor e única irmã de Luis Fernando
-===================================================“Há 15 dias, assisti no
É A PRIMEIRA VEZ QUE VERISSIMO NOS FEZ CHORAR
Fabrício Carpinejar
Antes de Luis Fernando Verissimo, a crônica se centrava na primeira
pessoa, no tom confessional, nas nuances biográficas, no plano
interior.
Depois dele, nada mais foi igual. Surgiram os tipos universais: o
amigo, a vizinha, o professor, o policial, o viajante.
Ao não falar de si, um tímido nos revelou por completo. Colocou o
mundo no papel. Subverteu o modelo intimista pela narração, pelos
diálogos, a partir da criação de personagens.
A crônica casou com o conto — e viveram em litígio para sempre.
Virou o território ficcional da terceira pessoa, capaz de retratar
qualquer um, inclusive secretamente o próprio Verissimo.
Gigolô das palavras, como jocosamente se caracterizava, ou
saxofonista dos pensamentos, o escritor favoreceu a plasticidade das
ações, não mais se limitando à norma culta, capturando o coloquial
das ruas.
Ele pregava: “A gramática precisa apanhar todos os dias para saber
quem é que manda”.
Verissimo é inimitável, o mais cinematográfico de nossos tradutores,
o mais teatral de nossos bardos, o maior cronista brasileiro pós-
Rubem Braga, com cerca de cerca de 80 obras e mais de 5 milhões de
exemplares vendidos.
Começou com o horóscopo e o copidesque no jornal Zero Hora, em
1966, e arrebatou colunas nas principais publicações do país, como
Veja, O Estado de S.Paulo e O Globo. Manteve a sua atividade literária
até janeiro de 2021, quando sofreu um acidente vascular cerebral
(AVC).
Com sua fama estrondosa, o mítico Erico Verissimo, do monumento O
Tempo e o Vento, passou a ser lembrado por ter sido o pai de Luis
Fernando.
Em poucas linhas, ele desvendava dilemas comportamentais.
Escrevia como quem desenhava: rápido, certeiro, irônico. O poder de
síntese se aproximava de uma epifania.
Quem nunca se sentiu parte da Família Brasil, seus esquetes
humorísticos satirizando a classe média nos anos 70 e 80? O lar se
abastecia de conflitos geracionais entre a figura paterna
conservadora e machista, a dona de casa lúcida e de paciência
esgotada, e os filhos adolescentes, desafiando valores antiquados.
Quem não se politizou com as tirinhas das Cobras, protagonizadas por
animais rastejantes antropomorfizados que conversavam entre si
sobre os destinos do país?
Quem não se compadeceu da Velhinha de Taubaté, que foi concebida
durante a ditadura militar e ficou famosa por ser “a última no Brasil
que ainda acreditava no governo”?
Quem não riu com o Analista de Bagé, mais ortodoxo do que pomada
Minancora, um psicanalista freudiano que resolvia mimimi com o
joelhaço? Submetia o paciente a um golpe amnésico, provocando uma
dor tão intensa que ele logo se abstraía dos aborrecimentos.
Quem não viu alguma tia representada na Dorinha e seu cortejo de
socialites, buscando a eterna juventude por sucessivas e incansáveis
intervenções estéticas?
Quem não desistiu de recorrer à espionagem acompanhando as
peripécias de Ed Mort, um detetive particular pobre e trapalhão, um
ímã de encrencas e de causas perdidas?
Quem não se valeu dos exemplos das Comédias da Vida Privada para
não levar a sério os desentendimentos de casal? Era um jantar que
dava errado, uma visita inesperada, um segredo mal guardado, um
flerte perigoso.
O mestre gaúcho elaborou uma vivissecção do amor com seus blefes
e chantagens, mostrando o drama do quase divórcio, da quase
infidelidade.
Ele exorcizava o nosso desencanto com a evolução dos costumes, a
recessão e a violência: “Não sei para onde caminha a Humanidade,
mas, quando souber, vou para o outro lado”.
Mudava os estereótipos de lugar, produzindo reflexivo estranhamento.
Assim como o divã do Analista de Bagé fora desconstruído para o
atendimento num pelego, com tapete de pele de carneiro, o charme
dos romances policiais se converteu no escritório de pulgas e traças
de Ed Mort em Copacabana, com 117 baratas e um rato albino
chamado Voltaire.
Os dados oficiais professam que Verissimo faleceu aos 88 anos, neste
sábado (30), no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Mas ele
não morreu. É impossível que morra.
Ele sempre nos fez rir, é a primeira vez que nos faz chorar.
Zero Hora, GZH, última página, Porto Alegre (RS), 30/8/2025:- https://gauchazh.clicrbs.com.br/.../o-
mestre-timido-de...
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EDITORIAL - CULTURAL FM Torres –
OPINIÕES = www.culturalfm.com
Um estranho país chamado Brasil
Para os “conquistadores” lusitanos do século XVI o Brasil se afigurou como uma terra prodigiosa em vastidão e riquezas, mas estranha aos hábitos ibéricos. Com o passar dos anos, até séculos, não tem sido diferente. O Brasil é uma incógnita, mesmo para seus melhores intérpretes. Carlos Drummond de Andrade, Poeta Maior, tem um poema chamado Hino Nacional, no qual conclui que o Brasil não existe. Cazuza se perguntava: “Que país é este?” Entre os analistas, todos concordam que a tarefa de entender o Brasil é para “profissionais”. O Brasil desafia e indaga, mais do que responde.
Nos tempos recentes, depois do fim do século XX, lá por 1980, quando o ocidente desdenhou do Projeto de construir uma Sociedade do Bem Estar, enveredando para o neoliberalismo desenfreado, a seguir acompanhado pelo esfacelamento da União Soviética, também jogada nos braços de liberalismo descontrolado sob a batuta de Yeltsin, os ideais de fraternidade e igualdade, herdados da Revolução Francesa, entraram em colapso. Até os Partidos Comunistas fortes, como o da França, Itália e Espanha, dissolveram-se, para não falar do velho ‘Partidão’ no Brasil. E os Partidos de inspiração social-democrata aderiram ao novo credo “libertário”. O Brasil, entretanto, foi uma exceção. No bojo da luta contra a ditadura, fortemente excludente e concentradora de renda, continuava havendo junto as massas um anseio de mudança que iria alimentar o projeto de Brizola, com o PDT e Lula, com o PT. Este levou a melhor e confirmou, no Governo, de 2003 a 2010, as expectativas de, senão mudança radical, alívio aos sofrimentos populares com o BOLSA FAMÍLIA e melhora no salário mínimo. Com isso o BRASIL contrariava a corrente dominante no Ocidente, mais inclinada à direita, embora ainda não fascista.
Agora, mais uma vez, o Brasil, de novo com Lula, enfrente a corrente global, pelo menos no Ocidente, cujo maior marco é a presença de Trump na Casa Branca. Quando toda a Europa se curva a Trump, e uma boa margem da opinião pública na América Latina se inclina á direita – vide Argentina e , agora, Bolivia, o Brasil insiste no esforço de manter o ritmo de políticas públicas, inspiradas na Constituição de 88, de fortalecimento do Estado de Bem Estar. Vinha sendo acossado, é verdade, pelo bolsonarismo, tendo-lhe vencido em 22 por pouco mais de 1 milhão de votos. O balanço, entretanto, das últimas semanas, confirmado pelas PESQUISAS QUAEST evidencia que a esquerda, se assim se pode chamar o governo Lula, está vencendo e se credenciando para uma nova vitória ano que vem. Ainda nada definitivo. O confronto com Trump ainda exige cuidados. Mas o país está levando a melhor, unindo-se crescentemente em torno do princípio da soberania com vistas a um Estado de Bem Estar . O bolsonarismo, mercê de seu aberto servilismo ao estrangeiro, ontem reverberado pelo Presidente do PL – “Agora só Trump pode nos salvar”, vai se desmascarando, em evidente capitulacionaismo, e a direita, se dividindo, em busca, claro, de sua sobrevivência. Mais uma vez, seguimos o curso da Constituição de 88 no rumo de uma sociedade mais justa e soberana.
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Após Trump, política externa pauta debate presidencial - Por Joelmir Tavares / Valor Econômico - Para o professor de filosofia Marcos Nobre, papel global do Brasil e ameaça à democracia serão temas inevitáveis na corrida eleitoral
A ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil e o papel a ser assumido pelo país diante da tentativa de reconfiguração global tornarão inevitável que a política externa seja debatida na eleição presidencial de 2026, afirma Marcos Nobre, professor titular de filosofia política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Centro para Imaginação Crítica, sediado no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Nobre vê Jair Bolsonaro pressionado a capitular e ungir como sucessor o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado pelo analista o nome mais competitivo contra Luiz Inácio Lula da Silva. Mas projeta um cenário em que a vaga de vice na chapa seja destinada a alguém da família Bolsonaro, como esforço para garantir um salvo-conduto para o ex-presidente, após o julgamento por tentativa de golpe.
Autor de livros como “Limites da Democracia” (2022), o professor diz que o Brasil sofre de uma permanente ameaça golpista e que nem a eventual prisão do ex-presidente e de outros militares encerraria a necessidade de alerta. “Achar que a democracia está estabelecida é o tipo de ilusão que não deveríamos ter”, afirma.
EDITORIAL
EDITORIAL - FM Torres – OPINIÕES = www.culturalfm.com
Crianças, Adolescentes e Idosos: Urgências e Ressurgências
A Câmara dos Deputados, extremamente desgastada junto à opinião pública depois do motim a bordo praticado pelos bolsonaristas, impedindo pela força o reinício dos trabalhos legislativos no início do mês, ontem disse a que veio: Aprovou Projeto de Lei, 2628/2022, oriundo do Senado, oferecendo garantias às nossas crianças nas Redes Sociais, já denominado ECA DITGITAL. Principal objetivo é proteger crianças e adolescentes no uso de redes sociais após denúncias de aliciamento. As plataformas digitais que não cumprirem as regras poderão enfrentar sanções, com arrecadação destinada ao Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente.
Precisou, na verdade, uma mobilização ímpar da sociedade que afluiu maciçamente ao vídeo do influenciador Felca, no qual denunciou a exposição de jovens por outro influenciador, Heraclyto Santos, já preso em São Paulo: 40 milhões de cliques...Bem disse , certa vez, o experiente José Sarney: - “Quando esta Casa (Congresso) quando cercada pelo povo, aprova o que é do seu interesse”. Aliás, as correntes políticas presentes no Congresso deviam dar mais atenção às ruas, ouvindo-as, do que se engalfinharem dentro daquelas duas Casas, em torno de interesses menores e filigranas ideológicas.
Vá o feito. Eis o resultado de ontem :
“Faixa etária
As empresas fornecedoras desses produtos e serviços de tecnologia da informação também deverão:
gerenciar riscos quanto aos impactos das aplicações para a segurança e a saúde de crianças e adolescentes;
- avaliar o conteúdo disponibilizado para crianças e adolescentes de acordo com a faixa etária; e
- oferecer sistemas e processos destinados a impedir que crianças e adolescentes encontrem conteúdo ilegal, nocivo ou danoso e em desacordo com sua classificação etária.
Notificação a autoridades
O Projeto de Lei 2628/22 determina aos fornecedores de produtos ou serviços de tecnologia da informação que comuniquem a autoridades nacionais e internacionais competentes, na forma de regulamento, conteúdos aparentemente relacionados a crimes de exploração sexual, abuso sexual infantil, sequestro e aliciamento detectados em seus produtos ou serviços, direta ou indiretamente.
As empresas deverão reter por seis meses os seguintes dados relacionados ao conteúdo denunciado:
conteúdo gerado, carregado ou compartilhado por qualquer usuário mencionado no relatório ou metadados relacionados ao referido conteúdo; e
dados do usuário responsável pelo conteúdo ou metadados a ele relacionados.
Para todos os provedores de aplicações de internet que possuírem mais de 1 milhão de usuários crianças e adolescentes registrados, com conexão de internet em território nacional, o projeto exige a elaboração de relatórios semestrais em língua portuguesa, contendo:
- os canais disponíveis para recebimento de denúncias e os sistemas e processos de apuração;
- a quantidade de denúncias recebidas;
- a quantidade de moderação de conteúdo ou de contas, por tipo;
- as medidas adotadas para identificar contas infantis em redes sociais e atos ilícitos;
- os aprimoramentos técnicos para a proteção de dados pessoais e privacidade das crianças e adolescentes; e
- os aprimoramentos técnicos para aferir consentimento parental.
Pesquisas
Os provedores de aplicações de internet deverão viabilizar, gratuitamente, o acesso a dados necessários à realização de pesquisas sobre os impactos de seus produtos e serviços nos direitos de crianças e adolescentes.
Esse acesso poderá ser por parte de instituições acadêmicas, científicas, tecnológicas, de inovação ou jornalísticas, conforme critérios e requisitos definidos em regulamento.
Sem monetização
O PL sobre proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais (PL 2628/22) proíbe os provedores de aplicações de internet de monetizar ou impulsionar conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva ou em contexto próprio do universo sexual adulto.
A fim de atender ao princípio da proteção integral, o texto prevê que esses fornecedores deverão permitir aos usuários acesso a mecanismos de notificação sobre conteúdo que viole direitos de crianças e adolescentes, exceto conteúdos jornalísticos e submetidos a controle editorial.
Assim que forem comunicados do caráter ofensivo de uma publicação, independentemente de ordem judicial, os provedores deverão retirar o conteúdo que viole esses direitos.
No entanto, a notificação poderá ser apresentada apenas pela vítima, por seus representantes, pelo Ministério Público ou por entidades representativas de defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Segundo o projeto, os conteúdos considerados prejudiciais a crianças e adolescentes são:
- exploração e abuso sexual;
- violência física, intimidação sistemática (bullying) virtual e assédio a crianças e adolescentes;
- indução ou instigação, por meio de instruções e orientações, a práticas ou comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental, tais como violência física ou assédio psicológico a outras crianças e adolescentes, uso de substâncias que causem dependência química ou psicológica, autodiagnóstico e automedicação, automutilação e suicídio;
- promoção e comercialização de jogos de azar (incluídas bets e loterias), produtos de tabaco, bebidas alcoólicas, narcóticos ou produtos de comercialização proibida para crianças e adolescentes;
- práticas publicitárias predatórias, injustas ou enganosas, ou que possam causar outros danos a crianças e adolescentes;
- conteúdo pornográfico.
Contestação de retirada
A notificação deverá conter elementos suficientes para permitir a identificação específica do autor e do material apontado como violador desses direitos, proibida a denúncia anônima. Para fazer a denúncia, o público deverá ter acesso fácil ao mecanismo de encaminhamento dessa notificação.
No entanto, o relator do projeto, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), incluiu no texto procedimentos para a contestação da decisão de retirada de conteúdo. Dessa forma, quem postou o conteúdo deverá ser notificado da retirada, com dados sobre o motivo e fundamentação, e informação sobre possibilidade de recurso segundo prazos definidos.
Uso abusivo
Outra novidade sobre as notificações é que os provedores de aplicativos deverão criar mecanismos para identificar o uso abusivo do instrumento de denúncia, informando ao usuário sobre quais hipóteses será considerado uso indevido e sanções aplicáveis. Os provedores deverão definir critérios técnicos e objetivos de identificação desse abuso, informar o usuário sobre a instauração de procedimento de apuração de abuso de notificação e possíveis sanções, com prazos para recurso e resposta a esse recurso.
Entre as sanções previstas, aplicáveis de forma proporcional e necessária segundo a gravidade da conduta, a suspensão temporária da conta, o seu cancelamento em casos de reincidência ou abuso grave e a comunicação às autoridades competentes se houver indícios de infração penal ou violação de direitos.
Pais e responsáveis
Apesar de a obrigação de retirar o conteúdo recair sobre os fornecedores dos aplicativos, o PL 2628/22 deixa claro que isso não exime os pais e responsáveis de atuarem para impedir a exposição de crianças e adolescentes a essas situações, assim como qualquer um que se beneficiar financeiramente da produção ou distribuição pública de qualquer representação visual desse público.
Conteúdo impróprio
Os fornecedores de produtos e serviços de tecnologia da informação que disponibilizarem conteúdo, produto ou serviço impróprios, inadequados ou proibidos para menores de 18 anos deverão adotar medidas eficazes para impedir o acesso por crianças e adolescentes no âmbito de seus serviços e produtos.
Entre esses conteúdos estão material pornográfico e outros que sejam vedados pela legislação, assim como os classificados como não recomendados para a faixa etária correspondente. Para isso, deverão adotar mecanismos confiáveis de verificação de idade de cada usuário, vedada a autodeclaração. Somente para conteúdo pornográfico é que o provedor deverá impedir a criação de contas ou perfis por crianças e adolescentes.
Controle parental
Para viabilizar o controle parental do acesso aos aplicativos por parte de crianças e adolescentes, os fornecedores deverão tornar disponível configurações e ferramentas acessíveis e fáceis de usar que apoiem a supervisão parental. Outras ferramentas deverão permitir a limitação do tempo de uso do produto ou serviço e uma funcionalidade deve avisar claramente quando as ferramentas de controle parental estiverem em vigor e quais configurações ou controles foram aplicados.
Em todo caso, a configuração padrão das ferramentas de controle parental deve adotar o maior nível de proteção disponível, assegurando, no mínimo:
- restrição à comunicação com crianças e adolescentes por usuários não autorizados;
- limitação de recursos para aumentar, sustentar ou estender artificialmente o uso do produto ou serviço pela criança ou adolescente, como reprodução automática de mídia, recompensas pelo tempo de uso, notificações e outros recursos que possam resultar em uso - compulsivo do produto ou serviço;
- emprego de interfaces para imediata visualização e limitação do tempo de uso do produto ou serviço;
- controle de sistemas de recomendação personalizados, inclusive com opção de desativá-los;
- restringir o compartilhamento da geolocalização e fornecer aviso sobre seu rastreamento;
- promover educação digital midiática quanto ao uso seguro de produtos e serviços de tecnologia da informação; e
- revisão regular de ferramentas de inteligência artificial com participação de especialistas com base em critérios técnicos para assegurar a segurança de uso por crianças e adolescentes.
Informações
Os fornecedores desses produtos e serviços deverão ainda tornar disponível a pais e responsáveis, com acesso independente da compra do produto, informações sobre os riscos e as medidas de segurança adotadas para crianças e adolescentes, incluindo a privacidade e a proteção de dados.”
(Entenda os principais pontos do projeto de lei sobre proteção de crianças no ambiente digital – Noticias R7)
Mas se crianças e adolescentes se encontram agora protegidos, seja pelo ECA, seja pelo ECA DIGITAL, o mesmo não se pode dizer dos idosos, preocupação maior tendo em vista o envelhecimento rápido da nossa população e que dentro de vinte anos será maioria da população. Já existe o Estatuto do Idoso e estão criados em todos os municípios Conselhos Municipais do Idoso. Estes, porém, não têm, nem estrutura de intervenção para cuidados com os idosos, como carecem do respaldo da Constituição para projetarem um instrumento semelhante aos Conselhos Tutelares.
Veja-se o que diz a CF :
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)
Neste Artigo não estão incluídos os idosos, o que talvez se explique por uma concepção produtivista do desenvolvimento, ainda vigente quando da promulgação da Constituição em 1988. Conferia-se, então, à juventude o papel da construção do futuro, além, claro, da sua proteção em decorrência de sua evidente fragilidade. Os anos 90, entretanto, sobretudo depois da ECO-92, substitui este conceito produtivista pelo de sustentabilidade, vinculando-o a três exigências fundamentais: economicidade tecnológica, redistribuição dos benefícios e garantia de recursos naturais às próximas gerações. Nesse novo desenho, a proteção aos idosos é fator indispensável da garantia de justiça social. Afinal, foram eles que contribuíram com seus trabalho para as etapas anteriores do desenvolvimento. Assim sendo, há que incluir também os idosos neste Artigo, que deverá ser submetido a PEC de forma a ter a seguinte redação:
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, aos idosos, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015).E
Tal modificação, afetará decisivamente o ESTATUDO DO IDOSO, assim disposto:
O Estatuto do Idoso, lei 10741/2003, prevê o seguinte:
Art. 2º A pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022);
Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar à pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. (Redação dada pela Lei nº 14.423, de 2022)
O estatuto do Idoso não prevê a organização dos conselhos como órgãos que atuem na proteção e garantia dos direitos dos idosos, pois restringem-se apenas à fiscalização e execução de políticas públicas, o que fragiliza à proteção , pois os idosos não possuem o acesso a equipamentos que os auxiliem na garantia de seus direitos. No que se refere à violação de direitos ainda esbarram na dificuldade de acessar a polícia civil, que, em geral, não estão preparados para registrar uma ocorrência ou até mesmo realizar uma investigação nas delegacias circunscricionais. Ademais, a garantia de direitos dos idosos não pode estar limitada a uma política de segurança pública e/ou a política de assistência social.
Veja-se que este ESTATUTO DO IDOSO não prevê a organização dos conselhos como órgãos que atuem na proteção e garantia dos direitos dos idosos, pois restringem-se apenas à fiscalização e execução de políticas públicas, o que fragiliza à proteção , vez que não possuem o acesso a equipamentos que os auxiliem na garantia de seus direitos. No que se refere à violação de direitos ainda esbarram na dificuldade de acessar a polícia civil, que, em geral, não está preparado para registrar ocorrências ou até mesmo realizar uma investigações nas delegacias circunscricionais.
De resto, enfim, a garantia de direitos dos idosos não pode estar limitada a uma política de segurança pública e/ou a política de assistência social.
Urge, portanto, discutir a situação do idoso e sua proteção pelo Estado nos dias atuais, quando todas as formas de violência, sobretudo nas camadas mais pobres da população, o acuam e assediam. Lembremo-nos do COVID. Vitimou principalmente os idosos e pouco ou nada puderam fazer em seu socorro os Conselho Municipais do Idoso.
O primeiro passo deve ser a aprovação de uma PEC incluindo os idosos como sujeitos de direitos sociais no Art. 6º, da Constituição. Isso posto, trata-se de providenciar a criação de um CONSELHOS MUNICIPAIS DE PROTEÇÃO E GARANTIAS DO IDOSO, à semelhança dos Conselho Tutelares da Criança e do Adolescente, entregando aos Conselhos Municipais um instrumento ágil de ação.
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EDITORIAL - FM Torres – www.culturalfm.com
O CADUCEU: DE ESCULÁPIO A MERCÚRIO
Em 2025-04-28 10:41, Franklin Cunha
O Caduceu, na antiga Grécia, estava na não de Hermes e simbolizava os mensageiros e os embaixadores. Esculápio, na tradição greco-romana, era o Deus da Medicina e também trazia o Caduceu como símbolo. Na Roma antiga Hermes passou a ser Mercúrio, o Deus do Comércio e, hoje, o símbolo semelhante ao da medicina é visto no frontispício das Associações Comerciais de todo o mundo.
Não é de estranhar, portanto, o fato de que na agenda da Organização Mundial do Comércio (OMC), apresentada na conturbada
reunião de Seatle (1999), tinha como destaque a privatização total da assistência à saúde, da educação e dos benefícios sociais ('The Lancet', november 27, 1999)
Esse atual enfoque prioritário da OMC reflete a crescente importância do setor de serviços no comércio mundial,
principalmente com o proporcional declínio irreversível dos lucros na agricultura, na indústria e no comércio em relação ao setor
financeiro.
De acordo com a própria OMC, o setor de serviços, do qual a assistência médica faz parte, participa e contribui com dois terços
da economia da União Europeia e da metade de suas exportações para o resto do mundo. Nos Estados Unidos o quadro é semelhante. Os
serviços já são um quarto das exportações e contribuíram, nos últimos cinco anos, com um terço do crescimento da economia americana.
Os conglomerados financeiros transnacionais, os bancos e certos capitais de malcheirosas procedências estão apostando no sucesso
econômico da prestação de serviços públicos e todos se engalfinham numa cruenta competição para abocanhar a parcela
considerável das verbas que do Primeiro ao Terceiro Mundo flui dos contribuintes para os cofres estatais.
Uma importante entidade americana prestadora de serviços informa que 'estamos progredindo nas negociações propiciadoras de oportunidades
para os negócios nos mercados de assistência à saúde em outros países' ('ibid'). A delegação americana em Seatle disse mais: 'Os
Estados Unidos são de opinião que existem oportunidades para negócios comerciais dentro de todo o espectro da prestação de
serviços médicos e sociais, incluindo hospitais, serviços externos,
clínicas e assistência médica domiciliar' ('ibid').
Albergadas no cavalo de Troia da OMC, estão as multinacionais da indústria farmacêutica e as tais de medicinas de grupo pré-pagas.
Mas a expansão dessas empresas depende da abertura dos mercados nos serviços tradicionalmente prestados pelo estado. Para isso a OMC e o Banco Mundial adotaram políticas asseguradoras desse gigantesco pulo e gato comercial. E, como canta a Zizi Possi:
> 'Lá do alto do telhado
> Pula quem quisé
> Mas só o gato que é gaiato
> É que cai de pé'.
E os governos do Terceiro Mundo, inermes e ineptos para resistir, ainda afofam o terreno para o pulo dos grandes e bulímicos gatos das
finanças transnacionais. Sabe-se que estão sendo realizadas reformas nas instituições do estado, no sentido de permitir a captação dos
fundos dos serviços públicos governamentais por empresas privadas, embora tais reformas sejam apresentadas ao contrário, isto é, as
empresas é que, 'compungidas e magnânimas', auxiliariam e desobrigariam os governos de pesados encargos sociais.
Em toda a América Latina, hospitais e os serviços ligados à saúde da população como o SUS estão sendo ameaçados pela competição de
provedores comerciais que objetivam prioritariamente o lucro. E o "managed care' faz parte dessa visão empresarial da assistência médica.
Afinal, o Caduceu - nestes chaplinianos tempos modernos - parece até situar-se melhor nas mãos de Mercúrio do que nas de Esculápio.
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23 de mar de 2010 - A Escola de Educação Profissional Senac Torres (RS) está abrindo 175 vagas para os cursos de Recepcionista em Meios de Hospedagem, ...
SENAC Torres em Torres/RS | Cursos hagah
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Fundada em 2006, o Senac Torres atua nas áreas de gestão, informática, comércio, comunicação, saúde e idiomas, capacitando as pessoas para atuarem no ...
Senac Torres está com as inscrições abertas para cursos Técnicos a ...
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3 de fev de 2014 - O Senac Torres está com inscrições abertas para os cursos na modalidade educação a distância. São três opções de qualificação, que ...
Litoralmania | Senac Torres oferece vagas para cursos de idiomas
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7 de jan de 2017 - O Senac Torres está com inscrições abertas para cursos de Inglês em ... Para a coordenadora de Internacionalização do Senac-RS, Carla ...
SENAC TORRES | Centro, Torres, RS - GuiaMais
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Veja as avaliações, o telefone e o endereço de SENAC TORRES especializado em Escolas (Escolas e Colegios), localizado no endereço Av General Osório ...


